O VARAL DA VIDA

Recuperar o sentido das coisas

Uma chave de leitura para o livro do Eclesiastes

Carlos Mesters e Francisco Orofino

 

 

“A coisa mais divina

 que há no mundo

é viver cada segundo,

como nunca mais.”

Vinicius de Morais

Um primeiro contato

O livro chamado Qohelet ou Eclesiastes desconserta a gente. Ele questiona tudo. Diz que tudo nesta vida é como coisa que não vale nada. Para ele, tudo passa, nada tem consistência. Se você for enumerar as coisas que ele questiona, vai sobrar pouco. Sobra nada, quase nada! O estribilho que ele repete, do começo ao fim é este: “Tudo é vaidade! Miragem! Corrida atrás do vento! Ilusão! Tudo passa!”

Até parece que o autor faz questão de provocar a gente. Lendo uma ou duas vezes o livrinho dele    (é curto; só tem onze breves capítulos)  -  você tem a sensação de que ele está querendo dar um recado para muita gente: gente que se esforça para acumular riqueza (Qo 2,8; 5,10); gente que quer ser justo (Qo 3,16-17; 7,16); gente que trabalha a vida inteira para garantir um dinheirinho para os filhos (Qo 2,18.21); gente que quer ensinar os outros e não pára de estudar para adquirir a sabedoria (Qo 1,16); gente que faz parte do governo ou quer dar uma ajuda na coordenação da comunidade (Qo 4,13-16); gente que busca prazer e alegria (Qo 2,1); e assim por diante! Uma depois da outra, sem piedade nenhuma, todas estas e tantas outras atividades são criticadas ou relativizadas.

Lendo e percebendo o que ele escreve, qualquer um de nós se sente atingido pelo jeito de ele dizer as coisas, e de dentro da gente vem a seguinte reação: “Esse fulano está mexendo comigo, com minha vida! Por que será que ele critica essas atividades tão boas e honestas que todos nós, de uma ou de outra maneira, praticamos?” De fato, ele diz coisas que todos já experimentamos alguma vez na vida, mas que não tivemos a coragem de expressar ou, talvez, nem nos passou pela cabeça a idéia de pensar como ele pensa.

A gente pode até não concordar com as idéias dele e achar que ele exagera, mas em muitos dos assuntos que ele aborda, a gente é levada a concordar e dizer: “É mesmo!” É porque ele tem um jeito de argumentar que provoca. Dá vontade de conversar com ele e de questiona-lo: “Você tem razão, fulano! Mas tem que ter alguma coisa na vida pela qual vale a pena viver. Pois se nada tem valor, o que me adianta estar vivo e me esforçar por alguma coisa!?”

Ora, é exatamente esta a reação que ele quer provocar em nós. Ele não pede para você concordar com ele. Pede apenas para você parar prá pensar no sentido da sua vida. Ele quer levar a gente a pensar diferente; a ver e viver a vida de outro jeito. Às vezes, ele até  parece exagerar de propósito, pois chega a dizer coisas que, provavelmente, nem ele mesmo aceita, e a fazer afirma­ções só para provocar a gente e levar-nos a pensar o contrário daquilo que ele afirma. Por exemplo, aquilo que ele afirma sobre a mulher (Qo 7,26-29). Ninguém concordaria com ele neste ponto, nem ele mesmo!

Esta maneira de se comunicar provocando e cutucando os outros era o jeito próprio dos sábios daquela época. Fazia parte do método de ensino deles. Não davam tudo pronto, trocado em miúdo, mas levavam as pessoas a participar no processo da descoberta da verdade. O método de ensino deles fazia com que os discípulos descobrissem, eles mesmos, as coisas. Os sábios não impunham verdades, mas apontavam caminhos, abriam horizontes, mostrando que um outro mundo só é possível através da participação de todos.

Qohelet usa este método dos sábios. De um lado, ele vai tirando as aparências, as fachadas da moda, revelando a vaidade e a ilusão das coisas que tanto nos preocupam: segurança, dinheiro, carro, casa, sabedoria, poder, saúde, prazer, moda, estética, dieta, tecnologia, aeróbica, tudo. Por isso, ele repete, sem cessar, o estribilho: Tudo passa! Tudo é vaidade e ilusão! Nada tem valor  De outro lado, ao longo dos capítulos, um outro estribilho começa a ressoar baixinho pelo livro: Preste atenção! Algo tem valor! Tente descobri-lo!. Meio vago no início, este segundo estribilho vai aumentando em volume na medida em que se chega ao fim do livro, sugerindo que nem tudo é vaidade! Existe algo que permanece e que pode dar sentido a todo o resto. Deste modo, como bom sábio, Qohelet nos provoca e cutuca, e nos coloca no caminho da busca. A gente só tem a agradecer o esforço que ele fez.

 

O Livro

O livro dele parece um longo varal de um fio só. É o fio da vida, suspenso em sete postes bem altos. O gancho inicial, onde o começo do fio está amarrado ou sai da parede do nosso passado, vêm da experiência que lhe dizia: “Tudo é miragem! Tudo passa!” (cf. Qo 1,2)

Em seguida, lendo e percorrendo as páginas, você vai entrando pelo livro adentro, e Qohelet o leva pelas ruas e bairros da vida. Você vai com ele, puxando consigo o fio da sua vida, observando e comparando as coisas que ele aponta.

Ao longo desta caminhada, cansativa e repetitiva, ele faz sete pequenas paradas. Coloca sete postes para você sustentar o fio da sua vida. É para evitar que o fio toque o chão, provoque um curto-circuito e jogue você no desânimo. Nestas sete paradas ou sete frases, ele vai sugerindo que nem tudo é vaidade. Nem tudo é miragem ou corrida atrás do vento. Dentro da fugacidade inevitável da nossa existência existe algo que permanece, que vale a pena. Algo que a gente deve aproveitar e aprofundar, para que a vida tenha um sentido; para que, apesar de todos os contratempos, frustrações e decepções, encontremos uma luz que nos anime a continuar na luta

O desenho dá uma idéia do livro de Qohelet. Ele mostra os dois ganchos, o inicial e o final, os sete postes e o fio do varal cheio da roupa lavada das coisas da vida:

 

Caixa de texto:

O livro do Qohelet é como um rio. Percorrendo o rio de barco, você não percebe divisões dentro da água. Rio não tem divisão. É um fluxo só, do começo ao fim. As divisões, você as marca a partir da margem. Por exemplo: “O trecho que vai desde aquela casa na curva até à palmeira na outra curva”. Mas dentro da água você não percebe divisão nenhuma. Assim é o livro de Qohelet. Flui como um rio. Tem curvas e trechos retos, alguns mais longos, outros mais curtos. Por isso, as suas divisões não são muito precisas. Você as marca subindo nos sete postes fincados na margem que lhe permitem observar o fluxo do rio como que de fora e perceber de onde vem e para onde vai.

No fim do livro, no gancho do lado oposto, onde você amarra o outro lado do fio da sua vida na parede da eternidade, ele repete e completa a mensagem: “Ó suprema fugacidade! Tudo passa!” (Qo 12,8). Sim, tudo é ilusão e miragem! Tudo passa, pois a sua vida já passou! Mas olhando para trás e meditando tudo o que ele escreveu, você vai perceber que algo permanece dando sentido a todo o resto da sua vida!

 

O Autor ou a Autora

A pessoa que escreveu o livro apresenta-se a si mesma como Qohelet (Qo 1,12; cf 1,1.2; 7,27; 12,8.9.10). Outros chamam o livro de Eclesiastes. Qohelet é uma palavra hebraica. Vem de Qahal, que significa Comunidade. Eclesiastes é uma palavra grega. Vem de Ecclesia, que também significa Comunidade. Qohelet ou Eclesiastes deve ter sido uma pessoa que falava na comunidade, ou melhor, alguém que expressava os anseios da comunidade. Porta-voz daquilo que a comunidade sentia e vivia! Provavelmente, se trata de uma pessoa que participava das reuniões dos sábios, nas quais, à luz da fé, se discutiam a situação do povo e os problemas da vida da comunidade.

Qohelet se apresenta como filho de Davi (Qo 1,1). Ou seja, a pessoa que escreve esconde-se atrás da figura de Salomão, filho de Davi, rei em Jerusalém (Qo 1,12.16), que ficou conhecido na história como rei muito sábio (1Rs 5,9-14). Na realidade, o livro não foi escrito pelo rei Salomão do século IX antes de Cristo, mas sim, como veremos, por alguém que viveu bem depois, no século III antes de Cristo. É possível que tenha sido uma mulher, pois a forma gramatical da palavra Qohelet é feminina. Talvez tenha sido uma mãe de família, mulher sábia e sensata, pé no chão, que observava as coisas da vida e sempre encontrava uma saída para os impasses do dia-a-dia (cf 2Sam 20,16). O livro dos Provérbios faz o elogio da mulher sábia e previdente (Prov 31,10-31) e afirma: “Muitas mulheres são fortes, mas você superou a todas elas. A graça é enganadora e a beleza é passageira, mas a mulher que teme a Javé merece louvor. Cantem o sucesso do trabalho dela, e que suas obras a louvem na praça da cidade!” (Prov 31,29-30) Por isso mesmo, muitas vezes, nos livros sapienciais a sabedoria aparece personificada como mulher (Prov 8,22-31).

Percorrendo o conteúdo do livro, a gente percebe que Qohelet era uma pessoa que procurava estar por dentro daquilo que se passava no país e no mundo e, ao mesmo tempo, vivia bem integrada na família, junto com o pessoal da comunidade. Tinha um sentimento forte de responsabilidade pela casa. No seu livro, ele tenta transmitir uma espiritualidade caseira. Era uma pessoa conservadora no sentido positivo da palavra, pois procurava conservar as tradições que tinha recebido dos antepassados e que davam ao povo consciência de identidade, de pertença. Se fosse hoje, Qohelet seria coordenador ou coordenadora de uma comunidade. Estaria por dentro da situação do povo e acompanharia os acontecimentos da política, da igreja e da situação social e econômica do país. Qohelet observava como muitos viviam lutando, se esforçando mas, no fim, acabavam insatisfeitos e frustrados. Pois, apesar de todas as atividades tão boas, estas pessoas não souberam conviver nem criar relações duradouras, não souberam ser humanas. Algo lhes faltava. Esqueceram a base, a raiz, a comunidade, a família, ou, como diziam naquele tempo: “Esqueceram a mãe!” Naquele tempo, quem formava as pessoas para a vida era a mãe em casa. Elogiar a educação de uma pessoa era elogiar a mãe. É o que transparece, por exemplo, na exclamação daquela senhora ao ouvir Jesus: “Feliz o seio que te trouxe e os peitos que te amamentaram!” (Lc 11,27) Elogiou a mãe! Esquecer a mãe era o mesmo que esquecer o primeiro amor, a formação inicial, o projeto original da Comunidade. Como acusava Oséias, isso era o mesmo que matar a mãe dentro da gente! Ele dizia isto a respeito dos sacerdotes e dos falsos profetas: “Embora ninguém o acuse, ninguém o conteste, eu levanto acusação contra você, sacerdote! Você tropeça de dia, o profeta tropeça com você de noite e você matou sua própria mãe!” (Os 4,4-5). Qohelet tinha razão em dizer que a vida de uma pessoa assim era vaidade! Miragem! Corrida atrás do vento!”

 

Os assuntos que Qohelet aborda e critica

É difícil encontrar uma ordem na seqüência dos assuntos que Qohelet pendurou no varal da vida. As coisas são enumeradas do jeito que acontecem na vida, conforme chegam na memória ou conforme a gente as encontra na rua por onde passamos. Eis um exemplo de como os assuntos aparecem em alguns capítulos. (É bom lembrar que a divisão artificial em capítulos foi feita posteriormente):

No capítulo 1, falando a partir de sua própria experiência pessoal, Qohelet afirma que não existe nada de novo debaixo do sol (Qo 1,2-11). É perder tempo querer investigar todas as coisas e correr atrás das novidades da moda (Qo 1,12-15) e não vale a pena esforçar-se para adquirir a sabedoria (Qo 1,16-18).

No capítulo 2, continuando a falar a partir da sua experiência pessoal como rei em Jerusalém (Qo 2,7), ele afirma que buscar alegria e prazer (Qo 2,1-2), entregar-se à bebida (Qo 2,3), realizar grandes obras (Qo 2,4-6), acumular riquezas com a ajuda de muitos escravos (Qo 2,7-8ª), ter muitas mulheres (Qo 2,8b), ter muito poder (Qo 2,9), satisfazer todos os desejos (Qo 2,10), tudo isso não lhe trouxe nenhum benefício (Qo 2,11), pois ele não sabe quem vem depois dele para tomar conta de tudo e dar continuidade (Qo 2,12-16). E ele se pergunta se ainda tem sentido trabalhar tanto para nada (Qo 2,17-23).

No capítulo 3, ele observa que tudo tem o seu tempo: o bem e o mal, a paz e a guerra, viver e morrer, etc, e que não há jeito de alguém mudar esta ordem (Qo 3,1-8), pois ela vem de Deus (Qo 3,9-15). Qohelet se pergunta se há vantagem em a gente ser gente. Ele não vê muita diferença entre o ser humano e o animal (Qo 3,16-21).

No capítulo 4, ele aborda os problemas da opressão e do choro dos pobres e oprimidos (Qo 4,1-3), da competição e da concorrência (Qo 4,4-6), do trabalho exagerado de gente que vive sozinho sem ajuda de ninguém (Qo 4,7-12), do rei velho que não aceita conselho e do jovem sábio que não é aceito pelo povo (Qo 4,13-16). No fim, ele fala das promessas que as pessoas fazem a Deus (Qo 4,17).

No capítulo 5, ele continua falando da seriedade das promessas feitas a Deus. É melhor não fazer nenhuma promessa do que fazer promessa e não cumpri-la (Qo 5,1-7). Em seguida, começa a falar da opressão e da riqueza que traz tanta preocupação (Qo 5,9-11) e da riqueza que se perde em maus negócios (Qo 5,12-16). 

.....  e assim ele continua até o fim do livro....

Todas estas e muitas outras coisas e atividades são enumeradas sem ordem, como roupa no varal, alternadas com o mesmo estribilho que se repete, usando palavras diferentes, mas sempre com o mesmo sentido, sem parar: “Tudo é vaidade e miragem! Tudo é ilusão sem sentido, corrida atrás do vento! Tudo na vida é fugaz. Tudo passa!”. (Qo 1,2.14.17; 2,1.11.15.17.19.21.23.26; 3,19; 4,4.8.16; 5,9.15.19; 6,2.9.12; 7,6.15; 8,10.14; 9,9; 11,8.10; 12,8). Na ponta do lápis: 29 vezes! É muito!

 

Os sete postes que sustentam o fio do varal da vida

Toda esta fugacidade da vida humana é observada por Qohelet a partir de sete postes que sustentam o fio do varal da vida. Os postes são frases, nas quais descreve aquilo que, para ele, tem consistência e valor. Como se quisesse sugerir: “Olhe bem! Nesta vida nem tudo é vaidade e corrida atrás do vento! Há alguma coisa que não passa, que não é vaidade, algo que tem valor e que nos pode ajudar a experimentar a eternidade no meio desta vida tão passageira!”.

Eis os sete postes, as sete frases que sustentam o fio da vida, pendurado entre o gancho inicial e o gancho final. Enquanto você for lendo estas frases, tente fazer uma síntese ou um resumo dos assuntos que nelas são abordados:

 

1º Poste: 2,24-25:

Vejam: a felicidade do ser humano está em comer e beber, desfrutando o produto do seu trabalho. Contudo, percebo que isso vem das mãos de Deus. De fato, quem pode comer e beber, sem que isso lhe venha da mão de Deus? A quem lhe agrada, Deus concede sabedoria, conhecimento e alegria.

2º Poste: 3,12-15:

Compreendi que não existe para o ser humano nada melhor do que se alegrar e agir bem durante a vida. E compreendi também que é dom de Deus que o homem possa comer e beber, desfrutando do produto de todo o seu trabalho. Compreendi que tudo o que Deus fez dura para sempre. A isso nada se pode acrescentar, e disso nada se pode tirar. Deus fez assim para que os homens tenham temor de Deus. O que existe, já havia existido; o que existirá, também já existiu. Deus recupera o que passou  (outra tradução: “Deus busca aquilo que foge”.)

3º Poste: 3,22:

Percebo que não há nada melhor para o ser humano do que se alegrar com o trabalho que faz aqui e agora. Esta é a porção que lhe cabe. Pois, ninguém lhe fará ver o que acontecerá depois dele. 

4º Poste: 5,17-19:

Concluí que a felicidade do ser humano consiste em comer e beber, usufruindo o bem de todo o seu trabalho, com que se afadigou debaixo do sol, durante os poucos dias da vida que Deus lhe concede; porque esta é a sua porção. Todo ser humano que recebe de Deus riquezas e bens para que possa sustentar-se, ter a sua porção e gozar do seu trabalho, deve considerá-lo como dom de Deus. Desse modo, ele não se preocupará demais com sua vida fugaz, porque Deus o mantém ocupado na alegria do seu coração.

 

5º Poste: 7,13-14:

Procure compreender a obra de Deus, porque ninguém endireita o que Ele encurvou. Esteja alegre no dia feliz, e no dia da desgraça procure refletir, porque um e outro foram feitos por Deus, para que o ser humano nunca possa descobrir nada do seu próprio futuro. 

6º Poste: 8,15:

Exalto a alegria, porque não existe felicidade maior para o ser humano debaixo do sol do que comer, beber e alegrar-se. Essa é a única coisa que lhe serve de companhia na fadiga, nos dias contados da vida que Deus lhe concede debaixo do sol.

7º Poste: 9,7-10:

Portanto, vá, coma o seu pão com alegria e beba o seu vinho com satisfação, pois Deus já de antemão se agrada do trabalho que você realiza. Que suas roupas sejam alvas o tempo todo, e nunca falte perfume em sua cabeça. Goze a vida com a esposa que você ama, durante todos os dias de vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol. Essa é a porção que lhe cabe na vida e no trabalho com que você se afadiga debaixo do sol. Tudo o que você puder fazer, faça-o enquanto tiver forças, porque no mundo dos mortos, para onde você vai, não existe ação nem pensamento, nem ciência, nem sabedoria alguma.

São sete frases, quase iguais. Mudam só algumas palavras, mas o assunto é sempre o mesmo. Alegrar-se é repetido sete vezes! Desfrutar o fruto do trabalho, seis vezes! Viver com Deus,  seis vezes!. Comer e beber, cinco vezes! Eis um resumo:

Nada há melhor para o ser humano do que alegrar-se, comer e beber, desfrutar o fruto do trabalho, pois tudo isto vem da mão de Deus, nos poucos dias da vida.

Estes sete postes são como sete lâmpadas. Iluminam a vida pendurada no varal. Iluminam as frustrações, tristezas, decepções, amarguras, lágrimas, esforços, tudo aquilo que, aparentemente, não parece ter nenhum valor nem sentido. E o iluminam a partir da experiência tão caseira e tão passageira que todos fazemos, todos os dias, em casa, na família, na comunidade, no trabalho, a saber: comer, beber, amar, trabalhar honestamente, gozar do fruto do trabalho, alegrar-se e estar convencido de que Deus já nos aceitou na sua bondade. Ser feliz no dia-a-dia em casa com a família na comunidade. Para Qohelet, esta é a base. E o resto, que valor tem para ele?

Todo o resto: governo, igreja, mandamentos, religião, leis, política, riqueza, viagens, poder, obras, organização, tempo, sabedoria, estudo, livros, promessas, moda, máquinas, carro, tecnologia, armas, terra, tudo que fizermos perde o seu valor e se torna corrida atrás do vento, se não for para melhorar e reconstruir o relacionamento humano entre nós em bases de fraternidade na família, na comunidade! Para Qohelet, tudo deve estar a serviço do fortalecimento e do crescimento deste núcleo básico da vida, hoje tão ameaçado: a família, a comunidade. Só assim “um outro Mundo é possível!” Pois quem deixar de lado a preocupação com estas coisas fundamentais da vida, tudo o que ele fizer, por melhor que seja, será reboque em parede rachada, enxerto em galho morto, “miragem, engano, ilusão, corrida atrás de vento que passa”. Não consertará a vida. É neste núcleo básico da convivência humana que a pessoa se descobre como gente e que ela vai poder reencontrar-se consigo, com os outros, com Deus, com o tempo, com as coisas, com o sentido de sua vida, com o universo, e é lá que ela criará as condições favoráveis para a reconstrução da convivência humana.

 

O esquema básico do livro de Qohelet

A partir de tudo que vimos, podemos agora apresentar um esquema que serve como chave de leitura para seguir melhor o pensamento expresso no livro de Qohelet. Os sete postes que sustentam o fio do varal permitem fazer sete divisões. As peças de roupa lavada da vida estão penduradas no fio, sem muita ordem. Eis o Varal da Vida com seus dois ganchos e sete postes:

 

Qo 1,1-3:               Gancho inicial:             Tudo é Vaidade! Será?

 

Qo 1,4 a 2,23:        Primeiro pedaço do varal:         Tudo é vaidade!

Qo 2,24-25:           Primeiro Poste:            Olhe bem! Nem tudo! Algo tem valor!

 

Qo 2,26 a 3,11:      Segundo pedaço do varal:         Tudo é miragem!

Qo 3,12-15:           Segundo Poste:            Olhe bem! Nem tudo! Algo tem valor!

 

Qo 3,16-21:           Terceiro pedaço do varal:         Tudo é frustração!

Qo 3,22:                Terceiro Poste:            Olhe bem! Nem tudo! Algo tem valor!

 

Qo 4,1 a 5,16:        Quarto pedaço do varal:           Tudo é ilusão!

Qo 5,17-19:           Quarto Poste:              Olhe bem! Nem tudo! Algo tem valor!

 

Qo 6,1 a 7,12:        Quinto pedaço do varal:            Tudo é cegueira!

Qo 7,13-14:           Quinto Poste:               Olhe bem! Nem tudo! Algo tem valor!

 

Qo 7,15 a 8,14:      Sexto pedaço do varal:             Tudo é passageiro!

Qo 8,15:                Sexto Poste:                 Olhe bem! Nem tudo! Algo tem valor!

 

Qo 8,16 a 9,6:        Sétimo pedaço do varal:           Tudo é corrida atrás do vento!

Qo 9,7-10:             Sétimo Poste:               Olhe bem! Nem tudo! Algo tem valor!

 

Qo 9,11 a 11,6:      Oitavo pedaço do varal:            Tudo passa!

Qo 11,7 a 12,8:     Gancho final:               É verdade! Mas nem tudo! Graças a Deus!

 

Qo 12,9-14:           Breve conclusão do editor do livro

Caixa de texto:

 

 

 

 

 

 

 

O contexto da época em que o livro foi escrito

 

1. A época

Por que Qohelet chegou a pensar desse jeito? O que o levou a fazer essa crítica tão radical? Por que ele insiste tanto nessas coisas tão simples e caseiras da vida familiar e comunitária? A resposta está no contexto da época em que ele vivia.

O livro não traz data. De acordo com as informações do próprio autor deveríamos concluir que ele era do tempo de Salomão, filho de Davi (Qo 1,1), século X antes de Cristo. Mas isto é um recurso literário. Naquele tempo, era comum uma pessoa esconder-se atrás de figuras importantes e significativas do passado para comunicar sua mensagem. Por exemplo, na Bíblia, todas as leis são atribuídas a Moisés; todos os salmos são atribuídos a Davi; toda a conquista da terra é atribuída a Josué. Da mesma maneira, grande parte dos livros da área da sabedoria é atribuída a Salomão: Provérbios (Prov 1,1; 10,1; 25,1), Cântico dos Cânticos (Cant 1,1); Eclesiastes (Qo 1,1).

Na realidade, o livro foi escrito no século III aC, em torno do ano 250, época do império grego, bem depois do exílio da Babilônia. Foi escrito para fazer frente às ilusões e miragens com que a ideologia do império enganava o povo naquele tempo.

 

2. A mentalidade ambígua

O exílio da Babilônia havia terminado em 538. O decreto de Ciro, rei da Pérsia, permitiu o retorno dos exilados (Esd 1,2-4). Mas só voltou o grupo dos que queriam restaurar o passado restabelecendo a monarquia e criando independência política (Esd 1,11; 2,1-2.64). Mas estes não tiveram sucesso. O império persa os impediu.

A maioria continuou no exílio e por lá se estabeleceu. Como tinha recomendado Jeremias, casaram e arrumaram emprego (Jer 29,4-7). Eles achavam que, em nome de Deus, deviam aceitar o jugo do rei estrangeiro (Jsr 27,8.12.17). Nabucodonosor e Ciro eram vistas como pessoas enviadas por Deus, como “servos” de Deus (Jer 27,6; 43,10; Is 45,1).

Para não perder sua identidade como povo de Deus no meio daquele mundo hostil, eles começaram a ler a realidade com uma mentalidade ambígua que, mais tarde, jogou o povo numa grande e desastrosa armadilha. De um lado, insistiam na observância da lei de Deus (Esd 7,26; Ne 8,1-6; 10,29-30) e na manutenção da pureza da raça (Esd 9,1-2). De outro lado, através de influência política junto ao poder imperial, procuravam barganhar para si o privilégio da autonomia religiosa, isto é, a licença do rei para poder viver segundo a Lei de Deus. Deste grupo eram Neemias, Esdras e uma parte da elite pensante.   

Para alcançar este objetivo, nasceu neles o desejo de transformar Jerusalém numa cidade símbolo, sinal de unidade para todos os judeus que, dispersos no império persa, procuravam viver na fidelidade à Lei de Deus. Por isso, pediram licença ao rei para poder reconstruir a cidade de Jerusalém.

Assim, quase cem anos depois do decreto de Ciro, em 445, Neemias, ministro de confiança do rei da Pérsia, sem abandonar o emprego na corte, conseguiu licença do rei persa para ir a Jerusalém a fim de reorganizar o povo ao redor do Templo e reconstruir as muralhas da cidade (Ne 2,4-9; 3,38). Depois de ter realizado sua missão voltou para o seu emprego em Suza, capital do império. Em 398, Esdras deu continuidade ao trabalho de Neemias (Esd 5,1 a 6,22). Ele recebeu grandes poderes da parte do rei da Pérsia para organizar o povo dentro da observância da Lei de Deus e da pureza da raça (Esd 7,21-26). O rei Artaxerxes chegou a dizer a Esdras: “Quem não obedecer à lei do seu Deus que é a lei do rei, será castigado rigorosamente com morte ou exílio, multa ou prisão” (Esd 7,26).

Este apoio tão grande dos reis da Pérsia a Esdras e Neemias era motivado, da parte do império persa, pelo interesse político de ter aliados de confiança na fronteira com o Egito, eterno inimigo da Pérsia, e de manter o domínio sobre os povos através do favorecimento das elites locais. Assim, o interesse político do império contribuiu para aprofundar e consolidar nos judeus a mentalidade ambígua. Através da barganha junto ao poder político do rei, conseguiram o privilégio da liberdade religiosa e a licença para a reconstrução da cidade de Jerusalém como símbolo da unidade do povo disperso pelo mundo. Em troca, esta elite sacerdotal apoiava totalmente a política do império.

 

3. As duas tendências, filhas da mesma ambigüidade

No decorrer dos anos, destas duas tendências (de um lado, a atitude de abertura e barganha frente ao império e, de outro lado, a insistência na lei, na raça e no templo) surgiram dois grupos inimigos que lutavam entre si pela liderança, ambos se apoiando tanto no império como na religião: de um lado a elite sacerdotal, dando mais ênfase na abertura e na barganha; do outro lado, os doutores da lei e os escribas, acentuando mais a observância da lei.

Para os da abertura e da barganha, a frase “A Lei de Deus é a Lei do Rei” devia ser entendida assim: “Em obediência a Deus, sigamos a lei do Rei. Temos que aceitar o seu domínio sobre nós”. Assim, em nome de Deus, acolhiam tudo que vinha do poder, inclusive a cultura grega e as expressões do culto imperial. Era esta a posição da elite sacerdotal.

A invasão cultural vinda da Grécia para todo o Médio Oriente já havia começado durante o período do domínio persa (538-333), mas assumiu uma forma mais agressiva no período do domínio grego (333-152). O comércio, os produtos, os conselheiros, os viajantes, as caravanas, a propaganda, e tantos outros fatores levavam os povos dominados a esquecer suas próprias raízes para seguir em tudo a moda da cultura grega. No século II aC, isto chegou ao absurdo de se criar associações gregas em Jerusalém com chapeuzinho e roupa própria (2Mac 4,10-14; 1Mac 1,11-15). Chegaram a introduzir à força os costumes gregos, sem nenhuma consideração pela tradição e pelos costumes do povo. É trágica a descrição que faz o livro dos Macabeus: sacerdotes abençoando os jogos “gymnásticos” no “gymnasium”, sem dar atenção ao templo (2Mac 4,14-16). Seria o que hoje se chama a ilusão da classe alta de ser do primeiro mundo.

Além disso, o enriquecimento progressivo desta elite, legitimado pelas leis do império, levou ao empobrecimento de grande parte do povo, como transparece no livro de Jó, escrito na mesma época (Jó 24,1-12) e a uma escravização progressiva dos pobres, iniciada já na época de Neemias (Ne 5,1-5). A corrupção desta elite levou à perseguição e morte na época dos Macabeus (2Mc 6,1-11; 7,1-41).

Para não se sentirem culpados diante do empobrecimento de tanta gente, esta elite começou a ensinar que Deus retribuía com a bênção da riqueza material aos que observavam em tudo a sua lei. A pobreza, ao contrário, era explicada como um sinal evidente de maldição, de castigo divino. Assim, os ricos tranqüilizavam sua consciência e neutralizavam as vozes críticas dos profetas. Era o que hoje se chama a Teologia da Prosperidade. Erroneamente, eles procuravam apoiar este modo estranho de pensar que, até hoje, transparece nas entrelinhas de alguns textos bíblicos. Por exemplo, na maldição que condena à pobreza os que não observam a lei (Dt 28,29-34). Ou em alguns provérbios, nos quais a pobreza aparece como fruto de preguiça ou como castigo de Deus (Prov 10,15; 19,4; 22,2.4).

Na medida em que a tendência da abertura e da barganha frente ao poder político do império crescia para além dos limites permitidos pela Lei, a outra tendência mais nacionalista dos doutores da lei e dos escribas explicava a frase: “A lei do Rei é a lei de Deus” de maneira contrária: “O rei quer que sigamos em tudo a Lei de Deus! Portanto fixemos-nos no que é de Deus: observância da lei, culto no Templo e pureza da raça. Não podemos perder nossa identidade”. Tragicamente, a insistência na lei, no templo e na pureza da raça levou-os a um fundamentalismo alienante e à expulsão das mulheres estrangeiras com seus filhos (Esd 10,1-4; Ne 10,32). Esta maneira de viver a fé levou os judeus a se distanciar do mundo ao redor e a perder a simpatia dos povos. 

Assim, o total desprezo da elite sacerdotal pela reação popular levou os outros a se fechar na lei, no templo, na raça. Isto explica como no tempo de Jesus havia aquela inimizade tão grande entre sacerdotes e saduceus de um lado e fariseus e escribas de outro lado.

O testemunho de Qohelet

Ambas as tendências, filhas gêmeas do mesmo engano ambíguo, eram um beco sem saída. Por isso, pouco a pouco, começavam a aparecer pessoas que eram contra o que estava acontecendo. Ao longo dos séculos VI a IV, os livros de Jonas, Rute, Jó, Cântico dos Cânticos, os capítulos 40 a 66 de Isaías e outros denunciavam a abertura sem critério da elite sacerdotal, criticavam o fechamento alienante dos escribas e buscavam alternativas. Esta resistência cresceu com força durante o século III, período do domínio egípcio. O livro do Qohelet faz parte desta resistência. Ele foi escrito neste período, em torno do ano 250 aC, para ajudar o povo a enfrentar a difícil situação em que se encontrava.

Qohelet não apresenta um projeto alternativo, mas aponta um rumo. Ele oferece critérios de análise para os leitores e as leitoras adquirirem uma consciência mais crítica frente às várias tendências da época. Seu livro reflete as conversas dos sábios que analisavam a conjuntura da época e buscavam saídas. Qohelet participava desses encontros dos sábios. Era um deles. Seu livro traz o resultado desse trabalho de grupo. Como bom representante da tradição sapiencial, ele pede ao povo para voltar ao primeiro amor. Deve parar para pensar! Ele critica a sede de riqueza e a mania de correr atrás das novidades do momento que alienavam as pessoas de si mesmas. Critica a pretensa justiça de alguns e sua maneira errada de observarem a lei de Deus. Ajuda os pobres a quebrar o encanto da ideologia dominante e convida-os a reencontrar o sentido da vida e a raiz da alegria na fé, no trabalho honesto e na vida em família e na comunidade.

Deduzindo daquilo que se pode observar nas linhas e nas entrelinhas do seu escrito, o testemunho de Qohelet era de: .... 

.... uma pessoa caseira

Qohelet sentia sua casa ameaçada pela invasão das novidades da cultura estrangeira e, por isso mesmo, deve ter tido problemas familiares em casa com os filhos. Chegou a ter um certo bem-estar, mas os filhos não souberam apreciar nem administrar o que herdaram ou receberam do pai ou da mãe:

“Pela preguiça das mãos, o teto desaba; e por causa de braços frouxos goteja a casa. Para se divertirem fazem banquete, e o vinho alegra a vida. O dinheiro providencia tudo!” (Qo 10,18-19).

“Detesto todo o trabalho com que me afadigo debaixo do sol, porque devo deixar tudo para um homem que virá depois de mim. E quem sabe se ele será sábio ou insensato? De qualquer maneira ele será o dono de tudo que fiz debaixo do sol com a minha fadiga e sabedoria” (Qo 2,18-19).

“Goze a vida com a esposa que você ama durante todos os dias da vida fugaz que Deus lhe concede debaixo do sol. Essa é a porção que lhe cabe na vida e no trabalho com que você se afadiga debaixo do sol” (Qo 9,9)

“Às vezes se ouve dizer: ´Veja: isso é uma coisa nova!´Mas ela já existiu em outros tempos, muito antes de nós. Ninguém se lembra dos antigos, e aqueles que hoje existem não serão lembrados pelos que virão depois deles” (Qo 1,9-11)

 

.... uma pessoa trabalhadora

Qohelet soube valorizar o trabalho honesto. Esforçou-se não só para adquirir bens para si mesmo, mas também para ajudar os outros. Porém, teve decepções nesta área. Para ele, o trabalho deveria servir para garantir a sobrevivência da Casa, da família. Ele trabalhava para viver, e não vivia para trabalhar. Não entendia como alguém pudesse fazer do trabalho um instrumento que visava lucro ou que tinha como finalidade o enriquecimento dos outros: patrão, rei, empresário, etc.

“Quem gosta de dinheiro, nunca se sacia de dinheiro. Quem é apegado às riquezas, nunca se farta com a renda. Isso também é fugaz. Quando as riquezas aumentam crescem também aqueles que as devoram. Que vantagem tem o proprietário além de ficar sabendo que é rico. Coma muito ou coma pouco, o sono do trabalhador é gostoso, enquanto a fartura do rico não o deixa dormir” (Qo 5,9-11).

“Realizei grandes obras: construí palácios para mim, plantei vinhas, fiz jardins e pomares com todo tipo de árvores e construí reservatórios de água para regar as árvores do pomar. Examinei todas as obras que eu havia feito e o trabalho que elas tinham custado para mim. E conclui que tudo é fugaz e uma corrida atrás do vento, e que não há nada de permanente debaixo do sol” (Qo 2,4-6.11)

 “Vi também que todo trabalho e todo empenho que o homem coloca nas suas obras é fruto de competição recíproca. Isso também é fugaz e uma corrida atrás do vento. Mais vale um bocado com lazer, do que dois bocados com fadiga, correndo atrás do vento” (Qo 4,4.6)

 

.... uma pessoa sábia de bom senso

Qohelet se deu conta de que a opinião do pessoal da alta sociedade não valia muito, carecia de sabedoria e podia levar as pessoas a se enganar redondamente. Muitos só visavam o carreirismo e passavam a perna nos outros.

“Vi debaixo do sol este exemplo de sabedoria que me pareceu muito importante. Havia uma pequena cidade com poucos habitantes. Um grande rei foi contra ela. Cercou-a e construiu contra ela máquinas de guerra. Nela se encontrou um homem de origem pobre, mas sábio. Com sua sabedoria salvou a cidade. Contudo, ninguém mais se lembrou desse homem pobre. Por isso concluo que a sabedoria vale mais que a força, porém, a sabedoria do pobre é desprezada, e ninguém dá ouvidos às palavras dele” (Qo 9,13-16)

“Observei mais uma coisa debaixo do sol: não é o mais veloz que ganha a corrida, nem é o mais forte que ganha a batalha. O pão não é para os mais sábios, nem as riquezas para os mais inteligentes, nem o favor para os mais cultos, porque tudo depende do tempo e do acaso” (Qo 9,11)

 “Palavras calmas de sábios são mais ouvidas do que os gritos de um poderoso, que fala no meio dos insensatos. Mais vale a sabedoria do que os instrumentos de guerra, mas um só erro pode anular muita coisa boa” (Qo 9,17-18).

 

.... uma pessoa com percepção política

Qohelet tinha uma certa influência junto aos governantes, mas se decepcionou com eles. Não despreza o poder, ele vê e percebe a sua importância. O que ele critica e o que o decepcionou é a maneira como o poder é exercido e sobretudo a corrupção.

“Ai de você, país governado por um jovem, e cujos príncipes se banqueteiam desde o amanhecer! Feliz de você, país governado por um rei nobre, cujos príncipes comem na hora certa para se refazerem e não para se banquetearem! (Qo 10,16-17)

“Mais vale um jovem pobre e sábio que um rei velho e insensato, que não aceita mais conselho, mesmo que o jovem tenha saído da prisão para reinar, e ainda que tenha nascido mendigo no reino” (Qo 4,13).

“Se você vê num Estado a opressão do pobre, o direito e a justiça violados, não se espante com isso, pois quem está no alto tem sempre um mais alto que o vigia e sobre os dois há um mais alto ainda. O interesse do país deve ser considerado no conjunto e até o rei depende da agricultura” (Qo 5,7-8)

“Vi outro mal debaixo do sol, um erro cometido pelo soberano: o insensato ocupando os mais altos cargos e os hábeis em posições bem inferiores. Vi escravos andando a cavalo e príncipes andando a pé como se fossem escravos” (Qo 10,4-7).

 

.... uma pessoa que irradiava uma nova experiência de Deus e da vida

Aqui está o centro da preocupação de Qohelet e o núcleo da mensagem que ele quer comunicar neste livro das suas memórias e que transparece, sobretudo nos sete postes. Qohelet foi um místico. Deus era tudo para ele. Ele teve uma experiência de eternidade nas coisas mais comuns da vida humana: comer, beber, alegrar-se, amar, trabalhar, descansar. Era nestas coisas, as mais simples e as mais passageiras de todas, que Qohelet encontrava a porta para entrar em contato com a eternidade, com Deus. Ele chegou a dizer: “Compreendi que é um dom de Deus que o ser humano possa comer e beber, desfrutando do produto de todo o seu trabalho. Compreendi que tudo isso que Deus fez dura para sempre!” (Qo 3,13-14). Desta experiência ele tirou a luz para iluminar e apreciar as outras atividades.

Qohelet não fala muito da religião oficial, nem do Templo e dos sacrifícios que nele se ofereciam diariamente (Qo 4,17). Sua experiência de Deus é diferente. É a experiência da própria vida. É uma radiografia do dia-a-dia. Eis algumas frases que são como janelas abertas, através das quais a gente consegue adivinhar, ainda que de longe, o que se passava no fundo da alma de Qohelet:

 

* Deus está presente em casa, no fruto do trabalho, nas coisas mais comuns da vida, como comer, beber, alegrar-se com todos na comunidade:

“Vejam: a felicidade do ser humano está em comer e beber, desfrutando o produto do seu trabalho. Contudo percebo também que isso vem das mãos de Deus. De fato, quem pode comer e beber, sem que isso lhe venha de Deus?” (Qo 2,24-25) 

* Deus está presente na alegria da vida simples em família:

“Goze a vida com a pessoa com quem casou e que você ama, durante todos os dias da vida fugaz que Deus lhe concede debaixo do sol. Essa é a porção que lhe cabe na vida e no trabalho com que você se afadiga debaixo do sol” (Qo 9,9)

* Deus está presente no tempo que foge, na sucessão dos dias, meses e anos:

“Tudo o que Deus fez é apropriado para cada tempo. Ele colocou o senso da eternidade no coração do ser humano, mas sem que este possa compreender a obra que Deus realiza do começo ao fim” (Qo 3,11)

 “O que existe, já havia existido antes. E o que existirá, também já existiu. Deus busca o tempo que nos escapa” (Qo 3,15) (Outra tradução: “Deus recupera o que passou”)

* Deus está presente no hoje, aqui e agora. Assim, ele impede que a gente se preocupe demais com o futuro. Deus é maior do que a nossa capacidade de compreensão:

“Procure compreender a obra de Deus, porque ninguém endireita o que ele encurvou. Esteja alegre no dia feliz, e no dia da desgraça procure refletir, porque um e outro foram feitos por Deus, para que o ser humano nunca possa descobrir nada do seu próprio futuro” (Qo 7,13-14).

“Todo ser humano que recebe de Deus riquezas e bens para que possa sustentar-se, ter a sua porção e desfrutar do seu trabalho, considere tudo isso dom de Deus. Desse modo, o ser humano não se preocupa demais com sua vida fugaz, porque Deus o mantém ocupado na alegria do coração” (Qo 5,18-19).

A experiência de Deus de Qohelet traduzida para hoje

Quatro exemplos de hoje para poder adivinhar como Qohelet experimentava Deus na vida:

1) Romero foi visitar um doente que vivia na cama, sozinho, sem poder fazer nada, apenas sofrendo, sem poder contribuir em nada para ajudar os outros. Depois da visita, Romero saiu para a rua, uma grande e movimentada avenida. Esbarrando no movimento dos carros e caminhões, comercio e bancos, ele teve um estalo e pensou: “Este mundo agitado de eficiência e de lucro, sem usar palavras, está me dizendo que o doente que visitei não conta, não tem nenhum valor!” Aí caiu nele uma luz: "O doente que visitei, sem usar palavras, é uma denúncia viva desta eficiência e grita: neste mundo onde não há mais lugar para os deficientes físicos tudo é vaidade, miragem, corrida atrás do vento!” O doente é um ser humano igual aos outros e tem o mesmo direito de poder conviver. O mundo deve arrumar um lugar para ele! Foi esta a experiência de Qohelet.

2) Numa reunião, Raimundo disse: “Eu carrego a cruz com gosto, mas tem que ser uma cruz que traz libertação para o povo!” Dona Dalva respondeu: “Raimundo, em casa tenho um menino. Teve doença quando pequeno. Agora não fala, não anda, é paralítico. Eu cuido dele, o dia inteiro. Não tenho tempo para fazer outra coisa. Isto traz libertação para o povo? Tem lugar para mim na sua comunidade? Tem lugar aí para o meu menino?” Foi esta a pergunta que Qohelet teria feito!

3) Fernando era frade. Já tinha passado dos setenta anos de vida. Sua vista nunca foi muito boa e ainda teve o azar de o médico errar na aplicação do raio laser por uma fração de segundo. Ele ficou cego de um olho e com o outro só enxergava 30%. Alguém perguntou: “Frei Fernando, como vai a vista?”  -“Vai bem. Muito obrigado. Não me posso queixar. Consegui enxergar bem durante mais de 65 anos. Estou satisfeito e agradeço a Deus!” Qohelet teria dado a mesma resposta.

4) Num encontro da Fraternidade de Deficientes Físicos, depois de uma longa reflexão sobre o livro de Jó, corria a pergunta: “Por que será que Deus permite este nosso sofrimento?” Muitos foram dando opinião a partir da sua experiência. No fim, Fausto, um tetraplégico da Bahia que falava com muita dificuldade, pediu a palavra e disse: “Deus não responde a perguntas estúpidas!” E ele ria, dando graças a Deus pela situação em que ele se encontrava. Qohelet teve a mesma coragem de Fausto!

 

O Gancho Final: Tudo é vaidade! Mas nem tudo! Graças a Deus!

Depois de ter percorrido todas as ruas e bairros da vida, levando consigo o fio da sua experiência, Qohelet o amarra no gancho final, na parede da eternidade, e dirige uma mensagem aos jovens (Qo 11,7 a 12,8). Este final é como uma bela orquídea que desabrocha no tronco seco de uma árvore quase morta. Mistura o passageiro e o eterno numa síntese poética de incrível beleza.

Qohelet descreve as limitações que lhe vêm com a velhice no fim da vida. Mas na maneira de descrevê-las, você sente nele uma pessoa que, mesmo limitada pela velhice, soube crescer em direção a Deus dentro destas limitações inevitáveis da vida e graças a elas.

Este final é a síntese, não só do livro, mas também da experiência que ele ou ela quer partilhar conosco e na qual mostra como a luz dos sete postes conseguiu iluminar e transformar sua vida. É a mensagem vivida e agradecida dos cabelos brancos que se despedem da vida, para os jovens na flor da idade (Qo 11,7 a 12,8):

 

Doce é a luz,

e agradável para os olhos ver o sol.

Se você viver muitos anos,

alegre-se em todos eles,

mas lembre-se de que são muitos os dias sombrios.

Tudo quanto sucede é vaidade.

 

Jovem,

alegre-se na sua juventude,

e seja feliz nos dias da sua mocidade.

Siga os impulsos do seu coração

e os desejos dos olhos;

mas saiba que de tudo isso Deus te pedirá contas.

Expulse a melancolia do seu coração

e afaste do seu corpo a dor,

porque juventude e cabelos bonitos são coisas que passam.

 

Lembre-se do seu Criador nos dias da sua mocidade,

antes que venham os dias maus,

e cheguem os anos dos quais dirá:                                    

“Não sinto mais gosto para nada!”;                                   (Interpretação Rabínica)

antes que se escureçam o sol e a luz, a lua e as estrelas,             velhice

e que voltem as nuvens depois da chuva;                                     declínio

no dia em que tremerem os guardas da casa,                              braços,

e se curvarem os homens outrora fortes,                                     pernas,

e cessarem os moedores, por já serem poucos,                            dentes

e se escurecerem seus olhos nas janelas;                                      visão

e as portas da rua, se fecharem;                                                   lábios

e diminuir o ruído do moinho até parecer um canto de pássaro

e todas as canções emudecerem;                                                  audição

quando você ficar com medo das alturas,                                    insegurança

e levar susto pelo caminho,                                                          medo

quando embranquecer como a amendoeira,                                cabelo branco

e o gafanhoto lhe for um peso,                                                     libido

e o tempero perder o sabor;                                                         paladar

é porque você já está a caminho da sua morada eterna,             fim da vida

e os que choram a sua morte já andam rodeando pela praça;    rito fúnebre

antes que se rompa o fio de prata,

e o copo de ouro se quebre,

antes que o jarro se quebre na fonte,

e se parta a roldana no poço,

então você voltará à terra, de onde veio,

e o sopro de vida voltará a Deus, que o concedeu,.

Tudo passa, diz o Qohelet, Tudo!

 

Assim, o livro de Qohelet acabou sendo esse varal imenso onde ele pendurou sua vida e a colocou à mostra para todos nós. Olhando e meditando as coisas que ele escreveu, você sente por trás das palavras uma pessoa já idosa, sofrida, mas sábia e tranqüila. Sofreu muito. Deve ter tido muitas decepções na vida, mas conseguiu superá-las. Soube fincar sete postes bem firmes, nos quais suspendeu o fio da sua experiência e que agora, no fim da sua vida, partilha conosco.

Esta experiência de Deus e da vida, tão bonita e tão forte, que chega até nós através do método dos sábios no livro de Qohelet, também se expressa de outra maneira em outros lugares da Bíblia. Por exemplo, em forma de oração no salmo 131 (130):

Meu coração não é ambicioso, Senhor,

Meus olhos não enxergam mais do que podem,

Não freqüento a alta roda.

Não tenho pretensões grandiosas.

Não!

Dentro de mim, tudo se aquietou.

Paz e serenidade vieram para ficar.

Igual à criança depois de mamar,

Dorme tranqüila no colo da mãe.

Minha gente,

que Deus nos ajude a esperar nele,

Hoje e sempre!

Quem sabe, através da partilha de Qohelet e dos sábios, aprendamos nós também a partilhar nossa experiência de Deus e da vida para enriquecer-nos mutuamente. Este é o objetivo dos círculos que seguem.

 

OS DOZE CÍRCULOS

 

O JEITO DE FAZER OS CÍRCULOS

Qohelet usa o método dos sábios de Israel. Os sábios não davam tudo pronto, trocado em miúdo, mas levavam as pessoas a participar no processo da descoberta da verdade. Faziam com que elas mesmas fossem descobrindo as coisas. Como nós hoje, eles faziam suas reuniões para, à luz da fé, discutir a situação do povo e os problemas da comunidade. O livro de Qohelet traz o resultado desse trabalho de grupo.

Jesus usa o mesmo método. A base do seu ensinamento eram as parábolas ou comparações que, por sua própria natureza, levavam as pessoas a participar na descoberta dos valores do Reino. Uma parábola ou comparação provoca os ouvintes a usar sua própria experiência para descobrir aquilo que o sábio quer comunicar. Por exemplo, Jesus diz: “Vocês são o sal da terra!” (Mt 5,13). A partir da experiência que eu hoje tenho do sal, vou poder entender o sentido desta parábola para a minha vida e missão. Numa parábola quem dá a resposta final não é aquele que narra, mas sim aquele que escuta. Assim Jesus perguntava depois de ter contado a parábola do Bom Samaritano: ”Na tua opinião, quem foi o próximo do fulano que caiu nas mãos dos ladrões?” (Lc 10,36) Muitas vezes, Jesus terminava as parábolas dizendo: “Quem tem ouvidos para ouvir ouça!” (Mt 13,9) Ou seja: “É isso! Vocês ouviram! Agora tratem de entender!” Jesus quase nunca dava uma explicação, mas provocava os ouvintes para que juntos discutissem o assunto e tentassem descobrir o sentido.

Nestes doze círculos vamos seguir o mesmo método de Qohelet e de Jesus. Ambos, Jesus e Qohelet, vão estar presentes na nossa reunião e vão sentar conosco na roda de conversa. Jesus sempre estará presente, pois ele mesmo disse: “Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, estarei no meio deles” (Mt 18,20). O seu espírito nos ajudará a descobrir o sentido das coisas (Jo 14,25-26; 16,12-15). A presença de Qohelet será marcada por uma cadeira vazia na roda, na qual colocamos a Bíblia. É a cadeira de Qohelet! E quando chegar a hora de ele dizer a sua opinião, alguém, em nome dele, lê um trecho do livro.

Cada círculo terá três rodadas de conversa:

1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes

No início da reunião, formula-se uma ou mais perguntas para introduzir o assunto e puxar a conversa. Cada participante vai dando a sua resposta. Não é necessário que cada um responda a cada pergunta. As várias perguntas servem para puxar a conversa e partilhar as idéias. A última pessoa a dar sua opinião será o próprio Qohelet. Neste momento, alguém vai sentar na cadeira de Qohelet, pega a Bíblia e lê o trecho indicado no círculo que nos transmite a opinião dele. Depois de ter ouvido a opinião de Qohelet, se faz um momento de silêncio para aprofundar e comparar as opiniões que foram expressas.

2ª Rodada: refletir sobre a conversa para chegar a uma conclusão

Nesta segunda rodada, vamos partilhar o que aprendemos da conversa, uns com os outros, e tentamos chegar a uma conclusão orientando-nos por estas três perguntas:

1) O que aprendi ouvindo a opinião dos outros?

2) O que aprendi ouvindo a opinião de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?

3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar para a vida? Tente resumir tudo numa frase.

3ª Rodada: rezar a Deus

Terminada a conversa entre nós, chegou a hora de conversar com Deus e de expressar a Ele o que nos vai pelo coração: gratidão, arrependimento, louvor, pedido de ajuda, alegria, sentimento de culpa, disposição de compromisso. Jesus rezará conosco ao Pai. No fim terminamos sempre com um Pai Nosso e um canto.

 

Desta vez, os Círculos não vão ter subsídio. Não é necessário. O texto já está bem trabalhado na Introdução. Seguimos o método dos sábios de Israel. Eles confiavam na partilha sincera entre pessoas que juntas buscam a verdade. Eles provocavam as pessoas a refletir sobre a experiência da sua própria vida e a partilhá-la com os outros. Assim, todos vamos contribuir na descoberta da verdade.

 

 

Eis o esquema de cada Circulo:

 

      Acolhida

      Oração inicial

      Canto

1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes

     Nesta 1ª rodada se conversa sobre o sentido de um assunto da vida.

     1. Umas perguntas puxam a conversa. Cada participante dá a sua opinião.

     2. Depois da opinião dos participantes, segue a opinião do próprio Qohelet. Alguém levanta pega a Bíblia, senta na cadeira de Qohelet e faz a leitura indicada no Círculo. Terminada leitura, se faz um momento de silêncio.

2ª Rodada: refletir sobre a conversa para chegar a uma conclusão

Nesta rodada, vamos amarrar a conversa para chegar a uma conclusão, sempre a partir destas três perguntas:

      1) O que aprendi ouvindo a opinião dos outros?

      2) O que aprendi ouvindo a opinião de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?

      3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar para a vida? Tente resumir tudo numa frase.

3ª Rodada: rezar a Deus

      a. Dirigir a Deus nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a descobrir a Palavra de Deus na vida.

      b. Rezar um Salmo

      c. Terminar com um Pai Nosso e um canto.

 

 

Vamos ter os seguintes Círculos:

1º Círculo: Sobre o sentido da vida

Nada de novo debaixo do sol!

Será que vale a pena viver a vida?

Qo 1,1-18

 

2º Círculo: Sobre o sentido do trabalho

Trabalhar, trabalhar, trabalhar

Tem gente que gosta, tem gente que não gosta

Qo 2,17-26

 

3º Círculo: Sobre o sentido do tempo

Tudo tem o seu tempo! Nada cai fora do tempo!

Tudo está na mão de Deus!

Qo 3,1-15

 

4º Círculo: Sobre o sentido das lágrimas dos oprimidos

Exploração, Competição, Frustração

Será que a vida é só isto?

Qo 4,1-16

 

5º Círculo: Sobre o sentido da religião

Promessas, Rezas, Devoções

Em busca da verdadeira religião

Qo 4,17 a 5,6

 

6º Círculo: Sobre o sentido da riqueza

Acúmulo, Canseira, Opressão

Tem coisas na vida que o dinheiro não paga

Qo 5,7 a 6,6

 

7º Círculo: Sobre o sentido da sabedoria

A verdadeira Sabedoria

Aprender com a vida para preservar a vida!

Qo 7,1-24

 

8º Círculo: Sobre o sentido do Bem e do Mal

O Bem e o Mal!  Recompensa e Castigo!

Os dois moram na mesma casa. E agora?

Qo 8,5-17

 

9º Círculo: Sobre o sentido das surpresas da vida

O homem propõe, mas Deus dispõe

A vida vem como ela é, não adianta planejá-la

Qo 9,1-18

 

10º Círculo: Sobre o sentido da felicidade

A Felicidade que vem de Deus

Coma teu pão com alegria!

Os sete postes

 

11º Círculo: Sobre o sentido da maturidade

Mensagem de um velho para os jovens

“Ah, Jovens! Se vocês soubessem o que eu vivi!”

Qo 11,7 a 12,8

 

12º Círculo: Sobre o sentido da vida na sua plenitude

A experiência que Jesus teve de Deus e da vida

Jesus se inspirou em Qohelet

(Lc 12,22-34)

 

Celebração Final

Recuperar o Primeiro Amor

 

1º Círculo

Sobre o sentido da Vida

Nada de novo debaixo do sol!

Será que vale a pena viver a vida?

Qo 1,1-18

      Acolhida

      Oração inicial

      Canto

1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes

Nesta 1ª rodada vamos conversar sobre o sentido da nossa vida. Cada um e cada uma tem a sua própria vida. Nenhuma vida se repete. Cada um tem a sua própria história, seus próprios problemas, alegrias e tristezas. Vamos conversar sobre isto.

1. Olhando para trás, qual foi o momento mais significativo da sua vida que lhe ensinou alguma coisa?

2. Vamos ouvir a experiência do Qohelet:

     Leitura de Qohelet 1,1-18.

     Terminada leitura, um momento de silêncio.

2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma conclusão

      1) O que aprendi ouvindo a história dos outros?

      2) O que aprendi de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?

      3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar para a vida? Tente resumir tudo numa frase.

3ª Rodada: rezar a Deus

*  Dirigir a Deus nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a descobrir a Palavra de Deus na vida.

*  Rezar o Salmo 39(38): Senhor, dá me conhecer o sentido da minha vida!

*  Terminar com um Pai Nosso e um canto.

 

 

2º Círculo

Sobre o sentido do Trabalho

Trabalhar, trabalhar, trabalhar

Tem gente que gosta, tem gente que não gosta

Qo 2,17-26

      Acolhida

      Oração inicial

      Canto

1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes

Hoje, vamos conversar sobre o sentido do trabalho. Trabalhar, a gente tem que trabalhar. Tem gente que trabalha honestamente, a vida inteira, e continua pobre. Tem gente que não trabalha e é rico. Tem gente que trabalha movido só pela ambição. Outros trabalham para poder sustentar a família. Vamos conversar sobre isto

1. Para você, que valor tem o trabalho? Você está feliz com o trabalho que faz? Muita gente não gosta do trabalho que faz. Pior do que isto é não ter trabalho. O que você realmente gostaria de fazer? Cada um partilhe com os outros sua experiência de vida.

2. Vamos ouvir a experiência do Qohelet:

     Leitura de Qohelet 2,17-26

     Terminada leitura, um momento de silêncio.

2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma conclusão

      1) O que aprendi ouvindo a experiência dos outros?

      2) O que aprendi de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?

      3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar para a vida? Tente resumir tudo numa frase.

3ª Rodada: rezar a Deus

*  Dirigir a Deus nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a descobrir a Palavra de Deus na vida.

*  Rezar o Salmo 49 (48): O engano da riqueza

*  Terminar com um Pai Nosso e um canto.

 

3º Círculo

Sobre o sentido do Tempo

Tudo tem o seu tempo! Nada cai fora do tempo!

Tudo está na mão de Deus!

Qo 3,1-15

      Acolhida

      Oração inicial

      Canto

1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes

Hoje vamos conversar sobre o tempo que passa e com ele vamos todos juntos, sem parar. As coisas vão acontecendo na vida da gente. Tem pessoas que dizem: Deus quis assim e se acomodam. Outros ficam revoltados. Outros dizem: “É o destino!” Vamos conversar sobre isto

1.  E você, como é que você vê as coisas acontecendo na sua vida? Como é que você vive e ocupa o seu tempo? Está feliz com a idade que tem? Cada um procure partilhar com os outros sua experiência de vida.

2. Vamos ouvir a experiência do Qohelet:

     Leitura de Qohelet 3,1-15

     Terminada leitura, um momento de silêncio.

2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma conclusão

      1) O que aprendi ouvindo a opinião dos outros?

      2) O que aprendi de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?

      3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar para a vida? Tente resumir tudo numa frase.

3ª Rodada: rezar a Deus

*  Dirigir a Deus nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a descobrir a Palavra de Deus na vida.

*  Rezar o Salmo 90(89): Sobre a brevidade da vida

*  Terminar com um Pai Nosso e um canto.

 

4º Círculo

Sobre o sentido das lágrimas dos Oprimidos

Exploração, Competição, Frustração

Será que a vida é só isto?

Qo 4,1-16

      Acolhida

      Oração inicial

      Canto

1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes

Hoje vamos conversar sobre coisas da vida que afetam a todos nós de uma ou de outra maneira: exploração, competição e frustração. Tem muita gente que já levou rasteira na vida. Tem gente que não tem escrúpulo para explorar os outros. Tem gente que luta pelo poder. Tem de tudo! Vamos conversar sobre isto.

1. Não vale a pena viver sendo explorado o tempo todo. Você se sente explorado? Como? Por quem? Você reage ou se acomoda? Como reage? Cada um vai partilhando a sua experiência.

2. Vamos ouvir a experiência do Qohelet:

     Leitura de Qohelet 4,1-16

     Terminada leitura, um momento de silêncio.

2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma conclusão

      1) O que aprendi ouvindo a partilha dos outros?

      2) O que aprendi de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?

      3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar para a vida? Tente resumir tudo numa frase.

3ª Rodada: rezar a Deus

*  Dirigir a Deus nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a descobrir a Palavra de Deus na vida.

*  Rezar o Salmo 10(9b): Deus não se esquece dos pobres

*  Terminar com um Pai Nosso e um canto.

 

5º Círculo: Sobre o sentido da religião

Promessas, Rezas, Devoções

Em busca da verdadeira religião

Qo 4,17 a 5,6

 

5º Círculo

Sobre o sentido da Religião

Promessas, Rezas, Devoções

Em busca da religião verdadeira

Qo 4,17 a 5,6

      Acolhida

      Oração inicial

      Canto

1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes

Nunca houve uma variedade tão grande de igrejas e de religiões como hoje. Todo mundo tem algum parente, amigo ou conhecido que já mudou de religião. Aumenta também o número de pessoas que abandonam a religião. No entanto, o último censo mostrou que mais de 90% do povo brasileiro acredita em Deus. Vamos conversar sobre isto.

1. E você, o que é religião para você? De que maneira você vive a sua religião? Você já pensou alguma vez em mudar de religião?

2. Vamos ouvir a experiência do Qohelet:

     Leitura de Qohelet 4,17 a 5,6

     Terminada leitura, um momento de silêncio.

2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma conclusão

      1) O que aprendi ouvindo a opinião dos outros?

      2) O que aprendi de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?

      3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar para a vida? Tente resumir tudo numa frase.

 

6º Círculo

Sobre o sentido da Riqueza

Acúmulo, Canseira, Opressão

Tem coisas na vida que o dinheiro não paga

Qo 5,7 a 6,6

      Acolhida

      Oração inicial

      Canto

1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes

Hoje vamos conversar sobre uma coisa com que todo mundo concorda: “Sem dinheiro não se vive!”. Mas dinheiro não cai do céu, nem cresce em árvore. A questão básica é: como conseguir dinheiro e o que fazer com ele. Tem gente que faz caderneta de poupança e outros gastam tudo. Vamos conversar sobre isto.

1. Como você se comporta com relação ao dinheiro: dá para viver? Viver bem? Você é gastador ou poupador? O dinheiro traz felicidade? Cada um dê a sua opinião.

2. Vamos ouvir a experiência do Qohelet:

     Leitura de Qohelet 5,7 a 6,6

     Terminada leitura, um momento de silêncio.

 

2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma conclusão

      1) O que aprendi ouvindo a opinião dos outros?

      2) O que aprendi de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?

      3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar para a vida? Tente resumir tudo numa frase.

3ª Rodada: rezar a Deus

*  Dirigir a Deus nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a descobrir a Palavra de Deus na vida.

*  Rezar o Salmo 128(129): A felicidade do trabalhador

*  Terminar com um Pai Nosso e um canto.

 

7º Círculo

Sobre o sentido da Sabedoria

A verdadeira Sabedoria

Aprender com a vida para preservar a vida!

Qo 7,1-24

      Acolhida

      Oração inicial

      Canto

1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes

Hoje vamos conversar sobre o sentido da sabedoria. Ninguém nasce sabendo as coisas. É a experiência acumulada que nos vai ensinando como viver. E nisto nós nos ajudamos mutuamente. Ninguém aprende sozinho. Tem gente que passa pela vida e não vive. Vive na superficialidade seguindo a moda. Tem gente irresponsável que vive de festa em festa, de farra em farra. Tem gente que faz todo o possível para fazer da vida um serviço. Vamos conversar sobre isto. 

1. O que você aprendeu da experiência da sua vida e o que aprendeu da experiência dos outros? Dá para separar estas duas experiências? Você conhece alguém a quem você poderia chamar de sábio ou sábia?  Cada participante dê a sua opinião.

2. Vamos ouvir a experiência do Qohelet:

     Leitura de Qohelet 7,1-24

     Terminada leitura, um momento de silêncio.

2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma conclusão

      1) O que aprendi ouvindo a opinião dos outros?

      2) O que aprendi de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?

      3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar para a vida? Tente resumir tudo numa frase.

3ª Rodada: rezar a Deus

*  Dirigir a Deus nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a descobrir a Palavra de Deus na vida.

*  Rezar o Salmo 139(138): Deus, fonte de sabedoria

*  Terminar com um Pai Nosso e um canto.

 

8º Círculo

Sobre o sentido do Bem e do Mal

O Bem e o Mal!  Recompensa e Castigo!

Os dois moram na mesma casa. E agora?

Qo 8,5-17

      Acolhida

      Oração inicial

      Canto

1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes

Hoje vamos conversar sobre o bem e o mal que existem misturados na vida. Tem gente que leva uma vida santa, e enfrenta um problema depois do outro! Tem gente que não está nem aí e nunca passa por dificuldades. Tem gente que leva uma vida reta por medo do castigo. Vamos conversar sobre isto.

1. O bem e o mal moram na mesma casa. Essa casa é você! O apóstolo Paulo disse: “Deixo de fazer o bem que quero, e faço o mal que não quero” (Rom 7,19). Isto acontece com você? De que maneira se misturam o bem e o mal na sua vida? Cada participante conte a sua experiência.

2. Vamos ouvir a experiência do Qohelet:

     Leitura de Qohelet 8,5-17

     Terminada leitura, um momento de silêncio.

2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma conclusão

      1) O que aprendi ouvindo a experiência dos outros?

      2) O que aprendi de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?

      3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar para a vida? Tente resumir tudo numa frase.

3ª Rodada: rezar a Deus

*  Dirigir a Deus nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a descobrir a Palavra de Deus na vida.

*  Rezar o Salmo 5: Deus não tolera a maldade

*  Terminar com um Pai Nosso e um canto.

 

9º Círculo

Sobre o sentido das Surpresas da Vida

O homem propõe, mas Deus dispõe

A vida vem como ela é! Não adianta planejá-la ...

Qo 9,1-18

 

      Acolhida

      Oração inicial

      Canto

1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes

Hoje vamos conversar sobre as surpresas que acontecem na vida da gente. Por mais que você planeje, você não consegue controlar os fatos da vida. Em muitas famílias bem estruturadas, quando morre ou nasce alguém, a vida nunca mais vai ser como antes. Você planeja um passeio e no dia marcado chove, ou uma greve tira os ônibus da circulação. Por isso tem gente que se cansou e não reage mais diante dos fatos. Aceita tudo. Vamos conversar sobre isto.

1. Como você costuma reagir diante de fatos imprevistos? Onde está a segurança da sua vida nestes momentos de surpresa e de imprevistos? Qual a fonte da sua resistência? Cada participante partilhe a sua experiência.

2. Vamos ouvir a experiência do Qohelet:

     Leitura de Qohelet 9,1-18

     Terminada leitura, um momento de silêncio.

2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma conclusão

      1) O que aprendi ouvindo a experiência dos outros?

      2) O que aprendi de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?

      3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar para a vida? Tente resumir tudo numa frase.

3ª Rodada: rezar a Deus

*  Dirigir a Deus nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a descobrir a Palavra de Deus na vida.

*  Rezar o Salmo 34(33): Deus é a segurança do pobre

*  Terminar com um Pai Nosso e um canto.

 

10º Círculo

Sobre o sentido da Felicidade

A Felicidade que vem de Deus

Coma teu pão com alegria

 

      Acolhida

      Oração inicial

      Canto

1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes

Hoje vamos conversar sobre o sentido da felicidade e da alegria. Todo mundo busca a felicidade, mas cada um a busca numa direção diferente. Para uns, a felicidade consiste em ter o carro do último modelo e poder mostrá-lo aos amigos. Para outros, é ter casa própria. Tem gente que é feliz quando pode viajar. Outros se sentem felizes quando podem servir. Outros, quando estão com a família em casa. Vamos conversar sobre isto.

1. Em que momentos da sua vida você foi capaz de poder dizer: “Fui feliz!” O que é felicidade para você?

2. Vamos ouvir a experiência do Qohelet:

     Leitura dos sete textos de Qohelet em que ele diz o que é felicidade

     Terminada leitura, um momento de silêncio.

1º Poste: 2,24-25:

Vejam: a felicidade do ser humano está em comer e beber, desfrutando o produto do seu trabalho. Contudo, percebo que isso vem das mãos de Deus. De fato, quem pode comer e beber, sem que isso lhe venha da mão de Deus? A quem lhe agrada, Deus concede sabedoria, conhecimento e alegria.

2º Poste: 3,12-15:

Compreendi que não existe para o ser humano nada melhor do que se alegrar e agir bem durante a vida. E compreendi também que é dom de Deus que o homem possa comer e beber, desfrutando do produto de todo o seu trabalho. Compreendi que tudo o que Deus fez dura para sempre. A isso nada se pode acrescentar, e disso nada se pode tirar. Deus fez assim para que os homens tenham temor de Deus. O que existe, já havia existido; o que existirá, também já existiu. Deus recupera o que passou  (outra tradução: “Deus busca aquilo que foge”.)

3º Poste: 3,22:

Percebo que não há nada melhor para o ser humano do que se alegrar com o trabalho que faz aqui e agora. Esta é a porção que lhe cabe. Pois, ninguém lhe fará ver o que acontecerá depois dele. 

4º Poste: 5,17-19:

Concluí que a felicidade do ser humano consiste em comer e beber, usufruindo o bem de todo o seu trabalho, com que se afadigou debaixo do sol, durante os poucos dias da vida que Deus lhe concede; porque esta é a sua porção. Todo ser humano que recebe de Deus riquezas e bens para que possa sustentar-se, ter a sua porção e gozar do seu trabalho, deve considerá-lo como dom de Deus. Desse modo, ele não se preocupará demais com sua vida fugaz, porque Deus o mantém ocupado na alegria do seu coração.

5º Poste: 7,13-14:

Procure compreender a obra de Deus, porque ninguém endireita o que Ele encurvou. Esteja alegre no dia feliz, e no dia da desgraça procure refletir, porque um e outro foram feitos por Deus, para que o ser humano nunca possa descobrir nada do seu próprio futuro. 

6º Poste: 8,15:

Exalto a alegria, porque não existe felicidade maior para o ser humano debaixo do sol do que comer, beber e alegrar-se. Essa é a única coisa que lhe serve de companhia na fadiga, nos dias contados da vida que Deus lhe concede debaixo do sol.

7º Poste: 9,7-10:

Portanto, vá, coma o seu pão com alegria e beba o seu vinho com satisfação, pois Deus já de antemão se agrada do trabalho que você realiza. Que suas roupas sejam alvas o tempo todo, e nunca falte perfume em sua cabeça. Goze a vida com a esposa que você ama, durante todos os dias de vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol. Essa é a porção que lhe cabe na vida e no trabalho com que você se afadiga debaixo do sol. Tudo o que você puder fazer, faça-o enquanto tiver forças, porque no mundo dos mortos, para onde você vai, não existe ação nem pensamento, nem ciência, nem sabedoria alguma.

Terminada leitura, se faz um momento de silêncio.

2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma conclusão

      1) O que aprendi ouvindo a opinião dos outros?

      2) O que aprendi de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?

      3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar para a vida? Tente resumir tudo numa frase.

3ª Rodada: rezar a Deus

*  Dirigir a Deus nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a descobrir a Palavra de Deus na vida.

*  Rezar o Salmo 1: Feliz quem anda na Lei do Senhor

*  Terminar com um Pai Nosso e um canto.

 

11º Círculo

Sobre o sentido da Maturidade

Mensagem de um velho para os jovens

“Ah!, jovens! Se vocês soubessem o que eu vivi!”

Qo 11,7 a 12,8

      Acolhida

      Oração inicial

      Canto

1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes

Hoje vamos conversar sobre a mensagem que Qohelet, no fim do seu livro, deixou para os jovens. O amor pela vida o levou a partilhar sua experiência com os mais jovens. Ele o faz não como professor que ensina, mas como irmão mais velho que partilha. Ele descreve as limitações que vem com a idade. Mas na maneira de descrevê-las, você sente uma pessoa que, mesmo limitada pela velhice, soube crescer em direção a Deus dentro destas limitações inevitáveis da vida e graças a elas. Vamos conversar sobre isto.

1. A partir da experiência que você tem da vida, que conselho daria aos mais jovens? Cada participante dê a sua opinião.

2. Por último, depois de ter ouvido a opinião dos participantes, vamos ouvir a mensagem tão bonita que Qohelet deixou para os jovens. Esta mensagem é a síntese, não só do livro, mas também da experiência que ele ou ela quer partilhar conosco e na qual mostra como a luz dos sete postes conseguiu iluminar e transformar sua vida. É a mensagem vivida e agradecida dos cabelos brancos que se despedem da vida, para os jovens na flor da idade. Ouçamos:

 

Doce é a luz,

e agradável para os olhos ver o sol.

Se você viver muitos anos,

alegre-se em todos eles,

mas lembre-se de que são muitos os dias sombrios.

Tudo quanto sucede é vaidade.

 

Jovem,

alegre-se na sua juventude,

e seja feliz nos dias da sua mocidade.;

Siga os impulsos do seu coração

e os desejos dos olhos;

mas saiba que de tudo isso Deus te pedirá contas.

Expulse a melancolia do seu coração

e afaste do seu corpo a dor,

porque juventude e cabelos bonitos são coisas que passam.

 

Lembre-se do seu Criador nos dias da sua mocidade,

antes que venham os dias maus,

e cheguem os anos dos quais dirá:

“Não sinto mais gosto para nada!”;

antes que se escureçam o sol e a luz, a lua e as estrelas,

e que voltem as nuvens depois da chuva;

no dia em que tremerem os guardas da casa, ,

e se curvarem os homens outrora fortes, ,

e cessarem os moedores, por já serem poucos,

e se escurecerem seus olhos nas janelas;

e as portas da rua, se fecharem;

e diminuir o ruído do moinho até parece-ser um canto de pássaro

e todas as canções emudecerem;

quando você ficar com medo das alturas,

e levar susto pelo caminho,

quando embranquecer como a amendoeira,

e o gafanhoto lhe for um peso,

e o tempero perder o sabor;

é porque você já está a caminho da sua morada eterna,

e os que choram a sua morte já andam rodeando pela praça;

antes que se rompa o fio de prata,

e o copo de ouro se quebre,

antes que o jarro se quebre na fonte,

e se parta a roldana no poço,

então você voltará à terra, de onde veio,

e o sopro de vida voltará a Deus, que o concedeu,.

Tudo passa, diz o Qohelet, Tudo!

 

Terminada leitura de Qohelet, se faz um momento de silêncio.

2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma conclusão

      1) O que aprendi ouvindo a experiência dos outros?

      2) O que aprendi de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?

      3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar para a vida?

3ª Rodada: rezar a Deus

*  Dirigir a Deus nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a descobrir a Palavra de Deus na vida.

      *  Rezar o Salmo 136: Seu amor é para sempre!

      *  Terminar com um Pai Nosso e um canto.

 

 

12º Círculo

Sobre o sentido da Vida na sua Plenitude

A experiência que Jesus teve de Deus e da vida

Jesus se inspirou em Qohelet

Lucas 12,22-34

 

      Acolhida

      Oração inicial

      Canto

1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes

Jesus conhecia o livro de Qohelet, pois era lido na sinagoga. Lendo os evangelhos você se dá conta como muitas das palavras de Jesus parecem vir da mesma experiência que está na origem do livro de Qohelet. Jesus viveu a vida com a mesma atitude crítica de Qohelet e chegou às mesmas conclusões. Na sua maneira de viver, de conviver e de transmitir sua experiência ao povo, Jesus se comportava como os sábios da época. O seu ensinamento é concreto, ligado às coisas da vida e à experiência diária do povo das aldeias da sua terra. A base do seu ensinamento são as parábolas que, por sua própria natureza, levam as pessoas a participar na descoberta dos valores. Uma parábola provoca os ouvintes a usar sua própria experiência para poder entender aquilo que o sábio quer comunicar. Passando os olhos nas coisas que Jesus afirma nas suas parábolas, é como se você estivesse olhando para a vitrina da vida do povo. Tudo aparece, tudo é analisado, tudo se torna fonte de experiência e porta para a descoberta da presença de Deus: semente, flores, crianças, comércio, trabalho, campo, dia, noite, tempo, barco, peixe, pescaria, lago, montanha, plantas, homem, mulher, amor, família, pão, fermento, sal, lâmpada, moeda, desemprego, assalto, arado, rede, espinhos, joio, trigo, fornalha, juiz, tesouro, tecido, pano, pérola, ricos, pobres, banquete, etc. etc.  Na sua convivência com os discípulos e discípulas, Jesus cria um ambiente em que se realiza a partilha das experiências e das qualidades e dons de cada um. Tudo é de todos. Vamos conversar sobre isto.

1. Num esforço de memória, cada participante tente lembrar um episódio ou ensinamento de Jesus que mais se parece com o que descobrimos no livro de Qohelet?

2. Vamos ouvir a opinião do próprio Jesus: Leitura de Lucas 12,22-34.

     Terminada leitura de Lucas, se faz um momento de silêncio.

2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma conclusão

      1) O que aprendi a partir do que ouvi dos participantes e do evangelho de Lucas?

      2) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar para a vida? Tente resumir tudo numa frase.

3ª Rodada: rezar a Deus

*  Dirigir a Deus nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a descobrir a Palavra de Deus na vida.

*  Rezar o Salmo 118(117): Vamos agradecer a Deus, pois seu amor é para sempre!

*  Terminar com um Pai Nosso e um canto.

*  Preparar o próximo encontro que será a celebração final.

 

Celebração Final

Recuperar o primeiro amor

 

      Acolhida

      Oração inicial

      Canto

Sentido desta Celebração Final:

Qohelet quer nos ensinar que o primeiro amor está lá na fonte da vida, na família. Não na família que se fecha sobre si mesma e não quer saber dos outros, mas na família que se abre para formar comunidade com as outras famílias. Só assim recuperamos o jeito novo e antigo de defender as pessoas e as famílias, e criamos um jeito eficiente e convincente de influir sobre a sociedade para transformá-la. A sociedade deve cumprir o seu papel de promover o bem das pessoas e das famílias, e não de favorecer os interesses de uns poucos.

É na família e na comunidade que a pessoa se forma. Ao longo dos séculos, as comunidades, as grandes famílias, adquiriram uma sabedoria própria para sobreviver, enfrentar os problemas da vida e transmitir isto para os filhos e filhas. Hoje, a sociedade influi tanto na vida familiar que chega a desfazer nas pessoas a herança da casa.

A experiência mostra que crianças são iguais no mundo inteiro. Tem os mesmos gestos, as mesmas manhas, as mesmas reações, o mesmo jeito de se relacionar. Mas na medida em que crescem, a sociedade e a cultura fazem as pessoas ficarem diferentes. Fazem as pessoas assimilarem e transmitirem tanto as simpatias, os amores e as preferências, como os ódios, as resistências e os, preconceitos e tantas outras atitudes inexplicáveis de amor e de ódio que aparecem nas pessoas.

O primeiro amor recebido na convivência na grande família, na comunidade, deve ser recuperado. Nele existe uma semente de vida que como a semente de mostarda, mesmo sendo pequena, pode cresce e produzir uma árvore grande, fonte de paz para os outros.

Celebração: O grupo planeja uma celebração, na qual partilha as descobertas feitas no estudo do livro de Qohelet