Seguir Jesus
“Discípulos e Missionários de Jesus Cristo,
para que nele nossos povos tenham vida”
Dez Círculos
Bíblicos
Preparando-nos para o V CELAM
Carlos Mesters
Francisco Orofino
A caminhada
da Igreja Católica na América Latina sempre foi marcada pelas Conferências
Episcopais: Rio de Janeiro (1955), Medellín (1968), Puebla (1979) e Santo
Domingo (1992). As Conferências analisaram nossa realidade, apontaram caminhos,
fizeram propostas. Enfim, dinamizaram a caminhada do povo de Deus na América
Latina e no Caribe. E agora, mais uma vez nos preparamos para uma Conferência
Geral do Episcopado latino-americano. Desta vez será aqui no Brasil, no Santuário
de Nossa Senhora Aparecida, nos dias
Este momento
é uma oportunidade de olharmos para o passado já percorrido, analisarmos o
presente que estamos vivendo aqui e agora, e levantarmos as questões e os
desafios que temos pela frente. Esta conferência nos oferece uma oportunidade
única de aprofundar nossos compromissos batismais, nosso encontro com Jesus,
nossa caminhada de comunidade, nossa opção pelos mais pobres.
O tema desta
V Conferência é “Discípulos e
Missionários de Jesus Cristo para que nele nossos povos tenham vioda”. O
lema é tirado de Jo14,6: “Eu sou o
caminho, a verdade e a vida”. A missão da Igreja é uma só: continuar a
missão de Jesus de Nazaré, pois Jesus disse: “Como o Pai me enviou, eu envio
vocês!” (Jo 20,21) Como ele, também nós devemos ser uma presença do Reino no
mundo de hoje.
Os fariseus ensinavam
que o Reino só poderia estar presente no mundo como fruto da observância da lei.
Jesus ensinava o contrário: “O Reino já está aí no meio de vocês!” (Lc 17,21) Jesus
tinha outra maneira de ver as coisas. Dizia que os fariseus eram “cegos guiando
cegos!” (Mt 15,14). Jesus veio abrir os olhos dos cegos (Lc 4,16). Fazia com
que o povo começasse a enxergar a presença do Reino nos fatos da vida. O povo
percebia a diferença e dizia: “Ele ensina com autoridade, diferente dos
escribas e fariseus” (Mc 1,22.27).
Nestes dez
círculos vamos olhar de perto a prática de Jesus e aprender dele como ser
presença do Reino no mundo de hoje, pois ele disse: “Eu sou o caminho, a
verdade e a vida” (Jo 14,6). Vamos ver de que fonte ele bebia para ter aquele
olhar tão puro a ponto de perceber em tudo a presença de Deus (1º Círculo) e
qual a missão que o animava no trabalho que fazia (2º Círculo); como ele transmitia
sua doutrina ao povo (3º Círculo) e qual era aquele seu jeito tão humano de
relacionar-se com as pessoas (4º Círculo). Vamos ver também como ele rezava (5º
Círculo) e como era a comunidade que foi nascendo ao redor dele (6º Círculo).
Veremos ainda como ele, sendo homem, se relacionava com as mulheres, qual o
lugar que dava a elas na comunidade (7º Círculo) e como lutava pela justiça,
pela paz e pela preservação do meio ambiente (8º Círculo). Numa palavra, vamos
ver como ele realizava a sua missão e o que ele pede de nós (9º Círculo) e qual
o ideal que o animava para o futuro (10º Círculo). Assim esperamos contribuir
para o bom êxito da V CELAM que tem como lema: aprender a ser “discípulos e missionários
de Jesus Cristo, para que nele nossos povos tenham vida”.
Eis a lista dos dez Círculos Bíblicos. Os títulos
falam por si e indicam a proposta e o rumo:
1º
Círculo
O RETRATO DE DEUS CONFIRMADO
POR JESUS
Uma
Nova Experiência de Deus
As oito bem-aventuranças
do Reino de Deus
Salmo 146(145)
2º
Círculo
O PROJETO DE JESUS
APRESENTADO AO POVO DE NAZARÉ
Uma
Nova Missão para o Povo de Deus
Jesus realiza a esperança
dos pobres
Lucas 4,14-21
3º
Círculo
UM ENSINO NOVO, DADO COM
AUTORIDADE
Uma
Nova Catequese
O que vale não são as
palavras bonitas, mas sim o testemunho, o gesto concreto
Marcos 1,21-22 e 1,27
4º
Círculo
UM JEITO DIFERENTE DE
TRABALHAR COM O POVO
Uma
Nova Pastoral
Acolhida, Bondade, Firmeza
João 10,7-18
5º
Círculo
A ORAÇÃO QUE ANIMAVA
JESUS POR DENTRO
Uma
Nova Maneira de Rezar
Sua vida revelava o rosto
acolhedor de Deus
Mateus 6,9-13
6º
Círculo
O GRUPO QUE NASCE E
CRESCE AO REDOR DE JESUS
Uma
Nova Comunidade
O Reino de Deus é uma
nova maneira de conviver como irmãos e irmãs
Lucas 10,1-9
7º
Círculo
AS DISCÍPULAS DA
COMUNIDADE DE JESUS
Um
Novo Discipulado
Elas seguem a Jesus,
servem a ele e com ele sobem até o Calvário
Lucas
8º
Círculo
ECUMENISMO, JUSTIÇA E PAZ,
E ECOLOGIA
Uma
Nova Ação Social
A experiência de Deus
como Pai faz brotar uma nova sociedade.
Lucas 9,49-50
9º
Círculo
A MISSÃO DA IGREJA É UMA
SÓ
Uma
Nova Presença de Deus no Mundo
Continuar a obra de Jesus
de Nazaré
Atos 3,1-10
10º
Círculo
O PROJETO QUE ANIMA TUDO
Uma
Nova Utopia
As oito bem-aventuranças
do Reino de Deus
Mateus 5,1-10
1º Círculo
O RETRATO DE DEUS CONFIRMADO POR JESUS
Uma Nova Experiência de Deus
Acolhida
* Um canto inicial
* Criar um bom ambiente. Colocar o pessoal à
vontade
* Invocar a luz do Espírito Santo
1.
Abrir
os olhos para ver ao redor
Na véspera de ser preso,
reunido pela última vez com os discípulos e as discípulas, Jesus abriu o
coração e falava de Deus, seu Pai. Falava tanto, que Filipe chegou a dizer:
“Jesus, mostra-nos o Pai e basta!” Jesus respondeu: “Filipe, tanto tempo estou
com vocês e ainda não me conhece? Quem vê a mim, vê o Pai”! (Jo 14,9) O Pai era
tudo para Jesus. Ele dizia: “Nunca estou só. O Pai que me enviou está sempre
comigo!” (Jo 8,16) “Eu a cada momento
faço o que o Pai me mostra para fazer!” (Jo 5,19.30;cf. 8,28-29) “Minha comida
é fazer a vontade do meu Pai!” (Jo 4, 34) Estas e muitas outras frases são como
janelas que permitem a gente olhar para dentro de Jesus e descobrir o grande
segredo que o animava: Deus Pai, Abba, Papai! Palavra carinhosa. No tempo de Jesus, a idéia
que o povo se fazia de Deus era de alguém muito distante, severo, que ameaçava
com castigo. Pelo seu jeito de ser e de viver, Jesus revelava outra imagem de Deus
ao povo e fazia com que Deus se tornasse novamente a grande Boa Notícia para a
vida humana, sobretudo para os pobres. Sua bondade e ternura eram um reflexo da
experiência que ele mesmo tinha de Deus como um Pai cheio de ternura para com
todos e para com cada um em particular.
A imagem que uma pessoa tem
de Deus influi muito no seu modo de agir. Por exemplo, a imagem de Deus como juiz
severo faz a pessoa ficar com medo e a torna demasiadamente submissa e passiva ou
então rebelde e revoltada. A imagem patriarcal de Deus, isto é, Deus como Patrão, foi e ainda é usada para
legitimar as relações de poder e de dominação, tanto na sociedade e na igreja,
como na família e na comunidade. Às vezes, as pessoas identificam Deus com a
imagem que dele receberam. Querem que Deus seja como elas o imaginam. Aí, a
imagem se torna um ídolo, um falso deus. Pois toda imagem de Deus é apenas uma
imagem, um símbolo. Não é Deus. Deus é maior. Ele não pode ser identificado com
nenhuma imagem. Ele ultrapassa todas as imagens! Graças a Deus!
Como você imagina Deus? Ele mete medo ou acolhe? A imagem que
você tem de Deus, de onde veio? Ela mudou ao longo dos anos da sua vida? Se
mudou, como mudou e por que mudou?
2.
Seguir
Jesus de perto
Preparar-nos para ouvir a Palavra de Deus
De onde
Jesus tirou a imagem que tinha de Deus? Neste primeiro Círculo vamos beber na
mesma fonte, na qual Jesus bebeu durante os 33 anos da sua vida. Jesus
alimentava sua fé na Sagrada Escritura, sobretudo nos Salmos. Lá está a fonte
da sua experiência de Deus. Vamos meditar um destes salmos, o Salmo 146(145).
Este salmo traz um retrato de Deus que, posteriormente, foi confirmado por
Jesus. Neste Salmo aparecem oito características ou bem-aventuranças que
inspiraram Jesus no seu trabalho junto ao povo da Galiléia. Durante a leitura,
fiquemos com esta pergunta na cabeça: “Quais
as oito bem-aventuranças de Deus que aparecem neste Salmo?”
Leitura do Salmo 146(145)
1. O que mais
chamou sua atenção neste Salmo? Percebeu o retrato de Deus? Onde?
2. Quais as
oito bem-aventuranças de Deus que aparecem neste Salmo?
3. Tente
lembrar fatos e palavras de Jesus que confirmam cada uma das oito
bem-aventuranças.
4. Este
salmos retrata o Deus de Jesus, o nosso Deus. A partir deste retrato, o que
deve mudar na minha maneira de viver a fé e na imagem que nós temos de Deus?”
3.
Rezar
a Palavra de Deus
* Preces: Vamos expressar em
forma de prece os pedidos e os compromissos que surgiram no nosso coração
durante as reflexões deste encontro.
* Salmo: Vamos rezar o
Salmo 146(145): O retrato de Deus
confirmado pro Jesus.
* Final: Terminar
com um Pai-nosso e um canto apropriado.
Sugestões para preparar o
próximo encontro
* Anotar o assunto e o
texto que serão meditados no próximo
encontro
* Distribuir as tarefas
* Marcar data e local do
próximo encontro
Um pensamento de ajuda:
Jesus dizia: “Quem vê a mim
vê o Pai!” (Jo 14,9). Pelo seu jeito de
acolher as pessoas e de revelar a todos o seu grande amor, Jesus era um retrato
falado de Deus. Às vezes, o povo pergunta: “Mas como é que Jesus se comunicava
com Deus, e como Deus se revelava a Jesus?” Nos trinta anos que viveu em
Nazaré, Jesus participava da comunidade e, como todos os meninos da época, desde
pequeno, aprendia a Bíblia (cf. 2Tm 3,15; 1,5). Na família, junto com os pais, ele
alimentava sua fé na Sagrada Escritura. Rezava muito. Rezava sobretudo os
salmos. Lá está a fonte da sua experiência de Deus. Neste primeiro Círculo,
meditando o Salmo 146, também nós alimentamos nossa fé bebendo na mesma fonte
que matava a sede de Jesus durante aqueles longos anos em Nazaré.
O salmo 146(145) é um
retrato fiel de Deus. Ele traz oito características ou bem-aventuranças que
definem a ação do Deus para conosco e que foram confirmadas por Jesus através
do seu jeito de acolher as pessoas com amor.
O salmista está feliz. Ele começa
expressando o seu desejo de louvar e de agradecer a Deus (Sl 146,1-2). Em
seguida, pede para a gente nunca colocar a segurança nos poderosos que não
podem salvar-nos, mas sim em Deus (vv.3-4). E aí o salmista começa a partilhar
a imagem ou a experiência que ele tem de Deus. Para ele (e para Jesus), Deus é
o Criador do céu e da terra, fiel em tudo que faz (vv.5-6). Ele é nosso
salvador, porque é um Deus que:
(1) faz justiça aos oprimidos (v.7),
(2) dá o pão aos famintos (v.7),
(3) liberta os prisioneiros (v.7),
(4) abre os olhos dos cegos (v.8),
(5) endireita os encurvados (v.8),
(6) ama os justos (v.8),
(7) protege os estrangeiros (v.9)
(8) sustenta o órfão e a viúva (v.9).
Jesus fez isso! Tente
lembrar de que maneira ele revelou Deus ao povo, (1) fazendo justiça aos
oprimidos, (2) dando pão aos famintos, (3) libertando os prisioneiros, (4) abrindo
os olhos dos cegos, (5) endireitando os curvados, (6) amando os justos, (7) protegendo
os estrangeiros, (8) sustentando o órfão e a viúva!
E nós, hoje? Nosso jeito de
viver é uma revelação do Deus de Jesus Cristo? Nossa comunidade pode dizer:
“Quem vê a mim, quem vê a nós vê o Pai”? Nossa Igreja na América Latina pode
dizer: “Somos presença de Jesus no meio dos pobres”? Ainda falta muito para nós
sermos verdadeiros discípulos e discípulas de Jesus, não acha?
Acolhida
* Um canto inicial
* Criar um bom ambiente. Colocar o pessoal à
vontade
* Invocar a luz do Espírito Santo
1.
Abrir
os olhos para ver ao redor
Durante os 30 anos em
Nazaré, Jesus trabalhava na roça e prestava serviço ao povo como carpinteiro
(Mc 6,3; Mt 13,55). Eram tempos difíceis. O império romano dominava a Palestina
e explorava o povo através de impostos e trabalhos forçados (cf. Lc 22,25).
Quem se rebelava era preso e morto sem piedade (cf Lc 13,1;23,19; At 5,36). A
história informa que, quando Jesus ainda era menino de sete anos, a repressão
romana atacou e destruiu a capital da Galiléia, chamada Séforis, que ficava a
sete quilômetros de Nazaré. A população inteira foi morta ou escravizada. Anos
depois, quando Jesus já era adulto, o rei Herodes mandou construir uma nova
capital, à qual deu o nome de Tiberíades
para honrar a Tibério, o imperador de
Roma. Seria o mesmo que chamar Brasília de Bushlândia!
Lá moravam “os grandes da corte, os oficiais e os cidadãos importantes da
Galiléia” (Mc 6,21). Os pobres, o povo da roça, sofriam muito. Eram
marginalizados de tudo, excluídos e, às vezes, executados sem processo como
João Batista (Mc 6,17-29). Os recenseamentos freqüentes (cf. Lc 2,2) eram para
saber quanto cada família tinha de pagar de tributo e de imposto. Os estudiosos
calculam que mais da metade do salário de um pai de família ia para os
impostos, tributos, taxas e dízimos.
E a religião, o que fazia
para ajudar o povo? A religião oficial dos escribas e fariseus, dos saduceus e
sacerdotes não dava muita atenção a este sofrimento do povo. Em vez de ajudar o
povo a resistir e não perder a esperança, insistia quase só na observância das
normas rituais da lei, nas práticas do culto e na pureza da raça. Em vez de
animá-lo, ameaçava em nome de Deus com castigo e pecado. Em vez de diminuir, aumentava
a exclusão, ensinando que deficientes físicos, doentes, gente com defeito
corporal, estrangeiros, mulheres e tantos outros não podiam participar
plenamente na vida da comunidade.
Qual é hoje o maior sofrimento do povo no Brasil? Que caminhos
o povo busca para encontrar uma saída? Como as religiões de hoje, tanto a nossa
católica como as outras, se colocam frente ao sofrimento do povo?
2.
Seguir
Jesus de perto
Preparar-nos para ouvir a Palavra de Deus
Vamos ouvir o programa com que Jesus se apresentou à comunidade de
Nazaré, durante a celebração da Palavra na sinagoga. Ele abriu a Bíblia, leu o
trecho do profeta Isaías que fala do Servo de Javé, e disse que ele estava aí
para realizar aquela profecia. Durante a leitura fiquemos com esta pergunta na cabeça: “Qual a resposta que Jesus quer dar ao
sofrimento do seu povo?”
Leitura de Lucas 4,14-21
1. O que
mais chama a sua atenção na apresentação que Jesus fez da sua missão? Gostou do
programa dele? Por que?
2. Qual a
resposta que Jesus quer dar ao sofrimento do seu povo lá da Galiléia?
3.
Examinando bem o texto de Isaías citado por Jesus, descubra quais são, um por
um, os pontos básicos da missão de Jesus.
4.
De acordo com este programa de Jesus, quais deveriam ser hoje no Brasil os
pontos principais da Missão da Igreja?
3.
Rezar
a Palavra de Deus
* Preces: Vamos expressar em
forma de prece os pedidos e os compromissos que surgiram no nosso coração
durante as reflexões deste encontro.
* Salmo: Vamos rezar o
Salmo 16(15): Oração de uma pessoa que se
consagrou totalmente a Deus.
* Final: Terminar
com um Pai-nosso e um canto apropriado.
* Anotar o assunto e o
texto que serão meditados no próximo encontro
* Distribuir as tarefas
* Marcar data e local do
próximo encontro
Um pensamento de ajuda:
Durante os trinta anos em
Nazaré, Jesus conviveu com os pobres. Nazaré era um povoado pequeno, pobre.
Pouca gente. Povo da roça que vivia da agricultura. Esses trinta anos em Nazaré
foram a escola de Jesus. Todos os dias, de manhã, ao meio dia e ao pôr do sol,
o povo parava tudo para rezar
Quando Jesus tinha em torno
de trinta anos de idade, participou do movimento popular de João Batista, filho
de Isabel e Zacarias, pois João começava a despertar o povo para a seriedade do
momento que estavam vivendo (Mt 3,1-12; Lc 3,3-14). Jesus se fez batizar por João
no rio Jordão (Mc 1,9). No momento de ser batizado, ele teve uma experiência profunda
de Deus e da sua missão. A Palavra de Deus o iluminou com a mesma frase com que,
no passado, Deus tinha apresentado o seu Servo ao povo: “Tu és o meu filho
amado, em ti encontro o meu agrado” (Mc 1,11; Mt 3,16-17; Lc 3,21-22 e Is
42,1). A partir deste momento, Jesus passou a identificar-se com a missão do
Servo de Deus, anunciado por Isaías. Ele dizia de si mesmo:
“Não vim para ser servido mas para servir e dar minha vida em resgate para
muitos” (Mc 10,45).
Depois do batismo, Jesus passou
quarenta dias no deserto, preparando-se para a missão (Lc 4,1-13). Em seguida,
voltou para Nazaré e apresentou-se à comunidade com um programa de ação tirado
do livro de Isaías (Is 61,1). A certeza da presença do Espírito de Deus em sua
vida dava a Jesus a consciência clara de ser chamado por Deus para esta missão:
* anunciar a boa nova de Deus aos pobres,
* proclamar a libertação aos
presos,
* aos cegos a recuperação da
vista,
* libertar os oprimidos e
* anunciar um ano de graça da
parte do Senhor (Lc 4,18-19).
Jesus
terminou dizendo: “Esta palavra começa hoje!” (Lc 4,20). Por ter sido fiel a
esta missão, que lhe foi dada pelo Pai, Jesus era amado pelos pobres, mas
perseguido e caluniado pelos poderosos que, por fim, decidiram matá-lo (Mc 3,6).
Acolhida
* Um canto inicial
* Criar um bom ambiente. Colocar o pessoal à
vontade
* Invocar a luz do Espírito Santo
1.
Abrir
os olhos para ver ao redor
Jesus começou a andar por
todos os povoados da Galiléia para falar ao povo sobre o Reino de Deus que
estava chegando (Mc 1,14-15). Onde encontrava gente para escutá-lo, Jesus falava
e transmitia a Boa Nova de Deus, em qualquer lugar: nas sinagogas, durante a celebração da Palavra nos sábados (Mc 1, 21;
3,1; 6,2); em reuniões informais nas
casas de amigos (Mc 2,1.15; 7,17; 9,28; 10,10); no ambiente do trabalho, onde chamou Pedro e André,
Tiago e João (Mc 1,16-20), e Mateus (Mc 2,13-14); andando pelo caminho com os discípulos (Mc 2,23); ao
longo do mar na praia, sentado num
barco (Mc 4,1); junto ao poço, onde
as mulheres vinham buscar água (Jo 4,6-10); no deserto, para onde se refugiou e onde o povo o procurava (Mc 1,45; 6,32-34);
na montanha, de onde proclamou as bem-aventuranças
(Mt 5,1); nas praças das aldeias e
cidades, onde povo carregava seus doentes (Mc 6, 55-56); no Templo de Jerusalém, por ocasião das
romarias, diariamente, sem medo (Mc 14,49)!
Ensinar era o que Jesus
mais fazia (Mc 2,13; 4,1-2; 6,34). Hoje dizemos catequese. Era o costume dele (Mc 10,1). O povo gostava de ouvi-lo,
ficava admirado (Mc 12,37; 1,22.27; 11,18). Em Jesus, tudo era revelação daquilo que o animava por dentro! Ele não só falava
sobre o Reino. Ele mesmo era uma amostra, um testemunho vivo do Reino. Nele aparecia aquilo que acontece
quando um ser humano deixa Deus reinar;
deixa Deus tomar conta de sua vida. O que vale mesmo não são as palavras,
mas sim o testemunho, o gesto concreto.
Como era a catequese que você recebeu quando era criança? O
que você lembra mais da sua catequista: as palavras ou as atitudes, os
conteúdos ou os gestos? Como é a catequese que se pratica na sua comunidade e
na sua paróquia?
2.
Seguir
Jesus de perto
Preparar-nos para ouvir a Palavra de Deus
Vamos ouvir dois textos bem pequenos que descrevem o impacto que a
catequese de Jesus causava no povo. Durante a leitura, fiquemos com esta pergunta na
cabeça: “Qual a diferença
entre a catequese de Jesus e a catequese dos doutores da lei?”
Leitura de Marcos 1,21-22 e 1,27
1. O que
mais chamou a sua atenção nestes dois textos de Marcos? Por que?
2. Qual
a diferença entre a catequese de Jesus e a catequese dos doutores da lei?
3. O que
significa “ensinar com autoridade”?
4. O ensino
de Jesus sobre Deus e sobre o amor já era muito antigo. Por que será que o povo
o chamava de “ensino novo” (Mc 1,27)?
5. Como
deveria ser nossa catequese para fazer hoje a doutrina antiga brilhar como nova?
3.
Rezar
a Palavra de Deus
* Preces: Vamos expressar em
forma de prece os pedidos e os compromissos que surgiram no nosso coração
durante as reflexões deste encontro.
* Salmo: Vamos rezar o
Salmo 34(35): Como os pobres transmitiam sua
fé aos filhos.
* Final: Terminar
com um Pai-nosso e um canto apropriado.
* Anotar o assunto e o texto
que serão meditados no próximo encontro
* Distribuir as tarefas
* Marcar data e local do
próximo encontro
Um pensamento de ajuda:
A catequese de Jesus era
muito ligada à vida do povo. As parábolas mostram que ele tinha uma capacidade
muito grande de comparar as coisas de Deus com as coisas mais simples da vida:
sal, vela, luz, trabalho, comida, semente, flores, amor, casamento, crianças,
passarinhos, etc. Isto supõe duas coisas que marcavam a catequese de Jesus:
estar bem atento às coisas da vida e dos problemas do povo, e estar bem por
dentro das coisas de Deus, do Reino de Deus.
As Parábolas ainda mostram
um outro aspecto muito importante da catequese de Jesus. Ele não ensinava as
coisas de cima para baixo para o povo decorar e aprender de memória, mas levava
as pessoas a participar na descoberta da verdade. Por exemplo, você imagine um
agricultor da Galiléia que escuta a parábola da semente. Ele pensa consigo:
“Semente no terreno, eu sei o que é! Mas Jesus diz que isso tem a ver com o
Reino de Deus. O que será que ele quis dizer com isto?” E aí você pode imaginar
as longas conversas do povo em torno das parábolas que Jesus contava. O mesmo
faziam, por exemplo, as mães a partir das parábolas de Jesus sobre o sal, a
comida, as crianças, as velas, etc. Uma parábola leva a pessoa a refletir sobre
sua própria experiência e faz com que esta experiência a leve a descobrir a
presença de Deus nas coisas da vida: sal, vela, luz, semente, crianças,
comércio, desemprego, corrupção, assalto, passarinho, capim, etc., etc. A
parábola muda os olhos, faz da pessoa uma observadora da realidade. Torna a
realidade transparente. Era este o jeito de Jesus fazer catequese.
O primeiro impacto que a
Boa Nova de Jesus causava no povo foi este: “Um
novo ensinamento! Dado com autoridade!” (Mc 1,27) “Ele ensina como quem tem autoridade e não
como os escribas e os fariseus” (Mc 1,22).. Parece
até uma ironia! Os escribas, quando ensinavam, repetiam as sentenças
de doutores e teólogos, isto é, das autoridades da época, mas para o povo, mesmo
citando autoridades, eles não ensinavam com autoridade. Jesus nunca citava teólogos
nem doutores, mas para o povo, mesmo sem citar as autoridades da época, ele ensinava
com autoridade! Pois uma pessoa fala com autoridade não pelo fato de citar as
palavras das autoridades, mas sim pelo fato de a sua palavra ter raiz no
coração. O que vale não são as palavras, mesmo bonitas, mas sim o testemunho
que dá vida e autoridade às palavras. Jesus falava de Deus a partir da sua experiência
de Deus e a partir da sua experiência com a vida do povo. O clero da época só
tinha poder, não tinha autoridade e, por isso, só sabia ensinar
a doutrina oficial que vinha dos doutores.
Jesus
não tinha estudado na escola dos doutores
Acolhida
* Um canto inicial
* Criar um bom ambiente. Colocar o pessoal à
vontade
* Invocar a luz do Espírito Santo
1.
Abrir
os olhos para ver ao redor
A
palavra “pastoral” vem de “pastor”. Pastor é a pessoa que cuida das ovelhas e
as conduz para verdes pastagens e águas tranqüilas (Sl 23,2). Jesus se
apresentava como o Bom Pastor (Jo 10,11). De fato, o que mais chama a atenção é
a bondade e a ternura com que ele acolhia o povo, sobretudo os pobres (Mc 6,34;
8,2; 10,14; Mt 11,28-29). Deus se fazia presente nesta atitude de
ternura acolhedora.
Jesus não só falava sobre Deus, mas também o revelava. Comunicava
algo do que ele mesmo vivia e experimentava. Sua “pastoral” valorizava as pessoas e as estimulava
a se firmar em Deus e a ter confiança em si mesmas. Por exemplo, ele elogiou o
escriba quando este chegou a entender que o amor a Deus e ao próximo eram o
centro da Lei de Deus. Jesus disse para ele: “Você não está longe do reino!” (Mc 12, 34). Animou a Jairo (Mc 5,36), confirmou
a mulher do fluxo de sangue (Mc 5,34), encorajou o cego Bartimeu (Mc 10,49-52)
e o pai do menino epilético (Mc 9,23-24), acolheu a moça do perfume (Lc
7,36-50), revelou o valor da esmola sem valor da viúva (Mc 12,41-44), consolou
e curou os doentes (Mc 1,34; Mt 4,23). Jesus era o Bom Pastor (Jo 10,11), acolhia
os pobres com muito carinho, “pois eram como ovelhas sem pastor” (Mc 6,34; 8,2).
Ele os confirmava dizendo que entendiam a mensagem do Reino melhor do que os doutores
(Mt 11,25). Jesus caminhava com o povo nas romarias (Mc 11,1-11; Jo 5,1; 7,14),
cultivava suas devoções, esmolas, jejuns e orações (Mt 6,2,18) e, como leigo,
participava das celebrações semanais na sinagoga levantando-se para fazer as
leituras (Lc 4,16).
A pastoral de Jesus irradiava
sua luz sobre os discípulos e fazia nascer neles maior liberdade de ação frente
aos costumes religiosos da época. Eles criavam coragem para transgredir normas
caducas e antiquadas que nada tinham a ver com a fé em Deus nem com a vida .
Por exemplo, quando estavam com fome, os discípulos colhiam espigas, mesmo em
dia de sábado (Mt 12,1); não lavavam as mãos antes de comer (Mc 7,5); entravam
nas casas dos pecadores e comiam com eles (Mc 2,15-17); não faziam jejum como
era costume entre os judeus (Mc 2,18).
Como é o trabalho pastoral na sua
paróquia? Como trabalham os membros Conselho paroquial e o Padre: são pastores
como Jesus? E você, como faz o seu trabalho pastoral?
2.
Seguir
Jesus de perto
Preparar-nos para ouvir a Palavra de Deus
Vamos ouvir como
Jesus se apresenta ao povo como Bom Pastor. Durante a leitura fiquemos com esta
pergunta na cabeça: “Quais são, uma por
uma, as características de Jesus como Bom Pastor?”
Leitura de João 10,7-18
1. Qual o
ponto que mais chamou sua atenção nestas palavras de Jesus? Por que?
2. Quais são,
uma por uma, as características de Jesus como Bom Pastor?
3. Meditando
as palavras de Jesus, qual o segredo mais profundo da ação do pastor ou da ação
pastoral?
4. O que
deve melhorar na nossa pastoral para estarmos mais de acordo com a atitude de
Jesus?
3.
Rezar
a Palavra de Deus
* Preces: Vamos
expressar em forma de prece os pedidos e os compromissos que surgiram no nosso
coração durante as reflexões deste encontro.
* Salmo: Vamos
rezar o Salmo 23(22): O Senhor é meu
pastor.
*
Final: Terminar com um Pai-nosso e um canto apropriado.
* Anotar o assunto e o
texto que serão meditados no próximo
encontro
* Distribuir as tarefas
* Marcar data e local do
próximo encontro
Um pensamento de ajuda:
A experiência dolorosa e desastrosa
que o povo teve dos reis de Israel e de Judá durante os quatrocentos anos de
monarquia (de
Impressionam a acolhida e a
bondade de Jesus para com as pessoas, sem distinção. Por exemplo, quando os
discípulos afastavam as crianças, Jesus as acolhia e as abraçava sem se
incomodar de contrair alguma impureza legal. As mães devem ter ficado muito
contentes (Mc 10,13-16). Outros exemplos: o jeito de Jesus acolher o velho
Zaqueu, desprezado pelo povo por ser publicano (Lc 19,1-10); a maneira como teve
dó da viúva cujo único filho tinha morrido (Lc 7,13). A grande preocupação de
Jesus era poder aliviar a dor do povo sofrido: “Venham a mim todos vocês que
estão cansados de carregar o peso do seu fardo, e eu lhes darei descanso.
Carreguem a minha carga e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de
coração, e vocês encontrarão descanso para suas vidas. Porque a minha carga é
suave e o meu fardo é leve." (Mt 11,28-30)
Como o Servo de Javé,
anunciado pelo profeta Isaías, Jesus se colocava em oração diante de Deus para
assim poder encontrar palavras de conforto para o povo desanimado. Ele se
identificava com o Servo de Deus, cujas palavras até parecem um auto-retrato de
Jesus. Dizia o Servo:
“O
Senhor me concedeu o dom de falar como seu discípulo,
para
eu saber dizer uma palavra de conforto a quem está desanimado.
Cada
manhã, ele me desperta, para que eu o escute,
de
ouvidos abertos, como o fazem os discípulos.
O
Senhor me abriu os ouvidos e eu não resisti, nem voltei atrás”. (Is 50,4-5)
O outro lado da acolhida e
bondade com os pequenos era a firmeza com que Jesus os defendia contra os
desmandos e desvios das autoridades religiosas da época: sacerdotes (Mc
11,15-18), fariseus e herodianos (Mc 12,13-17), saduceus (Mc 12,18-27),
escribas e doutores da lei (Mt 23,1-36). Estes últimos, em vez de ajudar o
povo, o exploravam ainda mais (Mc 12,40). Não se importavam com o sofrimento do
povo e diziam que era um povo maldito (Jo 9,49).
Jesus sabia que a sua
“pastoral”, a sua maneira de acolher o povo, sobretudo os pobres, desagradava
ao dirigentes religiosos da época, mas, como o Servo de Isaías, ele não voltou
atrás. Dizia o Servo e Jesus o confirmou:
“Ofereci minhas costas
aos que me batiam e o queixo aos que me arrancavam a barba.
Não escondi o rosto para
evitar insultos e escarros.
O Senhor é a minha
ajuda! por isso, estas ofensas não me desmoralizam.
Faço cara dura como
pedra, sabendo que não vou ser um fracassado.
Perto de mim está quem
me faz justiça” (Is 50,6-8)
UMA NOVA MANEIRA DE REZAR
Acolhida
* Um canto inicial
* Criar um bom ambiente. Colocar o pessoal à
vontade
* Invocar a luz do Espírito Santo
1.
Abrir
os olhos para ver ao redor
A oração é a marca da vida
de Jesus. Ele aparece rezando em todos os momentos importantes da sua vida: no
batismo (Lc 3,21), no deserto (Lc 4, 1-13), antes de um grande milagre (Jo 11,
41-42), numa grande alegria (Mt 11,25), na escolha dos apóstolos (Lc 6, 12-13).
Ele ora por Pedro (Lc 22, 32), passa noites em oração (Lc 5,16; 6,12), abençoa
o pão (Mc 6,41), participa das romarias (Lc 2,41-42), faz seu testamento em
forma de uma oração ao Pai (Jo 17,1-26). Ele ora na transfiguração (Lc 9, 28), na
agonia (Mc 14, 32-39), no sofrimento da cruz (Lc 23,34), na hora de morrer (Lc
23, 46; Mc 15,34). Jesus vivia em contato com o
Pai. Sua vida era uma oração permanente. Ele dizia: "Eu a cada
momento faço o que Pai me mostra para fazer!" (Jo 5,19.30). A ele se
aplica o que diz o Salmo: "Eu (sou) oração!" (Sl 109,4).
Como você reza? Consegue pensar em Deus
durante o dia? Como vocês rezam na comunidade e na paróquia?
2.
Seguir
Jesus de perto
Preparar-nos para ouvir a Palavra de Deus
Vamos ouvir
o Pai Nosso, o salmo de Jesus, no qual ele resume em forma de sete pedidos ou
preces todo o seu ensinamento. Durante a leitura, fiquemos com esta pergunta na
cabeça: “Quais os sete pontos no
Pai-Nosso que resumem todo o ensinamento de Jesus?”
Leitura de Mateus 6,9-13
1. O que
mais chama a sua atenção na oração do Pai Nosso? Por que?
2. Descubra
na oração do Pai-Nosso os sete pontos que resumem todo o ensinamento de Jesus.
3. O que
você aprendeu desta reflexão sobre o Pai Nosso para você e para a vida da sua
comunidade?
4. Que
outras a orações de Jesus que você lembra?
3.
Rezar
a Palavra de Deus
* Preces: Vamos expressar em
forma de prece os pedidos e os compromissos que surgiram no nosso coração
durante as reflexões deste encontro.
* Salmo: Vamos rezar o
Salmo 138(139): “Tu me conheces quando
está sentado, tu me conheces quando estou de pé”.
* Final: Terminar
com um Pai-nosso e um canto apropriado.
* Anotar o assunto e o
texto que serão meditados no próximo
encontro
* Distribuir as tarefas
* Marcar data e local do
próximo encontro
Um pensamento de ajuda:
Como já aludimos nos
Círculos 1 e 2, Jesus aprendeu a rezar participando da vida orante na família e
na comunidade. O povo rezava muito naquele tempo. Havia todo um
ambiente ou um ritmo de oração que se criou ao longo dos séculos. Havia o ritmo diário na família. Em casa, o povo rezava três vezes
ao dia: de manhã, ao meio dia, à noite, nos exatos três momentos em que, lá no
Templo de Jerusalém, se oferecia o sacrifício. Assim, a nação inteira se unia
diante de Deus. Havia o ritmo semanal
na sinagoga. Nos Sábados, reuniam na sinagoga para rezar, ler a Bíblia e
discutir a vida da comunidade. Havia um esquema fixo para as leituras da Lei de
Moisés. A leitura dos profetas dependia da escolha do momento (Lc 4,17). E
havia o ritmo anual no Templo. Era
baseado no ano litúrgico com suas festas. Cada ano, faziam três romarias a
Jerusalém para visitar o Templo (Ex 23,14-17). Criava-se assim um ambiente
familiar e comunitário impregnada de oração. Eles aprendiam de memória os
salmos. A mãe ou a avó os ensinava às crianças (2 Tim 1,5; 3,15). Nos benditos
que cantavam, evocavam os acontecimentos mais importantes do passado. Isto
ajudava o povo a não perder a memória nem a identidade.
Jesus deu vários conselhos
de como devemos rezar. Por exemplo, ele manda pedir as coisas a Deus em nome dele
(Jo 15,16; 16,23-24); manda que façamos nossos pedidos a Deus com muita
confiança, sem esmorecer (Lc 11,5-13; Mc 7,7-11); diz para a gente não confiar
no muito palavreado, pois o Pai já sabe de que precisamos (Mt 6,7-18); diz
ainda que não devemos rezar para sermos vistos pelos outros, mas que devemos entrar
no quarto, fechar a porta e rezar no segredo, pois o Pai nos vê (Mt 6,5-6).
Jesus era uma pessoa
orante. Passava noites em oração (Lc 6,12). Na oração,
procurava saber o que o Pai queria dele (Mt 26,39). O seu jeito de rezar era
contagiante e provocava nos outros o desejo de rezar. Certo dia, quando ele
estava rezando, os apóstolos chegaram perto dele e disseram: “Jesus, ensina-nos
a rezar como João Batista também ensinou a seus discípulos (Lc 11,1). A
resposta de Jesus foi o Pai-Nosso.
O texto do Pai-Nosso,
conservado no evangelho de Lucas (Lc 11,2-4), é mais curto que o de Mateus (Mt
6,9-13). O texto de Mateus é uma cartilha orante que resume em forma de sete
preces tudo que Jesus nos ensinou:
* Pai
Nosso. É o novo fundamento da fraternidade: Pai Nosso e não Pai meu.
A origem desta novidade é a experiência que Jesus teve de Deus como Pai.
1.
Santificar o Nome: O nome de Deus
é JAVÉ. Significa Estou com vocês!
Deus conosco. É a nossa maior certeza. O Nome, revelado no Êxodo (Ex 3,11-15),
é santificado quando é usado para libertar e não para oprimir!
2.
Vinda do Reino: O único Dono e
Rei da vida humana é Deus (Is 45,21; 46,9). O Reino é a realização de todas as
esperanças e promessas. Vida Plena e abundante, superando as frustrações sofridas
com os reis e governos!
3.
Fazer a Vontade: Assim na terra
como no céu. No céu as estrelas obedecem e criam a ordem do universo. Assim, a
observância da Lei Deus será fonte de ordem e de bem-estar para a vida humana.
4.
Pão de cada dia: No deserto, o
maná de cada dia passava pela organização fraterna do povo. Jesus nos convida
para realizar um novo êxodo, uma nova maneira de convivência fraterna que
garante o pão para todos
5.
Perdão das dívidas: Cada 50 anos,
o Ano Jubilar obrigava todos a perdoar as dívidas (Lev 25,8-55). Era um novo
começo. Jesus anuncia um novo Ano Jubilar. O Evangelho quer recomeçar tudo de
novo!
6.
Não cair na Tentação: No êxodo, o
povo foi tentado e caiu. Murmurou e quis voltar atrás. No novo êxodo, a
tentação será superada pela força da fé que o povo recebe de Deus.
7.
Libertação do Maligno: O Maligno
é o Satanás. Ele afasta de Deus e é motivo de escândalo. Chegou a entrar em
Pedro (Mt 16,23) e tentou Jesus. Jesus o venceu. Ele nos diz: "Coragem! Eu
venci o mundo!" (Jo 16,33)
* Amem:
Aprova os pedidos e diz estar de acordo com este programa.
UMA NOVA COMUNIDADE
O Reino de Deus é uma nova maneira de
conviver como irmãos e irmãs
Acolhida
* Um canto inicial
* Criar um bom ambiente. Colocar o pessoal à
vontade
* Invocar a luz do Espírito Santo
1.
Abrir
os olhos para ver ao redor
A pregação de Jesus atraía muita gente (Mc 3,7-8).
Ao seu redor, começou a nascer uma pequena comunidade. Primeiro, eram duas
pessoas(Mc 1,16-18); depois, mais duas (Mc 1,19-20); depois, estes chamaram
outros duas (Jo 1,41.45); depois, aumentou para doze (Mc 3,13-19); depois, já
eram setenta e duas (Lc 10,1). A comunidade ia crescendo. Uma das coisas
Mas não era fácil viver
Como os
conflitos da sociedade se manifestam na sua comunidade? Como os movimentos
entram em sua comunidade? Como vocês fazem para superar as divergências e viver
em comunidade como irmãos e irmãs?
2.
Seguir
Jesus de perto
Preparar-nos para ouvir a Palavra de Deus
Vamos ouvir como
Jesus orientava seus discípulos para a reconstrução da Vida comunitária nos
povoados da Galiléia. Durante a leitura fiquemos com esta pergunta na cabeça: “Quais são, uma por uma, as recomendações de
Jesus para a reconstrução da vida em comunidade?”
Leitura de Lucas 10,1-9
1. Qual o
ponto que mais chamou sua atenção nestas palavras de Jesus? Por que?
2. Quais são,
uma por uma, as recomendações de Jesus para a reconstrução da vida em comunidade?
3. Como
realizar hoje as recomendações de Jesus? Ao pé da letra ou de outro jeito? Como?
4. O que deveria
ser feito para que possamos dizer hoje no Brasil: “O Reino já chegou!”?
3.
Rezar a Palavra de Deus
* Preces: Vamos
expressar em forma de prece os pedidos e os compromissos que surgiram no nosso
coração durante as reflexões deste encontro.
* Salmo: Vamos
rezar o Salmo 15(14): Quem pode ser
hóspede na comunidade de Jesus?
*
Final: Terminar com um Pai-nosso e um canto apropriado.
* Anotar o assunto e o
texto que serão meditados no próximo
encontro
* Distribuir as tarefas
* Marcar data e local do
próximo encontro
Um pensamento de ajuda
Jesus
chamou outros setenta e dois discípulos e os enviou para ir em missão nos
povoados da Galiléia (Lc 10,1-9). Recomendou que fossem dois a dois na frente
dele, e mandou que pedissem ao Pai mais operários para a colheita (Lc 10,1-2). Disse
ainda que os enviava como cordeiros no meio de lobos (Lc 10,3). Missão perigosa!
Em
seguida, deu quatro recomendações que eram como as quatro colunas básicas da vida
comunitária nos povoados da Galiléia daquele tempo:
(1)
Hospitalidade. Os discípulos e as
discípulas não podem levar nada, nem bolsa, nem sacola, nem ouro nem prata, nem
cobre, nem dinheiro, nem bastão, nem cajado, nem sandálias, nem sequer duas
túnicas (Mt 10,9-10; Mc 6,8; Lc 10,4). A única coisa que podem levar é a paz
(Lc 10,5). O missionário vai sem nada, porque deve confiar que vai ser acolhido
pelo povo. Sua atitude provoca nos outros o gesto comunitária da hospitalidade (Lc 9,4; 10,5-6).
(2)
Partilha. Não podem andar de casa em
casa, mas devem ficar hospedados na primeira casa em que forem acolhidos. Isto
é, devem conviver de maneira estável como membros da comunidade e, em troca,
receberão sustento, “pois o operário merece o seu salário” (Lc 10,7). Ou seja, devem
integrar-se na vida e no trabalho da comunidade local, no clã, e confiar na partilha.
(3)
Comunhão de mesa. Não podem levar
sua própria comida, mas devem comer o que o povo lhes oferece (Lc 10,8). Os
missionários dos outros (Mt 23,15), quando iam em missão, iam prevenidos.
Levavam sacola e dinheiro para cuidar da sua própria comida, pois não confiavam
na comida do povo que nem sempre era ritualmente “pura”. Os discípulos de Jesus
não podem ter medo de perder a pureza legal no contato com o povo. O valor
comunitário da convivência fraterna prevalece sobre a observância de normas
rituais. Devem praticar a comunhão de
mesa.
(4)
Acolhida aos excluídos. Finalmente,
como tarefa especial os discípulos devem curar os doentes, libertar os possessos,
purificar os leprosos (Lc 10,9; Mt 10,8). Isto é, devem cuidar dos excluídos,
acolhê-los para dentro da comunidade e, assim, refazer a vida comunitária.
Resumindo. Hospitalidade, Partilha,
Comunhão de mesa, Acolhida aos excluídos eram as quatro colunas que deveriam sustentar
a vida comunitária. Mas devido à situação difícil de pobreza, desemprego,
perseguição e repressão da parte dos romanos, estas colunas estavam quebradas.
Jesus quer reconstruí-las e afirma: caso estas quatro exigências forem
preenchidas, os discípulos poderão gritar aos quatro ventos: “O Reino chegou!”
(cf. Lc 10,1-12; 9,1-6; Mc 6,7-13; Mt 10,6-16). Pois o Reino não é uma
doutrina, mas sim uma nova maneira de viver e conviver, nascida da Boa Nova que
Jesus nos trouxe de que Deus é Pai e que, portanto, todos somos irmãos e irmãs,
uns dos outros.
Completando.
A base da comunidade ao redor de Jesus não é o saber nem o poder, mas sim a
igualdade de todos como irmãos e irmãs (Mt 23,8-10). Quem quiser ser o primeiro
deve ser o servidor de todos (Mc 10,44; Lc 22,25-26). Jesus deu o exemplo (Jo
13,15): “Não vim para ser servido, mas para servir e doar a vida" (Mt
20,28). A base da comunhão é econômica, o seu ideal é chegar ao ponto de não
haver mais segredo entre os membros da comunidade (Jo 15,15). Por causa dos
muitos conflitos e divisões, Jesus insiste para que a comunidade seja um lugar
de perdão e de reconciliação, e não de condenação mútua (Mt 18,21-22). Eles rezam
juntos, sofrem juntos (Lc 22,28; Mc 14,33; Mc 6,41; Lc 24,30). Juntos freqüentam
as sinagogas (Lc 4, 16) e vão em romaria ao Templo (Jo 2,13; 7,14; 10,22-23). A
comunidade ao redor de Jesus serviu de modelo para os primeiros cristãos depois
da ressurreição de Jesus (At 2,42-47)!
A
Comunidade é como o rosto de Deus, transformado
7º Círculo
UM NOV0 DISCIPULADO
Acolhida
* Um canto inicial
* Criar um bom ambiente. Colocar o pessoal à
vontade
* Invocar a luz do Espírito Santo
1.
Abrir
os olhos para ver ao redor
No tempo de Jesus, havia muitos
preconceitos contra a mulher. Ela era considerada impura (Lv 15,19-30; 12,1-8),
causadora do pecado e da morte (Eclo 25,24). Na sinagoga ela
não participava e na vida pública não podia ser testemunha. Vivia
marginalizada.
Os homens podiam mandar a mulher embora e dar-lhe a carta do divórcio (Mt 19,3;
Dt 24,1). Não passava pela cabeça deles pensar na possibilidade de a mulher
mandar o homem embora e dar-lhe divórcio. As causas que
contribuíram para esta marginalização da mulher são várias e já vinham de longe,
desde os tempos da monarquia: vontade do homem de manter o domínio sobre a
mulher; interesse do sistema monárquico em aumentar a reprodução e, assim, ter
um maior número de pessoas para trabalhar e produzir; interesse do Templo em
garantir as ofertas pelas purificações; tabus culturais relacionados com vida,
morte e sangue; mulher como objeto de prazer para o homem.
Dentro
do contexto da época, a situação da mulher no povo da Bíblia não era melhor nem
pior do que nos outros povos. Era a cultura geral. Até hoje, em muitos povos
continua esta mesma mentalidade. Mas, como hoje, também naquele tempo, sobretudo
desde o período depois do cativeiro, sempre houve reações em contrário à
marginalização da mulher, sobretudo da parte das próprias mulheres.
Qual a situação da mulher na sociedade de hoje? Quais as
conquistas? Qual a situação da mulher nas várias igrejas cristãs? Qual o lugar que
a mulher ocupa na sua comunidade?
2.
Seguir
Jesus de perto
Preparar-nos para ouvir a Palavra de Deus
Vamos ouvir
como Jesus acolheu a moça que chorou aos pés dele e o cobria com lágrimas,
beijos e perfume. Durante a leitura, fiquemos com esta pergunta na cabeça: “Quais as atitudes da moça, de Jesus e do
fariseu?”
Leitura de Lucas
1. Quais as
atitudes da moça, de Jesus e do fariseu? Compare as três atitudes.
2. Procure
colocar-se no lugar da moça e responda a esta pergunta: “A moça teria tido a
coragem de fazer o que fez se não tivesse tido a certeza absoluta de ser
acolhida por Jesus?”
3. O que
deve melhorar na igreja para que ela esteja mais de acordo com a atitude de
Jesus?
4. Na sua
comunidade já se faz alguma coisa para estar mais de acordo com Jesus neste
ponto? Conte.
3.
Rezar
a Palavra de Deus
* Preces: Vamos
expressar em forma de prece os pedidos e os compromissos que surgiram no nosso
coração durante as reflexões deste encontro.
* Salmo: Vamos
rezar um trecho do Cântico de Judite (Jdt 9,8-14): A vitória de Deus pela mão de uma mulher!
*
Final: Terminar com um Pai-nosso e um canto apropriado.
Sugestões para
preparar o próximo encontro
* Anotar o assunto e o
texto que serão meditados no próximo
encontro
* Distribuir as tarefas
* Marcar data e local do
próximo encontro
Um pensamento de ajuda:
A
resistência das mulheres contra a sua exclusão vinha crescendo na época depois
do cativeiro e encontrou expressão nos livros de Rute, Judite, Ester, Cântico
dos Cânticos, no elogio da mulher sábia (Prov 31,10-31) e em tantas outras
histórias. Esta resistência encontrou eco e acolhida
Diferentemente dos mestres
da época, Jesus chamava mulheres para segui-lo. Discípulos e discípulas,
ambos seguem Jesus em pé de igualdade (Lc 8,1-3). Das
mulheres se afirma que elas
seguem Jesus, desde a Galiléia até
Jerusalém, servem a ele com seus bens
e sobem com ele até o calvário (Mc
15,41). A expressão seguir
Jesus tem aqui o mesmo significado quando é aplicado aos homens. Depois da
ressurreição, Jesus apareceu primeiro às mulheres e deu a elas a ordem de transmitir a Boa Nova da
ressurreição aos apóstolos (Mt 28,9; Mc 16,9; Jo 20,11-18; Lc 24,1-11). Mas estes
não acreditaram. Diziam
que era “tolice” (Lc 24,11). A tradição eclesiástica posterior também
teve dificuldade em manter a mesma atitude de Jesus com relação às mulheres,
até hoje! Por
exemplo, na lista mais antiga que temos das pessoas às quais Jesus apareceu por primeiro, só aparecem nomes de homens.
Desapareceram os nomes das mulheres (cf. 1 Cor 15,2-8). Ou talvez seja o
contrário. A redação dos evangelhos é bem posterior à carta de Paulo aos
Coríntios. Por isso, pode ser que a insistência dos quatro evangelhos em lembrar
as primeiras aparições de Jesus às mulheres e não aos homens tenha sido uma
advertência aos dirigentes da igreja para não esquecer a prática de Jesus com
relação às mulheres. Mas não adiantou muito. É pena. Até hoje!
Os evangelhos conservaram
várias listas com os nomes dos doze discípulos que seguiam Jesus. Nem sempre são os mesmos nomes mas sempre são doze,
evocando as doze tribos do novo povo de Deus. Os evangelistas não chegaram a
elaborar uma lista das discípulas que seguiam Jesus, mas os seus nomes até hoje
estão espalhados pelas páginas dos evangelhos, sobretudo de Lucas, e são sete: (1) Maria Madalena (Lc 8,3; 24,10); (2) Joana, mulher de Cuza (Lc 8,3); (3) Suzana (Lc 8,3); (4) Marta (Lc 10,38); (5) Maria, sua irmã (Lc 10,39); (6) Maria, mulher de Cleofas (Jo 19,25
e Lc 24,18); (7). Maria, mãe de
Tiago (Lc 24,10). Doze é três vezes
quatro! Sete é três mais quatro!
UMA NOVA AÇÃO SOCIAL
Acolhida
* Um canto inicial
* Criar um bom ambiente. Colocar o pessoal à
vontade
* Invocar a luz do Espírito Santo
1.
Abrir
os olhos para ver ao redor
Na sociedade da Palestina no
tempo de Jesus havia muitas divisões e tendências que dificultavam a vivência
do evangelho e a formação de comunidades. Por exemplo, havia a divisão entre
judeus e pagãos. Os judeus não costumavam ter contato com os pagãos, nem podiam
entrar nas casas deles (At 10,28). Pedro entrou na casa de Cornélio, mas foi
duramente criticado pelos judeus cristãos de Jerusalém (At 11,3). Jesus foi
mais aberto neste ponto, mais ecumênico. Atendia tanto a judeus como a não
judeus: romanos (Lc 7,1-9), a mulher Cananéia (Mt 15,21-28) e a Samaritana (Jo
4,7-26). Os primeiros cristãos não conseguiram ter a mesma abertura ecumênica de
Jesus. Por exemplo, os cristãos-judeus criticavam Paulo pelo fato de ele ter aberto
as comunidades cristãs para os pagãos. Além desta divisão entre judeus e
pagãos, havia outras divisões contrárias à mensagem do evangelho. Por exemplo,
a divisão entre próximo e não próximo.
Para os doutores da lei, os “próximos” eram só os da própria raça, os outros
não (cf. Dt 15,2-3). Havia ainda a divisão entre rico e pobre, sábio e
ignorante, puro e impuro. Jesus
lutou contra todas estas divisões.
Hoje temos problemas
semelhantes. Existe a grande divisão entre rico e pobre. Existe o racismo
escondido. Existe uma certa rivalidade ou tensão entre as igrejas cristãs. Nos
últimos anos, muita gente saiu da igreja católica para ir para os crentes. As
igrejas pentecostais cresceram muito, deixando muitos católicos com dor de
cotovelo. Cresce o número dos que não vão a nenhuma igreja, e muita gente que
sai das igrejas entra em organizações que lutam pela Justiça, pela Paz e pela
ecologia ou preservação do meio ambiente. Há muitos conflitos e muito
sofrimento. A última oração de Jesus, antes de ser preso, foi uma prece
insistente pela unidade: “Para que todos sejam um e o mundo creia que tu me
enviaste!” (Jo 17,21)
Você já pensou alguma vez em sair da Igreja católica para ir
para os crentes? Por que? Como a variedade de igrejas e as divisões injustas da
sociedade se manifestam na sua comunidade? Como vocês fazem para manter a
unidade? Você faz parte de alguma organização que luta pela justiça, pela paz
ou pela ecologia?
2.
Seguir
Jesus de perto
Preparar-nos para ouvir a Palavra de Deus
Vamos ouvir
um texto, no qual aparece um conflito entre Jesus e o apóstolo João a propósito
de uma pessoa que usava o nome de Jesus para expulsar os demônios, mas que não
pertencia ao grupo de Jesus. Durante a leitura, fiquemos com esta pergunta na
cabeça: Qual a diferença entre a atitude
de João e a de Jesus?
Leitura do Lucas 9,49-50
1. O que mais
chama a sua atenção neste episódio? Por que?
2. Qual a
diferença entre a atitude de João e a de Jesus?
3. Por que
será que João proibiu aos outros o uso do nome de Jesus? Você faria o mesmo?
Por que sim? Por que não?
4. Que conseqüências
concretas podemos tirar hoje da resposta de Jesus: “Quem não é contra vocês é a
favor”?
3.
Rezar a Palavra de Deus
* Preces: Vamos
expressar em forma de prece os pedidos e os compromissos que surgiram no nosso
coração durante as reflexões deste encontro.
* Salmo: Vamos
rezar o Salmo 150: Louvor universal ecumênico
*
Final: Terminar com um Pai-nosso e um canto apropriado.
Sugestões para preparar o
próximo encontro
* Anotar o assunto e o
texto que serão meditados no próximo
encontro
* Distribuir as tarefas
* Marcar data e local do
próximo encontro
Um pensamento de ajuda:
Às vezes, se ouve dizer que
a fé em Deus não tem nada a ver com política. Mas se, como Jesus, acreditamos
que Deus é Pai ou Mãe de todos os seres humanos, então esta fé terá
necessariamente um reflexo social e nos obrigará a promover o ecumenismo e a
lutar pela justiça, pela paz e pela ecologia. Enfim, pela vida, para que seja
vida em abundância (cf. Jo 10,10).
Certa vez, João proibiu
alguém de usar o nome de Jesus para expulsar demônios. O motivo da proibição: o
homem não fazia parte do grupo dos discípulos de Jesus. Jesus corrigiu a
atitude de João e disse: “Não deve proibir, porque quem não é contra é a favor”
(Lc 9,50). Para Jesus, o que importa em primeiro
lugar não é se a pessoa pertence à comunidade cristã, mas sim se ela realiza o
bem que a comunidade deve realizar. A comunidade, a Igreja, não tem o monopólio
de Jesus. Jesus não pertence a nós católicos, nem a nós cristãos, mas nós
cristãos pertencemos a ele. Em vez de brigar entre nós para saber quem é o
melhor cristão, é melhor fazer o que Jesus pediu a João: não querer impedir as
pessoas de fazer o bem em nome de Jesus, mas colaborar com todos que procuram
libertar os outros do poder do mal e defender a vida por todos os meios. Este
deve ser o fundamento do ecumenismo, a motivação mais profunda da luta pela
justiça, pela paz e pela ecologia.
Naquele tempo, havia
divisões na sociedade, legitimadas pela religião oficial, que marginalizavam
muita gente. Jesus, com palavras e gestos bem concretos, ignorou estas divisões
e as denunciou com força: Próximo e
não-próximo: Para Jesus, “próximo” é todo aquele de quem você se aproxima,
independentemente de raça, sexo, religião, cor ou partido político (Lc
10,29-37). Judeu e estrangeiro. Jesus
ignorou esta divisão, pois atendeu aos pedidos do centurião (Lc 7,6-10) e da
Cananéia (Mt 15,21-28). Santo e pecador.
Jesus acolheu Zaqueu, rebateu as críticas (Lc 19,1-10) e chegou a fazer uma
refeição de confraternização com os pecadores (Mc 2,15-17). Disse que
prostitutas e publicanos vão entrar no Reino antes dos doutores e fariseus (Mt
21,31). Puro e impuro. Jesus questionou e criticou as muitas leis da
pureza legal (Mt 23,23-24; Mc 7, 8-23) e declarou puros todos os alimentos (Mc
7,19).
Entre os outros males
combatidos por Jesus estavam as falsas lideranças. Jesus percebeu a mentalidade
opressora das autoridades da época e a denunciou. Não teve medo de denunciar a
hipocrisia de muitos líderes religiosos da época: sacerdotes, escribas e
fariseus (Mt 23,1-36; Lc 11,37-52; 12,1; Mc 11,15-18). Condenou a pretensão dos
ricos (Lc 6,24; 12,13-21; Mt 6,24; Mc 10,25). Não acreditava muito na sua
conversão (Lc 16,29-31), embora admitisse que fosse possível pelo poder de Deus
(Mt 19,26). Diante das ameaças do poder político, tanto dos judeus como dos
romanos, Jesus não se intimidava. Mantinha uma atitude de grande liberdade (Lc
13,32;23,9; Jo 19,11;18, 23). Por meio destes gestos de denúncia, Jesus fazia
estremecer as pilastras da religião oficial, incomodava os que estavam bem
instalados, e atraía sobre si o ódio dos líderes religiosos da época. Bastaram
três anos e ele foi acusado, preso, condenado e morto na cruz. Mas Deus o
ressuscitou, confirmando assim que o caminho de Jesus era o caminho do agrado
do Pai.
9º Círculo
A MISSÃO DA IGREJA É UMA SÓ
UMA NOVA PRESENÇA DE DEUS NO MUNDO
Acolhida
* Um canto inicial
* Criar um bom ambiente. Colocar o pessoal à
vontade
* Invocar a luz do Espírito Santo
1.
Abrir
os olhos para ver ao redor
Estamos a caminho da V
Conferência dos bispos da igreja católica da América Latina a ser realizada no
Brasil em Aparecida do Norte no mês de maio de 2007. Será um momento muito
importante na caminhada da nossa Igreja. É também um momento importante,
oferecido por Deus, para a gente parar e pensar no significado da Igreja para a
nossa vida. Pois, às vezes, nós nos acostumamos tanto com uma determinada
maneira de ver as coisas que estranhamos quando alguém delas fala de um jeito
diferente.
Para muitos, “falou igreja,
pensou em padre”. Outros pensam no prédio ou na torre da Igreja. Outros, pensam
no dever de ir à missa no domingo. Outros, no medo de fazer pecado. Outros, na
coleta e no dízimo. Outros, na comunidade da qual participam. Outros, nos
sacramentos do batismo ou do casamento. Outros ficam com saudade lembrando os
tempos de criança quando fizeram a primeira comunhão ou participavam das
procissões nas grandes festas. Outros criticam porque saíram da Igreja católica
e foram para os crentes.
Para você, quando ouve falar
Igreja, em que você
pensa? Qual a idéia que vem na sua cabeça? O que o povo pobre espera da Igreja?
E para você, o que é a Igreja?
2.
Seguir
Jesus de perto
Preparar-nos para ouvir a Palavra de Deus
Vamos ouvir
a resposta que Pedro e João, os representantes da Igreja, deram ao pobre que
deles esperava dinheiro. Durante a leitura, fiquemos com esta pergunta na
cabeça: “Qual a missão da Igreja?”
Leitura de Atos 3,1-10
* Momento de silêncio para a Palavra poder
calar na nossa vida
1. O que mais
chamou sua atenção neste texto? Por que?
2. O que o
pobre esperava e o que ele recebeu? Será que ficou satisfeito?
3. Olhando a
resposta de Pedro e João, qual é a missão da Igreja?
4. Que
resposta você daria hoje a um pobre que espera receber dinheiro de você?
3.
Rezar a Palavra de Deus
* Preces: Vamos
expressar em forma de prece os pedidos e os compromissos que surgiram no nosso
coração durante as reflexões deste encontro.
* Salmo: Vamos
rezar o Salmo 24(23): Senhor, quem
entrará no santuário pra te louvar?
*
Final: Terminar com um Pai-nosso e um canto apropriado.
* Anotar o assunto e o
texto que serão meditados no próximo
encontro
* Distribuir as tarefas
* Marcar data e local do
próximo encontro
Um pensamento de ajuda:
A esmola de Pedro e João. Os dois apóstolos, como de costume, sobem ao
Templo para a oração da tarde. Um aleijado era trazido e colocado no templo todos os dias para pedir esmola. Sinal
de muita solidariedade! Hoje nas cidades grandes o número de mendigos aumenta.
Muita gente acaba vivendo na rua sem ter onde morar. Nas portas das igrejas e
dos santuários se aglomeram os pobres e os aleijados para pedir esmola. A
presença deles incomoda a consciência de todos que ainda têm um restinho de
sentimento de justiça e de fraternidade. "Diante de toda essa pobreza, eu
sinto na carne que o problema do Brasil é maior do que o conteúdo da minha
carteira!", dizia um membro da comunidade. Mas também hoje, como no tempo
de Jesus, existem muitos sinais de solidariedade e iniciativas de ajuda.
Vendo Pedro e João, o
aleijado pede uma esmola. Pedro fixa os olhos nele e diz: Olhe para nós! Dois olhares!
O olhar de Pedro e João para o aleijado, e o olhar do aleijado para Pedro e
João. O olhar dos apóstolos deve ter sido o mesmo olhar benevolente com que
Jesus acolhia os pobres e os ajudava. O olhar do aleijado deve ter sido o olhar
de esperança de quem nada tem e espera tudo receber da bondade dos outros. Os
apóstolos são pobres. Como Jesus, eles não têm dinheiro. Qual vai ser a esmola
de Pedro e João? Pedro diz: Ouro e prata
não tenho, mas o que tenho te dou. Em Nome de Jesus Cristo, levanta-te e anda! Pedro
puxou o aleijado pela mão e, no mesmo instante, o homem se levantou e começou a
andar. Estava curado! Esta foi a esmola de Pedro! Pulando e dançando de
alegria, o aleijado entrou com eles no Templo, louvando a Deus. Ele era uma
prova viva de que Jesus continuava atuando através da Igreja!
Diante da pobreza do
Brasil, o que temos para dar a quem nos pede? Hoje, muita gente pobre pula e
dança de alegria porque alguém parou diante deles e lhes disse: Ouro e prata não tenho, mas o que tenho te
dou. Em Nome de Jesus Cristo, levanta-te e anda! Reencontraram o sentido da
vida e redescobriram a sua dignidade. Como diz o canto: De repente, nossa vista clareou, clareou. E descobrimos que o pobre tem
valor, tem valor! Como o aleijado
curado, eles também são uma prova viva de que Jesus continua atuando através da
comunidade, até hoje!
A missão da comunidade é
prolongar a prática salvadora de Jesus de Nazaré. Como faziam Pedro e João, tudo
deve ser feito através da invocação de nome de Jesus (At 4,7-12; 16,18). Na
tradição judaica, invocar o nome de alguém era o mesmo que manifestar a
presença da própria pessoa. O nome “Jesus” significa “Javé é a salvação”.
Invocar o nome de Jesus é o mesmo que invocar a salvação que vem de Deus. Como
hoje, já naquele tempo, alguns pregadores abusavam do nome de Jesus (At
8,18-20). Usavam em proveito próprio o que era um dom da comunidade (cf. At
19,13-15). O texto de Atos lembra que quando alguém usa o nome de Jesus para
seus próprio projetos sem ter fé no mesmo Jesus, tal prática não produz nenhum
efeito (At 19,16). De nada vale invocar o nome de Jesus se não nos deixamos
guiar pelo seus ensinamentos e pela sua prática.
A Igreja é o povo que Deus
convocou para realizar a missão de ser sinal, sacramento, da presença dele neste
mundo. É Deus quem nos convoca, o Deus que Jesus nos revelou. Jesus dizia:
“Quem vê a mim vê o Pai!” Quem vê a igreja, a comunidade, deve poder ver em nós
um reflexo de Jesus. A missão da Igreja é uma só: continuar a obra de Jesus de
Nazaré e, assim, ser uma presença de Deus no mundo. É o que ensina o texto
que meditamos.
10º Círculo
O PROJETO QUE ANIMA TUDO
UMA NOVA UTOPIA
Acolhida
* Um canto inicial
* Criar um bom ambiente. Colocar o pessoal à
vontade
* Invocar a luz do Espírito Santo
1.
Abrir
os olhos para ver ao redor
Estamos
na véspera da V Conferência dos bispos católicos da América Latina. Na II
Conferência, realizada em 1968 na cidade de Medellín na Colômbia. foi grande a
animação. O contexto do mundo era marcado pelo vento renovador do Concílio
Vaticano II, pela revolução mundial da juventude, pelo ambiente da guerra fria,
pelas ditaduras na América Latina. Naquele tempo, as palavras dos bispos tinham
peso, alcançavam os meios de comunicação e despertaram um movimento popular
muito importante para a história dos nossos povos. A conferência de Medellín
foi a releitura latino-americana das diretrizes do Vaticano II e fonte
animadora das Comunidades Eclesiais de Base. Os bispos confirmaram e irradiaram
a teologia da libertação. A III Conferência realizada em Puebla foi a
confirmação e o aprofundamento da caminhada. Foi uma época bonita e promissora.
Profética! Estas duas reuniões dos bispos foram muito importantes. Elas
elaboraram um projeto comum para a Igreja Católica na América Latina e, assim,
contribuíram para o crescimento e a divulgação do Evangelho de Jesus neste nosso
Continente. Pois sem projeto, a gente se perde.
Espera-se
que a V Conferência recupere o Projeto de Medellín, Puebla e Santo Domingo, que
é o Projeto do Concílio Vaticano II, e que retome a caminhada com as
características de sempre: Leitura orante da Palavra de Deus, Comunidades
Eclesiais de Base, Protagonismo dos leigos, Opção pelos pobres, pelos jovens,
pela comunhão e participação, pela defesa da dignidade da pessoa humana, pela
inculturação; Ministérios não ordenados, Valorização da mulher, Pastorais
sociais. Espera-se que a V Conferência se preocupe com os grandes desafios de
hoje: Justiça e Paz, Ecologia, Globalização, Evangelização da cultura moderna e
pós-moderna, Meios de comunicação, Diálogo ecumênico e inter-religioso.
De que Conferências anteriores você
se lembra? Que repercussões tiveram em sua vida? O que você soube a respeito da
V Conferência a ser realizada em Aparecida do Norte em maio de 2007? O que você
espera de novidade?
2.
Seguir
Jesus de perto
Preparar-nos para ouvir a Palavra de Deus
Vamos ouvir
o projeto que Jesus coloca diante de nós na abertura do Sermão da Montanha. São
as Oito Bem-aventuranças que formam também a abertura do texto preparatório da
V Conferência dos bispos. Durante a leitura, fiquemos com esta pergunta na
cabeça: “Qual é a grande proposta de
Jesus?”
Leitura de Mateus 5,1-10
1. Qual o
ponto que mais chamou sua atenção nestas palavras de Jesus? Por que?
2. Quais as
categorias de pessoas que Jesus proclama felizes?
Que tipo de felicidade é esta?
3. Qual das
oito bem-aventuranças você acha a mais difícil de ser observada? Por que?
4. Qual é a
grande proposta de Jesus?
3.
Rezar a Palavra de Deus
* Preces: Vamos
expressar em forma de prece os pedidos e os compromissos que surgiram no nosso
coração durante as reflexões deste encontro.
* Salmo: Vamos
rezar o Cântico de Maria: Lucas 1,46-55
*
Final: Terminar com um Pai-nosso e um canto apropriado.
* Anotar o assunto e o
texto que serão meditados no próximo
encontro
* Distribuir as tarefas
* Marcar data e local do
próximo encontro
Um pensamento de ajuda
As
oito Bem-aventuranças são a fonte de inspiração que animava o projeto
comunitário dos primeiros cristãos. Elas ofereciam um modelo para que as
Comunidades pudessem ser para o povo uma amostra do Reino de Deus. Elas
continuam sendo a fonte que anima o projeto da V Conferência dos bispos da
América Latina.
As oito bem-aventuranças
indicam oito categorias de pessoas: pobres, mansos, aflitos, os que têm fome e
sede de justiça, os misericordiosos, os de coração limpo, os que promovem a
paz, os perseguidos por causa da justiça. São como oito portas de entrada para
o Reino, para a Comunidade. Não há outras entradas! Quem quiser entrar no Reino
terá que identificar-se com ao menos uma destas oito categorias. Eis
o esquema:
FELIZES:
1. os pobres em espírito 1 deles é o Reino dos Céus
2.
os mansos 2 herdarão a terra
3. os aflitos 3 serão consolados
4. fome e sede de justiça 4 serão saciados
5.
os misericordiosos 5 obterão misericórdia
6.
os de coração
limpo 6 verão a Deus
7.
os promotores
da paz 7 serão filhos de Deus
8. os perseguidos por causa da justiça 8 deles é o Reino dos Céus
A primeira categoria
(pobres) e a última categoria (perseguidos) recebem a mesma promessa: o Reino dos Céus. E a recebem desde agora,
pois Jesus diz “deles é o Reino!” O Reino já está
presente no meio deles. E é importante notar que Jesus não diz “Felizes os
cristãos pobres em espírito” nem diz “Felizes os cristãos perseguidos por causa
da justiça”, mas diz simplesmente: “Felizes os pobres em espírito” e “Felizes os
perseguidos por causa da justiça”, independentemente do fato de eles serem
cristãos ou não! Isto significa que hoje o Reino está presente em muitos
lugares, pois o que mais se produz hoje em dia é pobreza, e o que mais acontece
neste mundo dominado pelo sistema neoliberal é a perseguição de pessoas que
lutam por um mundo mais justo e que acreditam que um outro mundo é possível”
Entre a a primeira categorias
(pobres) e a última (perseguidos), há três duplas, que recebem uma promessa no
futuro:
2 e 3:
Mansos e Aflitos. Estas duas categorias dizem respeito ao nosso relacionamento
com os bens materiais. Os mansos receberão a terra e os aflitos
receberão consolo. Para os mansos que herdarão a terra veja o Salmo 37,7.10.11.22.29.34.
Para os aflitos veja Ezequiel 9,4.
4 e 5: Fome e sede de justiça e Misericordiosos. Estas duas categorias
dizem respeito ao nosso relacionamento com as pessoas na comunidade:
justiça e solidariedade. Misericordioso é aquele e aquela que tem o seu coração
na miséria dos outros.
6 e 7:
Coração limpo e Promotores da paz. Estas duas categorias dizem respeito ao nosso relacionamento
com Deus:
ver a Deus e ser chamado filho ou filha de Deus.
Assim, o Projeto do Reino,
apresentado por Jesus nas bem-aventuranças, quer reconstruir a vida na sua
totalidade: no seu relacionamento com os bens
materiais, com as pessoas, com Deus. A comunidade
cristã deve ser um ensaio e uma amostra deste Reino!
Este projeto já estava
sendo assumido pelos pobres e estes, por causa disso, estavam sendo
perseguidos. Jesus reconhecia a riqueza e o valor dos pobres (Mt 11,25-26). Ele
definiu sua própria missão como “anunciar a Boa Nova aos pobres” (Lc 4,18). Ele
mesmo vivia como pobre. Não possuía nada para si, nem mesmo uma pedra para
reclinar a cabeça (Mt 8,18). E a quem queria segui-lo ele mandava escolher: ou
Deus, ou o dinheiro! (Mt 6,24).
Pobre em Espírito é o pobre que tem este mesmo espírito de Jesus! Não é o
rico. Nem é o pobre com cabeça de rico. Mas é o pobre que diz “Eu acredito que
o mundo será melhor quando o menor que padece acreditar no menor”!
O
evangelho diz exatamente o contrário do que diz a sociedade em que vivemos. Na
sociedade, o pobre é visto como um infeliz, e feliz é quem tem dinheiro e pode
ir no supermercado e gastar à vontade. Feliz é quem tem fama e poder. Os
infelizes são os pobres, os que choram! Na televisão, as novelas divulgam este
mito da pessoa feliz e realizada. E sem a gente se dar conta, as novelas acabam
se tornando o padrão de vida para muitos de nós. Será que na nossa sociedade
ainda há lugar para estas palavras de Jesus: “Felizes os pobres! Felizes os que
choram!”? E para mim, que sou cristão ou
cristã, onde está realmente a minha felicidade?
ORAÇÃO DO PAPA BENTO XVI PARA A V
CONFERÊNCIADO CELAM
Senhor
Jesus Cristo,
Caminho, Verdade e Vida,
Rosto humano de Deus
E rosto divino do ser humano,
Acendei em nossos corações
O amor ao Pai que está no céu
E a alegria de sermos cristãos
Vinde ao nosso encontro
E guiai nossos passos
Para seguir-vos e amar-vos
Na comunhão de vossa Igreja
Celebrando e vivendo
O dom da Eucaristia,
Carregando nossa cruz,
E ungidos para vosso envio.
Dai-nos sempre o fogo
De vosso santo Espírito,
Que ilumine nossas mentes
E desperte em nós
O desejo de contemplar-vos,
O amor aos irmãos,
Sobretudo aos aflitos,
E o ardor por anunciar-vos
No início deste século.
Discípulos e missionários vossos,
Queremos remar mar adentro,
Para que nossos povos
Tenham em Vós vida abundante,
E com solidariedade construam
A fraternidade e a paz.
Senhor Jesus, vinde e enviai-nos!
Maria, Mãe da Igreja,
Rogai por nós.
Amém!