Setembro: mês da Bíblia, farol da nossa caminhada

(Publicado no JORNAL PELEJANDO, set/2001, sessão: Bíblia e vida, p. 6.)

v----------E então um disse ao outro: “Não estava o nosso coração ardendo quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24,32)
----------Há uns 35 anos atrás celebrávamos o dia 30 de setembro, dia de São Jerônimo, como o dia da Bíblia, porque São Jerônimo foi o grande tradutor da Bíblia para o latim, a chamada vulgata. Jerônimo colocou a Bíblia na linguagem popular do século IV. Assim a Palavra de Deus a partir da Bíblia se tornava acessível ao povo simples. Algo parecido faz a edição Pastoral da Bíblia, em português. A CNBB nos convida para neste mês de setembro nos debruçarmos com mais atenção sobre a Bíblia. Neste ano e em 2001 a CNBB incentiva-nos a estudar de modo orante, comunitário, militante e ecumenicamente os Atos dos Apóstolos. Este livro da Bíblia é uma leitura teológica do Movimento de Jesus, depois da Ressurreição e antes da institucionalização da Igreja. Foi escrito lá pelos anos 80-85 d.C., por Lucas, autor também do terceiro evangelho.
----------É bom recordar que a Bíblia é o livro mais vendido no mundo; é uma biblioteca; Primeiro, vivida; depois escrita em mutirão, durante 1300 anos; escrita principalmente no Exílio da Babilônia (587-538 a.C.), fonte de Luz e de Força para nossa caminhada; é coco de casca dura, mas esconde uma água deliciosa que mata a sede do "romeiro cansado".
----------Um camponês de Pernambuco, depois de freqüentar uma escolinha bíblica por dois anos, dizia: "Fui notando que se a gente vai deixando a Palavra de Deus entrar dentro da gente, a gente vai se divinizando. Assim ela vai tomando conta da gente e a gente não consegue mais separar o que é de Deus e o que é da gente. Nem sabe muito bem o que é Palavra dele e palavra da gente. A Bíblia fez isso em mim".
----------Uma interpretação libertadora da Bíblia, a partir de livrinhos de Frei Carlos Mesters, ajudou muito na derrubada do Apartheid racial da África do Sul, pois o racismo lá era fundamentado numa leitura racista e fundamentalista da Bíblia.
----------Na Guatemala, no tempo da ditadura militar, os militares confiscaram e queimaram em praça pública milhares de Bíblias, pois descobriram que era na Bíblia que o povo estava encontrando o caminho, força e luz, para lutar por Justiça, por Direitos Humanos, por cidadania, contra a ditadura.
----------Isto acontecia nos Círculos Bíblicos, com um olho no texto Bíblico e outro na realidade dos pobres.

Frei Gilvander Luís Moreira, O.Carm
email: gilvander@igrejadocarmo.com.br