Margarida Alves

(Josino Medina)

Qual a flor, que nasce do beijo do sol sobre o solo, e na noite ainda diz ser mulher e ter lar.
Qual a flor que lança nos campos sementes da vida e diz que a ferida ainda pode curar.
Qual a flor que quando se poda, mais forte se brota e a força que explora não pode calar,
e diz, que é preciso jardins pelas praças, com cores e graça para perfumar o país.

É a flor do campesinato Brasil,
que se viu nascer de um sonho real.
Que tem sangue,
que sangra sobre o nosso mal.

Qual a flor que dorme ao lado do amor companheiro,
expulsa o medo, diz sim, diz e não.
Qual a flor que abraça a terra com mãos da ternura e diz que o céu tem a distância de um grão.
Qual a flor que desde de menina labuta de homem, brinca de ser grande com enxada e chão,
e deixa na gente, um cheiro de luta e fala do amor como essência do bem sobre a dor.
Margarida eterna companheira,
Flor e uma eterna primavera.

Margarida Maria Alves, mártir da luta pela Reforma Agrária
(BIOGRAFIA)
--------Nascida em Alagoa Grande, Paraíba (região Nordeste do Brasil), Margarida Maria Alves foi a primeira mulher a ocupar a presidência de um sindicato no Estado. Sempre muito atuante na luta pela reforma agrária, ela fundou ainda o Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural no município paraibano.
--------Numa gestão que durou mais de 12 anos, a líder sindical moveu mais de 600 ações trabalhistas contra usineiros e senhores de engenhos da região. Tanto incomodou que no dia 12 de agosto de 1983 foi morta a tiros por pistoleiros em sua própria casa.
--------O principal acusado do assassinato, o fazendeiro José Buarque Gusmão Neto, conhecido como Zito Buarque, conseguiu ser absolvido pelo Tribunal de Justiça, em João Pessoa. Até hoje o caso segue impune.
--------Como forma de protesto, entidades como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Agricultura, Central Única dos Trabalhadores, Movimento dos Sem Terra, Comissão Pastoral da Terra, entre outras, organizam anualmente a Marcha das Margaridas, que acontece todo mês de agosto.