Rutílio Grande Garcia
12 de março de 1977
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----------O padre Rutílio trabalhava entre os camponeses, promovendo a sua tomada de consciência da situação à luz da Palavra de Deus. Vendo o desagrado do poder pela sua homilia na festa da Transfiguração, exilou-se voluntariamente no Equador.
---------- Mas, tal como Moisés, depressa voltou para o meio dos seus compatriotas pobres. Em 1971 foi nomeado pároco de Aquilares, onde se instalou com uma equipa de colegas, adoptando o método de ler e estudar a Palavra de Deus em grupo. Seu objectivo: “Pequenas comunidades vivas de homens novos, conscientes da própria vocação humana, capazes de se tornarem protagonistas do seu próprio destino individual e social, alavancas de transformação.”
----------O poder económico ergueu-se em força contra a obra “marxista” dos padres “terceiro-mundistas”... Resposta do padre Rutílio: “Aquilo que preocupa estes assim chamados católicos conservadores é o “deus dinheiro”, um deus construído pelas mãos do homem, amassado com o sangue dos irmãos inocentes... Eu amo-os e as acusações gratuitas a nosso respeito não têm fundamento. Estou disposto a dar a vida...”.
----------O padre Bernal, colega da equipe do padre Rutílio, é expulso do país.
----------O padre Rutílio repete a mesma denúncia, a 13 de Fevereiro de 1977, sublinhando: “A Eucaristia que estamos a celebrar alimenta este nosso ideal de uma mesa comum para todos, com um lugar para cada um e Cristo no meio”.
----------A 12 de Março seguinte, quando se dirigia para a sua terra natal com outros cristãos para preparar uma festa religiosa, foi morto por uma rajada de metralhadora.
----------Dom Óscar Romero (arcebispo de São Salvador desde Fevereiro de 1977 até Março de 1980, data em foi assassinado durante uma Eucaristia a que presidia no 1º aniversário da morte da mãe de um jornalista) diria que foi o exemplo do padre Rutílio e a sua morte que o convenceram a pôr-se decididamente ao lado dos pobres de El Salvador.