Vicente Cañas Costa
Maio de 1987

----------Ameaçado de morte por seu comprometimento com a sobrevivência do povo Enawenê-Nawê, Vicente Cañas foi vítima da ambição e da violência dos fazendeiros, que o mataram a facadas, quando se preparava para atender uma aldeia, levando medicamentos.
----------Após ser morto, foi abandonado à porta de seu barraco pelos assassinos. Por causa do isolamento do local do crime, o corpo do missionário só foi encontrado 40 dias depois da morte, com o abdômen perfurado e em avançado estado de decomposição.
----------O inquérito tramitou durante seis anos, e a revelação do envolvimento dos acusados se deu por testemunhos de indígenas habitantes das terras vizinhas à dos Enawenê-Nawê, onde ocorreu o assassinato.
----------Como Cañas participava oficialmente de um grupo de trabalho da Fundação Nacional do Índio (Funai) para identificação do território indígena, num processo que mais tarde levaria ao reconhecimento e à demarcação definitiva das terras da etnia Enawenê-Nawe, a competência para o julgamento dos acusados foi transferida para a Justiça Federal.
----------Durante todo esse tempo, o Cimi atuou intensamente para que se fizesse justiça no caso. “Desde a morte de Cañas, em 1987, o Cimi vem se empenhando perante as autoridades estaduais pela resolução desse crime”, afirma o advogado do Cimi, Paulo Machado Guimarães.