O
VARAL DA VIDA
Recuperar
o sentido das coisas
Carlos Mesters e Francisco Orofino
“A coisa mais
divina
que há no mundo
é viver cada
segundo,
como nunca
mais.”
Vinicius de Morais
Um primeiro
contato
O livro chamado Qohelet ou Eclesiastes desconserta a gente. Ele questiona tudo. Diz que tudo nesta vida é como coisa que não vale nada. Para ele, tudo passa, nada tem consistência. Se você for enumerar as coisas que ele questiona, vai sobrar pouco. Sobra nada, quase nada! O estribilho que ele repete, do começo ao fim é este: “Tudo é vaidade! Miragem! Corrida atrás do vento! Ilusão! Tudo passa!”
Até parece que o autor faz questão de provocar a gente. Lendo uma ou duas vezes o livrinho dele – (é curto; só tem onze breves capítulos) - você tem a sensação de que ele está querendo dar um recado para muita gente: gente que se esforça para acumular riqueza (Qo 2,8; 5,10); gente que quer ser justo (Qo 3,16-17; 7,16); gente que trabalha a vida inteira para garantir um dinheirinho para os filhos (Qo 2,18.21); gente que quer ensinar os outros e não pára de estudar para adquirir a sabedoria (Qo 1,16); gente que faz parte do governo ou quer dar uma ajuda na coordenação da comunidade (Qo 4,13-16); gente que busca prazer e alegria (Qo 2,1); e assim por diante! Uma depois da outra, sem piedade nenhuma, todas estas e tantas outras atividades são criticadas ou relativizadas.
Lendo e percebendo o que ele escreve, qualquer um de nós se sente atingido pelo jeito de ele dizer as coisas, e de dentro da gente vem a seguinte reação: “Esse fulano está mexendo comigo, com minha vida! Por que será que ele critica essas atividades tão boas e honestas que todos nós, de uma ou de outra maneira, praticamos?” De fato, ele diz coisas que todos já experimentamos alguma vez na vida, mas que não tivemos a coragem de expressar ou, talvez, nem nos passou pela cabeça a idéia de pensar como ele pensa.
A gente pode até não concordar com as idéias dele e achar que ele exagera, mas em muitos dos assuntos que ele aborda, a gente é levada a concordar e dizer: “É mesmo!” É porque ele tem um jeito de argumentar que provoca. Dá vontade de conversar com ele e de questiona-lo: “Você tem razão, fulano! Mas tem que ter alguma coisa na vida pela qual vale a pena viver. Pois se nada tem valor, o que me adianta estar vivo e me esforçar por alguma coisa!?”
Ora, é exatamente esta a reação que ele quer provocar
Esta maneira de se comunicar provocando e cutucando os outros era o jeito próprio dos sábios daquela época. Fazia parte do método de ensino deles. Não davam tudo pronto, trocado em miúdo, mas levavam as pessoas a participar no processo da descoberta da verdade. O método de ensino deles fazia com que os discípulos descobrissem, eles mesmos, as coisas. Os sábios não impunham verdades, mas apontavam caminhos, abriam horizontes, mostrando que um outro mundo só é possível através da participação de todos.
Qohelet usa este método dos sábios. De um lado, ele vai tirando as aparências, as fachadas da moda, revelando a vaidade e a ilusão das coisas que tanto nos preocupam: segurança, dinheiro, carro, casa, sabedoria, poder, saúde, prazer, moda, estética, dieta, tecnologia, aeróbica, tudo. Por isso, ele repete, sem cessar, o estribilho: Tudo passa! Tudo é vaidade e ilusão! Nada tem valor De outro lado, ao longo dos capítulos, um outro estribilho começa a ressoar baixinho pelo livro: Preste atenção! Algo tem valor! Tente descobri-lo!. Meio vago no início, este segundo estribilho vai aumentando em volume na medida em que se chega ao fim do livro, sugerindo que nem tudo é vaidade! Existe algo que permanece e que pode dar sentido a todo o resto. Deste modo, como bom sábio, Qohelet nos provoca e cutuca, e nos coloca no caminho da busca. A gente só tem a agradecer o esforço que ele fez.
O Livro
O livro dele parece um longo varal de um fio só. É o fio da vida, suspenso em sete postes bem altos. O gancho inicial, onde o começo do fio está amarrado ou sai da parede do nosso passado, vêm da experiência que lhe dizia: “Tudo é miragem! Tudo passa!” (cf. Qo 1,2)
Em seguida, lendo e percorrendo as páginas, você vai entrando pelo livro adentro, e Qohelet o leva pelas ruas e bairros da vida. Você vai com ele, puxando consigo o fio da sua vida, observando e comparando as coisas que ele aponta.
Ao longo desta caminhada, cansativa e repetitiva, ele
faz sete pequenas paradas. Coloca sete postes para você sustentar o fio da sua
vida. É para evitar que o fio toque o chão, provoque um curto-circuito e jogue
você no desânimo. Nestas sete paradas ou sete frases, ele vai sugerindo que nem
tudo é vaidade. Nem tudo é miragem ou corrida atrás do vento. Dentro da
fugacidade inevitável da nossa existência existe algo que permanece, que vale a
pena. Algo que a gente deve aproveitar e aprofundar, para que a vida tenha um
sentido; para que, apesar de todos os contratempos, frustrações e decepções,
encontremos uma luz que nos anime a continuar na luta
O desenho dá
uma idéia do livro de Qohelet. Ele mostra os dois ganchos, o inicial e o final,
os sete postes e o fio do varal
cheio da roupa lavada das coisas da vida:

O livro do
Qohelet é como um rio. Percorrendo o rio de barco, você não percebe divisões
dentro da água. Rio não tem divisão. É um fluxo só, do começo ao fim. As
divisões, você as marca a partir da margem. Por exemplo: “O trecho que vai
desde aquela casa na curva até à palmeira na outra curva”. Mas dentro da água
você não percebe divisão nenhuma. Assim é o livro de Qohelet. Flui como um rio.
Tem curvas e trechos retos, alguns mais longos, outros mais curtos. Por isso,
as suas divisões não são muito precisas. Você as marca subindo nos sete postes
fincados na margem que lhe permitem observar o fluxo do rio como que de fora e
perceber de onde vem e para onde vai.
No fim do livro, no gancho do lado oposto, onde você amarra o outro lado do fio da sua vida na parede da eternidade, ele repete e completa a mensagem: “Ó suprema fugacidade! Tudo passa!” (Qo 12,8). Sim, tudo é ilusão e miragem! Tudo passa, pois a sua vida já passou! Mas olhando para trás e meditando tudo o que ele escreveu, você vai perceber que algo permanece dando sentido a todo o resto da sua vida!
O Autor ou a
Autora
A pessoa que escreveu o livro apresenta-se a si mesma como Qohelet (Qo 1,12; cf 1,1.2; 7,27; 12,8.9.10). Outros chamam o livro de Eclesiastes. Qohelet é uma palavra hebraica. Vem de Qahal, que significa Comunidade. Eclesiastes é uma palavra grega. Vem de Ecclesia, que também significa Comunidade. Qohelet ou Eclesiastes deve ter sido uma pessoa que falava na comunidade, ou melhor, alguém que expressava os anseios da comunidade. Porta-voz daquilo que a comunidade sentia e vivia! Provavelmente, se trata de uma pessoa que participava das reuniões dos sábios, nas quais, à luz da fé, se discutiam a situação do povo e os problemas da vida da comunidade.
Qohelet se apresenta como filho de Davi (Qo 1,1). Ou seja, a pessoa que escreve esconde-se atrás da figura de Salomão, filho de Davi, rei em Jerusalém (Qo 1,12.16), que ficou conhecido na história como rei muito sábio (1Rs 5,9-14). Na realidade, o livro não foi escrito pelo rei Salomão do século IX antes de Cristo, mas sim, como veremos, por alguém que viveu bem depois, no século III antes de Cristo. É possível que tenha sido uma mulher, pois a forma gramatical da palavra Qohelet é feminina. Talvez tenha sido uma mãe de família, mulher sábia e sensata, pé no chão, que observava as coisas da vida e sempre encontrava uma saída para os impasses do dia-a-dia (cf 2Sam 20,16). O livro dos Provérbios faz o elogio da mulher sábia e previdente (Prov 31,10-31) e afirma: “Muitas mulheres são fortes, mas você superou a todas elas. A graça é enganadora e a beleza é passageira, mas a mulher que teme a Javé merece louvor. Cantem o sucesso do trabalho dela, e que suas obras a louvem na praça da cidade!” (Prov 31,29-30) Por isso mesmo, muitas vezes, nos livros sapienciais a sabedoria aparece personificada como mulher (Prov 8,22-31).
Percorrendo o conteúdo do livro, a gente
percebe que Qohelet era uma pessoa que procurava estar por dentro daquilo que
se passava no país e no mundo e, ao mesmo tempo, vivia bem integrada na
família, junto com o pessoal da comunidade. Tinha um sentimento forte de
responsabilidade pela casa. No seu
livro, ele tenta transmitir uma espiritualidade caseira. Era uma pessoa conservadora no sentido positivo da
palavra, pois procurava conservar as
tradições que tinha recebido dos antepassados e que davam ao povo consciência
de identidade, de pertença. Se fosse hoje, Qohelet seria coordenador ou
coordenadora de uma comunidade. Estaria por dentro da situação do povo e
acompanharia os acontecimentos da política, da igreja e da situação social e
econômica do país. Qohelet observava como muitos viviam lutando, se esforçando
mas, no fim, acabavam insatisfeitos e frustrados. Pois, apesar de todas as
atividades tão boas, estas pessoas não souberam conviver nem criar relações
duradouras, não souberam ser humanas. Algo lhes faltava. Esqueceram a base, a
raiz, a comunidade, a família, ou, como diziam naquele tempo: “Esqueceram a
mãe!” Naquele tempo, quem formava as pessoas para a vida era a mãe
Os assuntos
que Qohelet aborda e critica
É difícil encontrar uma ordem na seqüência dos assuntos que Qohelet pendurou no varal da vida. As coisas são enumeradas do jeito que acontecem na vida, conforme chegam na memória ou conforme a gente as encontra na rua por onde passamos. Eis um exemplo de como os assuntos aparecem em alguns capítulos. (É bom lembrar que a divisão artificial em capítulos foi feita posteriormente):
No capítulo 1, falando a partir de sua própria experiência pessoal, Qohelet afirma que não existe nada de novo debaixo do sol (Qo 1,2-11). É perder tempo querer investigar todas as coisas e correr atrás das novidades da moda (Qo 1,12-15) e não vale a pena esforçar-se para adquirir a sabedoria (Qo 1,16-18).
No capítulo 2, continuando a falar a partir da sua experiência pessoal como rei em Jerusalém (Qo 2,7), ele afirma que buscar alegria e prazer (Qo 2,1-2), entregar-se à bebida (Qo 2,3), realizar grandes obras (Qo 2,4-6), acumular riquezas com a ajuda de muitos escravos (Qo 2,7-8ª), ter muitas mulheres (Qo 2,8b), ter muito poder (Qo 2,9), satisfazer todos os desejos (Qo 2,10), tudo isso não lhe trouxe nenhum benefício (Qo 2,11), pois ele não sabe quem vem depois dele para tomar conta de tudo e dar continuidade (Qo 2,12-16). E ele se pergunta se ainda tem sentido trabalhar tanto para nada (Qo 2,17-23).
No capítulo 3, ele observa que tudo tem o seu tempo: o bem e o mal, a paz e a guerra, viver e morrer, etc, e que não há jeito de alguém mudar esta ordem (Qo 3,1-8), pois ela vem de Deus (Qo 3,9-15). Qohelet se pergunta se há vantagem em a gente ser gente. Ele não vê muita diferença entre o ser humano e o animal (Qo 3,16-21).
No capítulo 4, ele aborda os problemas da opressão e do choro dos pobres e oprimidos (Qo 4,1-3), da competição e da concorrência (Qo 4,4-6), do trabalho exagerado de gente que vive sozinho sem ajuda de ninguém (Qo 4,7-12), do rei velho que não aceita conselho e do jovem sábio que não é aceito pelo povo (Qo 4,13-16). No fim, ele fala das promessas que as pessoas fazem a Deus (Qo 4,17).
No capítulo 5, ele continua falando da seriedade das promessas feitas a Deus. É melhor não fazer nenhuma promessa do que fazer promessa e não cumpri-la (Qo 5,1-7). Em seguida, começa a falar da opressão e da riqueza que traz tanta preocupação (Qo 5,9-11) e da riqueza que se perde em maus negócios (Qo 5,12-16).
..... e assim ele continua até o fim do livro....
Todas estas e muitas outras coisas e atividades são enumeradas sem ordem, como roupa no varal, alternadas com o mesmo estribilho que se repete, usando palavras diferentes, mas sempre com o mesmo sentido, sem parar: “Tudo é vaidade e miragem! Tudo é ilusão sem sentido, corrida atrás do vento! Tudo na vida é fugaz. Tudo passa!”. (Qo 1,2.14.17; 2,1.11.15.17.19.21.23.26; 3,19; 4,4.8.16; 5,9.15.19; 6,2.9.12; 7,6.15; 8,10.14; 9,9; 11,8.10; 12,8). Na ponta do lápis: 29 vezes! É muito!
Os sete postes
que sustentam o fio do varal da vida
Toda esta fugacidade da vida humana é observada por Qohelet a partir de sete postes que sustentam o fio do varal da vida. Os postes são frases, nas quais descreve aquilo que, para ele, tem consistência e valor. Como se quisesse sugerir: “Olhe bem! Nesta vida nem tudo é vaidade e corrida atrás do vento! Há alguma coisa que não passa, que não é vaidade, algo que tem valor e que nos pode ajudar a experimentar a eternidade no meio desta vida tão passageira!”.
Eis os sete postes, as sete frases que sustentam o
fio da vida, pendurado entre o gancho inicial e o gancho final. Enquanto você
for lendo estas frases, tente fazer uma síntese ou um resumo dos assuntos que
nelas são abordados:
1º Poste: 2,24-25:
Vejam: a felicidade do
ser humano está em comer e beber, desfrutando o produto do seu trabalho.
Contudo, percebo que isso vem das mãos de Deus. De fato, quem pode comer e
beber, sem que isso lhe venha da mão de Deus? A quem lhe agrada, Deus concede
sabedoria, conhecimento e alegria.
2º Poste: 3,12-15:
Compreendi que não
existe para o ser humano nada melhor do que se alegrar e agir bem durante a
vida. E compreendi também que é dom de Deus que o homem possa comer e beber,
desfrutando do produto de todo o seu trabalho. Compreendi que tudo o que Deus
fez dura para sempre. A isso nada se pode acrescentar, e disso nada se pode
tirar. Deus fez assim para que os homens tenham temor de Deus. O que existe, já
havia existido; o que existirá, também já existiu. Deus recupera o que
passou (outra tradução: “Deus busca
aquilo que foge”.)
3º Poste: 3,22:
Percebo que não há nada
melhor para o ser humano do que se alegrar com o trabalho que faz aqui e agora.
Esta é a porção que lhe cabe. Pois, ninguém lhe fará ver o que acontecerá
depois dele.
4º Poste: 5,17-19:
Concluí que a felicidade
do ser humano consiste em comer e beber, usufruindo o bem de todo o seu
trabalho, com que se afadigou debaixo do sol, durante os poucos dias da vida
que Deus lhe concede; porque esta é a sua porção. Todo ser humano que recebe de
Deus riquezas e bens para que possa sustentar-se, ter a sua porção e gozar do
seu trabalho, deve considerá-lo como dom de Deus. Desse modo, ele não se
preocupará demais com sua vida fugaz, porque Deus o mantém ocupado na alegria
do seu coração.
5º Poste: 7,13-14:
Procure compreender a
obra de Deus, porque ninguém endireita o que Ele encurvou. Esteja alegre no dia
feliz, e no dia da desgraça procure refletir, porque um e outro foram feitos
por Deus, para que o ser humano nunca possa descobrir nada do seu próprio
futuro.
6º Poste: 8,15:
Exalto a alegria, porque
não existe felicidade maior para o ser humano debaixo do sol do que comer,
beber e alegrar-se. Essa é a única coisa que lhe serve de companhia na fadiga,
nos dias contados da vida que Deus lhe concede debaixo do sol.
7º Poste: 9,7-10:
Portanto, vá, coma o seu
pão com alegria e beba o seu vinho com satisfação, pois Deus já de antemão se
agrada do trabalho que você realiza. Que suas roupas sejam alvas o tempo todo,
e nunca falte perfume em sua cabeça. Goze a vida com a esposa que você ama,
durante todos os dias de vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol. Essa
é a porção que lhe cabe na vida e no trabalho com que você se afadiga debaixo
do sol. Tudo o que você puder fazer, faça-o enquanto tiver forças, porque no
mundo dos mortos, para onde você vai, não existe ação nem pensamento, nem
ciência, nem sabedoria alguma.
São sete frases, quase iguais. Mudam só algumas palavras, mas o assunto é
sempre o mesmo. Alegrar-se é repetido
sete vezes! Desfrutar o fruto do
trabalho, seis vezes! Viver com Deus,
seis vezes!. Comer e beber, cinco vezes! Eis um resumo:
Nada há
melhor para o ser humano do que alegrar-se, comer e beber, desfrutar o fruto do
trabalho, pois tudo isto vem da mão de Deus, nos poucos dias da vida.
Estes sete postes são como sete lâmpadas. Iluminam a vida pendurada no
varal. Iluminam as frustrações, tristezas, decepções, amarguras, lágrimas,
esforços, tudo aquilo que, aparentemente, não parece ter nenhum valor nem
sentido. E o iluminam a partir da experiência tão caseira e tão passageira que
todos fazemos, todos os dias, em casa, na família, na comunidade, no trabalho,
a saber: comer, beber, amar, trabalhar honestamente, gozar do fruto do
trabalho, alegrar-se e estar convencido de que Deus já nos aceitou na sua
bondade. Ser feliz no dia-a-dia em casa com a família na comunidade. Para
Qohelet, esta é a base. E o resto, que valor tem para ele?
Todo o resto: governo, igreja, mandamentos, religião, leis, política,
riqueza, viagens, poder, obras, organização, tempo, sabedoria, estudo, livros,
promessas, moda, máquinas, carro, tecnologia, armas, terra, tudo que fizermos
perde o seu valor e se torna corrida atrás do vento, se não for para melhorar e
reconstruir o relacionamento humano entre nós em bases de fraternidade na
família, na comunidade! Para Qohelet, tudo deve estar a serviço do
fortalecimento e do crescimento deste núcleo básico da vida, hoje tão ameaçado:
a família, a comunidade. Só assim “um outro Mundo é possível!” Pois quem deixar
de lado a preocupação com estas coisas fundamentais da vida, tudo o que ele
fizer, por melhor que seja, será reboque em parede rachada, enxerto em galho
morto, “miragem, engano, ilusão, corrida atrás de vento que passa”. Não
consertará a vida. É neste núcleo básico da convivência humana que a pessoa se
descobre como gente e que ela vai poder reencontrar-se consigo, com os outros,
com Deus, com o tempo, com as coisas, com o sentido de sua vida, com o
universo, e é lá que ela criará as condições favoráveis para a reconstrução da
convivência humana.
O esquema
básico do livro de Qohelet
A partir de
tudo que vimos, podemos agora apresentar um esquema que serve como chave de
leitura para seguir melhor o pensamento expresso no livro de Qohelet. Os sete
postes que sustentam o fio do varal permitem fazer sete divisões. As peças de
roupa lavada da vida estão penduradas no fio, sem muita ordem. Eis o Varal da Vida com seus dois ganchos e
sete postes:
Qo 1,1-3: Gancho inicial: Tudo é Vaidade! Será?
Qo
Qo
2,24-25: Primeiro Poste: Olhe
bem! Nem tudo! Algo tem valor!
Qo
Qo
3,12-15: Segundo Poste: Olhe
bem! Nem tudo! Algo tem valor!
Qo 3,16-21: Terceiro
pedaço do varal: Tudo é
frustração!
Qo
3,22: Terceiro Poste: Olhe
bem! Nem tudo! Algo tem valor!
Qo
Qo
5,17-19: Quarto Poste: Olhe
bem! Nem tudo! Algo tem valor!
Qo
Qo
7,13-14: Quinto Poste: Olhe bem! Nem tudo! Algo tem valor!
Qo
Qo
8,15: Sexto Poste: Olhe bem! Nem tudo! Algo tem valor!
Qo
Qo
9,7-10: Sétimo Poste: Olhe bem! Nem tudo! Algo tem valor!
Qo
Qo
Qo 12,9-14: Breve
conclusão do editor do livro

O contexto da época em que o livro foi
escrito
Por que Qohelet chegou a pensar desse jeito? O que o levou a fazer essa
crítica tão radical? Por que ele insiste tanto nessas coisas tão simples e
caseiras da vida familiar e comunitária? A resposta está no contexto da época
em que ele vivia.
O livro não traz data. De acordo com as informações do próprio autor deveríamos concluir que ele era do tempo de Salomão, filho de Davi (Qo 1,1), século X antes de Cristo. Mas isto é um recurso literário. Naquele tempo, era comum uma pessoa esconder-se atrás de figuras importantes e significativas do passado para comunicar sua mensagem. Por exemplo, na Bíblia, todas as leis são atribuídas a Moisés; todos os salmos são atribuídos a Davi; toda a conquista da terra é atribuída a Josué. Da mesma maneira, grande parte dos livros da área da sabedoria é atribuída a Salomão: Provérbios (Prov 1,1; 10,1; 25,1), Cântico dos Cânticos (Cant 1,1); Eclesiastes (Qo 1,1).
Na realidade, o livro foi escrito no século III aC, em torno do ano 250, época do império grego, bem depois do exílio da Babilônia. Foi escrito para fazer frente às ilusões e miragens com que a ideologia do império enganava o povo naquele tempo.
O exílio da Babilônia havia terminado em 538. O decreto de Ciro, rei da Pérsia, permitiu o retorno dos exilados (Esd 1,2-4). Mas só voltou o grupo dos que queriam restaurar o passado restabelecendo a monarquia e criando independência política (Esd 1,11; 2,1-2.64). Mas estes não tiveram sucesso. O império persa os impediu.
A maioria continuou no exílio e por lá se
estabeleceu. Como tinha recomendado Jeremias, casaram e arrumaram emprego (Jer
29,4-7). Eles achavam que, em nome de
Deus, deviam aceitar o jugo do rei estrangeiro (Jsr 27,8.12.17). Nabucodonosor
e Ciro eram vistas como pessoas enviadas por Deus, como “servos” de Deus (Jer
27,6; 43,10; Is 45,1).
Para não perder sua identidade como povo de Deus no
meio daquele mundo hostil, eles começaram a ler a realidade com uma mentalidade
ambígua que, mais tarde, jogou o povo numa grande e desastrosa armadilha. De um
lado, insistiam na observância da lei de Deus (Esd 7,26; Ne 8,1-6; 10,29-30) e
na manutenção da pureza da raça (Esd 9,1-2). De outro lado, através de influência política junto ao poder
imperial, procuravam barganhar para si o privilégio da autonomia religiosa,
isto é, a licença do rei para poder viver segundo a Lei de Deus. Deste grupo
eram Neemias, Esdras e uma parte da elite pensante.
Para
alcançar este objetivo, nasceu neles o desejo de transformar Jerusalém numa
cidade símbolo, sinal de unidade para todos os judeus que, dispersos no império
persa, procuravam viver na fidelidade à Lei de Deus. Por isso, pediram licença
ao rei para poder reconstruir a cidade de Jerusalém.
Assim, quase cem anos depois do decreto de Ciro, em
445, Neemias, ministro de confiança do rei da Pérsia, sem abandonar o emprego
na corte, conseguiu licença do rei persa para ir a Jerusalém a fim de
reorganizar o povo ao redor do Templo e reconstruir as muralhas da cidade (Ne
2,4-9; 3,38). Depois de ter realizado sua missão voltou para o seu emprego em
Suza, capital do império. Em 398, Esdras deu continuidade ao trabalho de
Neemias (Esd
Este apoio tão grande dos reis da Pérsia a Esdras e Neemias era motivado, da parte do império persa, pelo interesse político de ter aliados de confiança na fronteira com o Egito, eterno inimigo da Pérsia, e de manter o domínio sobre os povos através do favorecimento das elites locais. Assim, o interesse político do império contribuiu para aprofundar e consolidar nos judeus a mentalidade ambígua. Através da barganha junto ao poder político do rei, conseguiram o privilégio da liberdade religiosa e a licença para a reconstrução da cidade de Jerusalém como símbolo da unidade do povo disperso pelo mundo. Em troca, esta elite sacerdotal apoiava totalmente a política do império.
3. As duas tendências, filhas da mesma ambigüidade
No decorrer dos anos, destas duas tendências (de um lado, a atitude de abertura e barganha frente ao império e, de outro lado, a insistência na lei, na raça e no templo) surgiram dois grupos inimigos que lutavam entre si pela liderança, ambos se apoiando tanto no império como na religião: de um lado a elite sacerdotal, dando mais ênfase na abertura e na barganha; do outro lado, os doutores da lei e os escribas, acentuando mais a observância da lei.
Para os da abertura e da barganha, a frase “A Lei de Deus é a Lei do Rei” devia ser entendida assim: “Em obediência a Deus, sigamos a lei do Rei. Temos que aceitar o seu domínio sobre nós”. Assim, em nome de Deus, acolhiam tudo que vinha do poder, inclusive a cultura grega e as expressões do culto imperial. Era esta a posição da elite sacerdotal.
A invasão cultural vinda da Grécia para todo o Médio Oriente já havia começado durante o período do domínio persa (538-333), mas assumiu uma forma mais agressiva no período do domínio grego (333-152). O comércio, os produtos, os conselheiros, os viajantes, as caravanas, a propaganda, e tantos outros fatores levavam os povos dominados a esquecer suas próprias raízes para seguir em tudo a moda da cultura grega. No século II aC, isto chegou ao absurdo de se criar associações gregas em Jerusalém com chapeuzinho e roupa própria (2Mac 4,10-14; 1Mac 1,11-15). Chegaram a introduzir à força os costumes gregos, sem nenhuma consideração pela tradição e pelos costumes do povo. É trágica a descrição que faz o livro dos Macabeus: sacerdotes abençoando os jogos “gymnásticos” no “gymnasium”, sem dar atenção ao templo (2Mac 4,14-16). Seria o que hoje se chama a ilusão da classe alta de ser do primeiro mundo.
Além disso, o enriquecimento progressivo desta elite, legitimado pelas leis do império, levou ao empobrecimento de grande parte do povo, como transparece no livro de Jó, escrito na mesma época (Jó 24,1-12) e a uma escravização progressiva dos pobres, iniciada já na época de Neemias (Ne 5,1-5). A corrupção desta elite levou à perseguição e morte na época dos Macabeus (2Mc 6,1-11; 7,1-41).
Para não se sentirem culpados diante do empobrecimento de tanta gente, esta elite começou a ensinar que Deus retribuía com a bênção da riqueza material aos que observavam em tudo a sua lei. A pobreza, ao contrário, era explicada como um sinal evidente de maldição, de castigo divino. Assim, os ricos tranqüilizavam sua consciência e neutralizavam as vozes críticas dos profetas. Era o que hoje se chama a Teologia da Prosperidade. Erroneamente, eles procuravam apoiar este modo estranho de pensar que, até hoje, transparece nas entrelinhas de alguns textos bíblicos. Por exemplo, na maldição que condena à pobreza os que não observam a lei (Dt 28,29-34). Ou em alguns provérbios, nos quais a pobreza aparece como fruto de preguiça ou como castigo de Deus (Prov 10,15; 19,4; 22,2.4).
Na medida em que a tendência da abertura e da
barganha frente ao poder político do império crescia para além dos limites
permitidos pela Lei, a outra tendência mais nacionalista dos doutores da lei e
dos escribas explicava a frase: “A lei do
Rei é a lei de Deus” de maneira contrária: “O rei quer que sigamos em tudo
a Lei de Deus! Portanto fixemos-nos no que é de Deus: observância da lei, culto
no Templo e pureza da raça. Não podemos perder nossa identidade”. Tragicamente,
a insistência na lei, no templo e na pureza da raça levou-os a um
fundamentalismo alienante e à expulsão das mulheres estrangeiras com seus
filhos (Esd 10,1-4; Ne 10,32). Esta
maneira de viver a fé levou os judeus a se distanciar do mundo ao redor e a
perder a simpatia dos povos.
Assim, o total desprezo da elite sacerdotal pela reação popular levou os outros a se fechar na lei, no templo, na raça. Isto explica como no tempo de Jesus havia aquela inimizade tão grande entre sacerdotes e saduceus de um lado e fariseus e escribas de outro lado.
O testemunho
de Qohelet
Ambas as tendências, filhas gêmeas do mesmo engano
ambíguo, eram um beco sem saída. Por isso, pouco a pouco, começavam a aparecer
pessoas que eram contra o que estava acontecendo. Ao longo dos séculos VI a IV,
os livros de Jonas, Rute, Jó, Cântico dos Cânticos, os capítulos
Qohelet não apresenta um projeto alternativo, mas aponta um rumo. Ele oferece critérios de análise para os leitores e as leitoras adquirirem uma consciência mais crítica frente às várias tendências da época. Seu livro reflete as conversas dos sábios que analisavam a conjuntura da época e buscavam saídas. Qohelet participava desses encontros dos sábios. Era um deles. Seu livro traz o resultado desse trabalho de grupo. Como bom representante da tradição sapiencial, ele pede ao povo para voltar ao primeiro amor. Deve parar para pensar! Ele critica a sede de riqueza e a mania de correr atrás das novidades do momento que alienavam as pessoas de si mesmas. Critica a pretensa justiça de alguns e sua maneira errada de observarem a lei de Deus. Ajuda os pobres a quebrar o encanto da ideologia dominante e convida-os a reencontrar o sentido da vida e a raiz da alegria na fé, no trabalho honesto e na vida em família e na comunidade.
Deduzindo daquilo que se pode observar nas linhas e nas entrelinhas do seu
escrito, o testemunho de Qohelet era de: ....
.... uma pessoa caseira
Qohelet sentia sua casa ameaçada pela invasão das novidades da cultura
estrangeira e, por isso mesmo, deve ter tido problemas familiares em casa com
os filhos. Chegou a ter um certo bem-estar, mas os filhos não souberam apreciar
nem administrar o que herdaram ou receberam do pai ou da mãe:
“Pela preguiça das mãos, o teto
desaba; e por causa de braços frouxos goteja a casa. Para se divertirem fazem
banquete, e o vinho alegra a vida. O dinheiro providencia tudo!” (Qo 10,18-19).
“Detesto todo o trabalho com que me
afadigo debaixo do sol, porque devo deixar tudo para um homem que virá depois
de mim. E quem sabe se ele será sábio ou insensato? De qualquer maneira ele
será o dono de tudo que fiz debaixo do sol com a minha fadiga e sabedoria” (Qo
2,18-19).
“Goze a vida com a esposa que você
ama durante todos os dias da vida fugaz que Deus lhe concede debaixo do sol.
Essa é a porção que lhe cabe na vida e no trabalho com que você se afadiga
debaixo do sol” (Qo 9,9)
“Às vezes se ouve dizer: ´Veja: isso
é uma coisa nova!´Mas ela já existiu em outros tempos, muito antes de nós.
Ninguém se lembra dos antigos, e aqueles que hoje existem não serão lembrados
pelos que virão depois deles” (Qo 1,9-11)
.... uma pessoa trabalhadora
Qohelet soube valorizar o trabalho honesto. Esforçou-se não só para
adquirir bens para si mesmo, mas também para ajudar os outros. Porém, teve
decepções nesta área. Para ele, o trabalho deveria servir para garantir a
sobrevivência da Casa, da família. Ele trabalhava para viver, e não vivia para
trabalhar. Não entendia como alguém pudesse fazer do trabalho um instrumento
que visava lucro ou que tinha como finalidade o enriquecimento dos outros:
patrão, rei, empresário, etc.
“Quem gosta de dinheiro, nunca se
sacia de dinheiro. Quem é apegado às riquezas, nunca se farta com a renda. Isso
também é fugaz. Quando as riquezas aumentam crescem também aqueles que as
devoram. Que vantagem tem o proprietário além de ficar sabendo que é rico. Coma
muito ou coma pouco, o sono do trabalhador é gostoso, enquanto a fartura do
rico não o deixa dormir” (Qo 5,9-11).
“Realizei grandes obras: construí
palácios para mim, plantei vinhas, fiz jardins e pomares com todo tipo de
árvores e construí reservatórios de água para regar as árvores do pomar.
Examinei todas as obras que eu havia feito e o trabalho que elas tinham custado
para mim. E conclui que tudo é fugaz e uma corrida atrás do vento, e que não há
nada de permanente debaixo do sol” (Qo 2,4-6.11)
“Vi também que todo trabalho e todo empenho
que o homem coloca nas suas obras é fruto de competição recíproca. Isso também
é fugaz e uma corrida atrás do vento. Mais vale um bocado com lazer, do que
dois bocados com fadiga, correndo atrás do vento” (Qo 4,4.6)
.... uma pessoa sábia de bom senso
Qohelet se deu conta de que a opinião do pessoal da alta sociedade não
valia muito, carecia de sabedoria e podia levar as pessoas a se enganar
redondamente. Muitos só visavam o carreirismo e passavam a perna nos outros.
“Vi debaixo do sol este exemplo de
sabedoria que me pareceu muito importante. Havia uma pequena cidade com poucos
habitantes. Um grande rei foi contra ela. Cercou-a e construiu contra ela
máquinas de guerra. Nela se encontrou um homem de origem pobre, mas sábio. Com
sua sabedoria salvou a cidade. Contudo, ninguém mais se lembrou desse homem
pobre. Por isso concluo que a sabedoria vale mais que a força, porém, a
sabedoria do pobre é desprezada, e ninguém dá ouvidos às palavras dele” (Qo
9,13-16)
“Observei mais uma coisa debaixo do
sol: não é o mais veloz que ganha a corrida, nem é o mais forte que ganha a
batalha. O pão não é para os mais sábios, nem as riquezas para os mais
inteligentes, nem o favor para os mais cultos, porque tudo depende do tempo e
do acaso” (Qo 9,11)
“Palavras calmas de sábios são mais ouvidas do
que os gritos de um poderoso, que fala no meio dos insensatos. Mais vale a
sabedoria do que os instrumentos de guerra, mas um só erro pode anular muita
coisa boa” (Qo 9,17-18).
.... uma pessoa com percepção política
Qohelet tinha uma certa influência junto aos governantes, mas se
decepcionou com eles. Não despreza o poder, ele vê e percebe a sua importância.
O que ele critica e o que o decepcionou é a maneira como o poder é exercido e
sobretudo a corrupção.
“Ai de você, país governado por um
jovem, e cujos príncipes se banqueteiam desde o amanhecer! Feliz de você, país
governado por um rei nobre, cujos príncipes comem na hora certa para se
refazerem e não para se banquetearem! (Qo 10,16-17)
“Mais vale um jovem pobre e sábio
que um rei velho e insensato, que não aceita mais conselho, mesmo que o jovem
tenha saído da prisão para reinar, e ainda que tenha nascido mendigo no reino”
(Qo 4,13).
“Se você vê num Estado a opressão do
pobre, o direito e a justiça violados, não se espante com isso, pois quem está
no alto tem sempre um mais alto que o vigia e sobre os dois há um mais alto
ainda. O interesse do país deve ser considerado no conjunto e até o rei depende
da agricultura” (Qo 5,7-8)
“Vi outro mal debaixo do sol, um
erro cometido pelo soberano: o insensato ocupando os mais altos cargos e os
hábeis em posições bem inferiores. Vi escravos andando a cavalo e príncipes
andando a pé como se fossem escravos” (Qo 10,4-7).
.... uma pessoa que irradiava uma nova experiência de Deus e da vida
Aqui está o centro da preocupação de Qohelet e o núcleo da mensagem que ele
quer comunicar neste livro das suas memórias e que transparece, sobretudo nos
sete postes. Qohelet foi um místico. Deus era tudo para ele. Ele teve uma
experiência de eternidade nas coisas mais comuns da vida humana: comer, beber,
alegrar-se, amar, trabalhar, descansar. Era nestas coisas, as mais simples e as
mais passageiras de todas, que Qohelet encontrava a porta para entrar em
contato com a eternidade, com Deus. Ele chegou a dizer: “Compreendi que é um dom de Deus que o ser humano possa comer e beber,
desfrutando do produto de todo o seu trabalho. Compreendi que tudo isso que
Deus fez dura para sempre!” (Qo 3,13-14). Desta experiência ele tirou a luz
para iluminar e apreciar as outras atividades.
Qohelet não fala muito da religião oficial, nem do Templo e dos sacrifícios
que nele se ofereciam diariamente (Qo 4,17). Sua experiência de Deus é
diferente. É a experiência da própria vida. É uma radiografia do dia-a-dia. Eis
algumas frases que são como janelas abertas, através das quais a gente consegue
adivinhar, ainda que de longe, o que se passava no fundo da alma de Qohelet:
* Deus está presente em casa, no fruto do trabalho, nas coisas mais comuns
da vida, como comer, beber, alegrar-se com todos na comunidade:
“Vejam: a felicidade do ser humano
está em comer e beber, desfrutando o produto do seu trabalho. Contudo percebo
também que isso vem das mãos de Deus. De fato, quem pode comer e beber, sem que
isso lhe venha de Deus?” (Qo 2,24-25)
* Deus está presente na alegria da vida simples em família:
“Goze a vida com a pessoa com quem
casou e que você ama, durante todos os dias da vida fugaz que Deus lhe concede
debaixo do sol. Essa é a porção que lhe cabe na vida e no trabalho com que você
se afadiga debaixo do sol” (Qo 9,9)
* Deus está presente no tempo que foge, na sucessão dos dias, meses e anos:
“Tudo o que Deus fez é apropriado
para cada tempo. Ele colocou o senso da eternidade no coração do ser humano,
mas sem que este possa compreender a obra que Deus realiza do começo ao fim”
(Qo 3,11)
“O que existe, já havia existido antes. E o
que existirá, também já existiu. Deus busca o tempo que nos escapa” (Qo 3,15)
(Outra tradução: “Deus recupera o que passou”)
* Deus está presente no hoje, aqui e agora. Assim, ele impede que a gente
se preocupe demais com o futuro. Deus é maior do que a nossa capacidade de
compreensão:
“Procure compreender a obra de Deus,
porque ninguém endireita o que ele encurvou. Esteja alegre no dia feliz, e no
dia da desgraça procure refletir, porque um e outro foram feitos por Deus, para
que o ser humano nunca possa descobrir nada do seu próprio futuro” (Qo
7,13-14).
“Todo ser humano que recebe de Deus
riquezas e bens para que possa sustentar-se, ter a sua porção e desfrutar do
seu trabalho, considere tudo isso dom de Deus. Desse modo, o ser humano não se
preocupa demais com sua vida fugaz, porque Deus o mantém ocupado na alegria do
coração” (Qo 5,18-19).
A experiência
de Deus de Qohelet traduzida para hoje
Quatro exemplos de hoje para poder adivinhar como Qohelet experimentava
Deus na vida:
1) Romero foi visitar um doente que vivia na cama, sozinho, sem poder fazer
nada, apenas sofrendo, sem poder contribuir em nada para ajudar os outros.
Depois da visita, Romero saiu para a rua, uma grande e movimentada avenida.
Esbarrando no movimento dos carros e caminhões, comercio e bancos, ele teve um
estalo e pensou: “Este mundo agitado de eficiência e de lucro, sem usar
palavras, está me dizendo que o doente que visitei não conta, não tem nenhum
valor!” Aí caiu nele uma luz: "O doente que visitei, sem usar palavras, é
uma denúncia viva desta eficiência e grita: neste mundo onde não há mais lugar
para os deficientes físicos tudo é vaidade, miragem, corrida atrás do vento!” O
doente é um ser humano igual aos outros e tem o mesmo direito de poder
conviver. O mundo deve arrumar um lugar para ele! Foi esta a experiência de
Qohelet.
2) Numa reunião, Raimundo disse: “Eu carrego a cruz com gosto, mas tem que
ser uma cruz que traz libertação para o povo!” Dona Dalva respondeu: “Raimundo,
em casa tenho um menino. Teve doença quando pequeno. Agora não fala, não anda,
é paralítico. Eu cuido dele, o dia inteiro. Não tenho tempo para fazer outra
coisa. Isto traz libertação para o povo? Tem lugar para mim na sua comunidade?
Tem lugar aí para o meu menino?” Foi esta a pergunta que Qohelet teria feito!
3) Fernando era frade. Já tinha passado dos setenta anos de vida. Sua vista
nunca foi muito boa e ainda teve o azar de o médico errar na aplicação do raio
laser por uma fração de segundo. Ele ficou cego de um olho e com o outro só
enxergava 30%. Alguém perguntou: “Frei Fernando, como vai a vista?” -“Vai bem. Muito obrigado. Não me posso
queixar. Consegui enxergar bem durante mais de 65 anos. Estou satisfeito e agradeço
a Deus!” Qohelet teria dado a mesma resposta.
4) Num encontro da Fraternidade de Deficientes Físicos, depois de uma longa
reflexão sobre o livro de Jó, corria a pergunta: “Por que será que Deus permite
este nosso sofrimento?” Muitos foram dando opinião a partir da sua experiência.
No fim, Fausto, um tetraplégico da Bahia que falava com muita dificuldade,
pediu a palavra e disse: “Deus não responde a perguntas estúpidas!” E ele ria,
dando graças a Deus pela situação em que ele se encontrava. Qohelet teve a
mesma coragem de Fausto!
O Gancho Final: Tudo é vaidade! Mas nem tudo! Graças a Deus!
Depois de ter percorrido todas as ruas e bairros da vida, levando
consigo o fio da sua experiência, Qohelet o amarra no gancho final, na parede
da eternidade, e dirige uma mensagem aos jovens (Qo
Qohelet descreve as limitações que lhe vêm com a velhice no fim da
vida. Mas na maneira de descrevê-las, você sente nele uma pessoa que, mesmo
limitada pela velhice, soube crescer em direção a Deus dentro destas limitações
inevitáveis da vida e graças a elas.
Este final é a síntese, não só do livro, mas também da experiência que
ele ou ela quer partilhar conosco e na qual mostra como a luz dos sete postes
conseguiu iluminar e transformar sua vida. É a mensagem vivida e agradecida dos
cabelos brancos que se despedem da vida, para os jovens na flor da idade (Qo
Doce é a luz,
e agradável para os olhos ver o sol.
Se você viver muitos anos,
alegre-se em todos eles,
mas lembre-se de que são muitos os dias sombrios.
Tudo quanto sucede é vaidade.
Jovem,
alegre-se na sua juventude,
e seja feliz nos dias da sua mocidade.
Siga os impulsos do seu coração
e os desejos dos olhos;
mas saiba que de tudo isso Deus te pedirá contas.
Expulse a melancolia do seu coração
e afaste do seu corpo a dor,
porque juventude e cabelos bonitos são coisas que
passam.
Lembre-se do seu Criador nos dias da
sua mocidade,
antes que venham os dias maus,
e cheguem os anos dos quais dirá:
“Não sinto mais gosto para nada!”; (Interpretação
Rabínica)
antes que se escureçam o sol e a
luz, a lua e as estrelas, velhice
e que voltem as nuvens depois da
chuva; declínio
no dia em que tremerem os guardas da
casa, braços,
e se curvarem os homens outrora
fortes, pernas,
e cessarem os moedores, por já serem
poucos, dentes
e se escurecerem seus olhos nas
janelas; visão
e as portas da rua, se fecharem; lábios
e diminuir o ruído do moinho até
parecer um canto de pássaro
e todas as canções emudecerem; audição
quando você ficar com medo das
alturas, insegurança
e levar susto pelo caminho, medo
quando embranquecer como a amendoeira, cabelo branco
e o gafanhoto lhe for um peso, libido
e o tempero perder o sabor; paladar
é porque você já está a caminho da
sua morada eterna, fim da vida
e os que choram a sua morte já andam
rodeando pela praça; rito fúnebre
antes que se rompa o fio de prata,
e o copo de ouro se quebre,
antes que o jarro se quebre na fonte,
e se parta a roldana no poço,
então você voltará à terra, de onde veio,
e o sopro de vida voltará a Deus, que o concedeu,.
Tudo passa, diz o Qohelet, Tudo!
Assim, o livro de Qohelet acabou sendo esse varal imenso onde ele pendurou
sua vida e a colocou à mostra para todos nós. Olhando e meditando as coisas que
ele escreveu, você sente por trás das palavras uma pessoa já idosa, sofrida,
mas sábia e tranqüila. Sofreu muito. Deve ter tido muitas decepções na vida,
mas conseguiu superá-las. Soube fincar sete postes bem firmes, nos quais
suspendeu o fio da sua experiência e que agora, no fim da sua vida, partilha
conosco.
Esta experiência de Deus e da vida, tão bonita e tão forte, que chega até
nós através do método dos sábios no livro de Qohelet, também se expressa de
outra maneira em outros lugares da Bíblia. Por exemplo, em forma de oração no
salmo 131 (130):
Meu coração não é ambicioso, Senhor,
Meus olhos não enxergam mais do que
podem,
Não freqüento a alta roda.
Não tenho pretensões grandiosas.
Não!
Dentro de mim, tudo se aquietou.
Paz e serenidade vieram para ficar.
Igual à criança depois de mamar,
Dorme tranqüila no colo da mãe.
Minha gente,
que Deus nos ajude a esperar nele,
Hoje e sempre!
Quem sabe, através da partilha de Qohelet e dos sábios, aprendamos nós
também a partilhar nossa experiência de Deus e da vida para enriquecer-nos
mutuamente. Este é o objetivo dos círculos que seguem.
OS DOZE CÍRCULOS
O JEITO DE FAZER OS CÍRCULOS
Qohelet usa o método dos sábios de Israel. Os sábios não davam tudo pronto, trocado em miúdo, mas levavam as pessoas a participar no processo da descoberta da verdade. Faziam com que elas mesmas fossem descobrindo as coisas. Como nós hoje, eles faziam suas reuniões para, à luz da fé, discutir a situação do povo e os problemas da comunidade. O livro de Qohelet traz o resultado desse trabalho de grupo.
Jesus usa o mesmo método. A base do seu ensinamento eram as parábolas ou
comparações que, por sua própria natureza, levavam as pessoas a participar na
descoberta dos valores do Reino. Uma parábola ou comparação provoca os ouvintes
a usar sua própria experiência para descobrir aquilo que o sábio quer
comunicar. Por exemplo, Jesus diz: “Vocês são o sal da terra!” (Mt 5,13). A
partir da experiência que eu hoje tenho do sal, vou poder entender o sentido
desta parábola para a minha vida e missão. Numa parábola quem dá a resposta
final não é aquele que narra, mas sim aquele que escuta. Assim Jesus perguntava
depois de ter contado a parábola do Bom Samaritano: ”Na tua opinião, quem foi o
próximo do fulano que caiu nas mãos dos ladrões?” (Lc 10,36) Muitas vezes,
Jesus terminava as parábolas dizendo: “Quem tem ouvidos para ouvir ouça!” (Mt
13,9) Ou seja: “É isso! Vocês ouviram! Agora tratem de entender!” Jesus quase
nunca dava uma explicação, mas provocava os ouvintes para que juntos
discutissem o assunto e tentassem descobrir o sentido.
Nestes doze círculos vamos seguir o mesmo método de Qohelet e de Jesus. Ambos, Jesus e Qohelet,
vão estar presentes na nossa reunião e vão sentar conosco na roda de conversa.
Jesus sempre estará presente, pois ele mesmo disse: “Onde dois ou três estão
reunidos em meu nome, estarei no meio deles” (Mt 18,20). O seu espírito nos
ajudará a descobrir o sentido das coisas (Jo 14,25-26; 16,12-15). A presença de
Qohelet será marcada por uma cadeira vazia na roda, na qual colocamos a Bíblia.
É a cadeira de Qohelet! E quando chegar a hora de ele dizer a sua opinião,
alguém, em nome dele, lê um trecho do livro.
Cada círculo terá três rodadas de conversa:
1ª Rodada: ouvir a
opinião dos participantes
No início da reunião, formula-se uma ou mais perguntas
para introduzir o assunto e puxar a conversa. Cada participante vai dando a sua
resposta. Não é necessário que cada um responda a cada pergunta. As várias
perguntas servem para puxar a conversa e partilhar as idéias. A última pessoa a
dar sua opinião será o próprio Qohelet. Neste momento, alguém vai sentar na
cadeira de Qohelet, pega a Bíblia e lê o trecho indicado no círculo que nos
transmite a opinião dele. Depois de ter ouvido a opinião de Qohelet, se faz um
momento de silêncio para aprofundar e comparar as opiniões que foram expressas.
2ª Rodada: refletir
sobre a conversa para chegar a uma conclusão
Nesta segunda rodada, vamos partilhar o que aprendemos da
conversa, uns com os outros, e tentamos chegar a uma conclusão orientando-nos
por estas três perguntas:
1) O que aprendi ouvindo a opinião dos outros?
2) O que aprendi ouvindo a opinião de Qohelet?
Concordei com ele? Discordei dele? Por que?
3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que
vamos levar para a vida? Tente resumir tudo numa frase.
3ª Rodada: rezar a Deus
Terminada a conversa entre nós, chegou a hora de
conversar com Deus e de expressar a Ele o que nos vai pelo coração: gratidão,
arrependimento, louvor, pedido de ajuda, alegria, sentimento de culpa,
disposição de compromisso. Jesus rezará conosco ao Pai. No fim terminamos
sempre com um Pai Nosso e um canto.
Desta vez, os Círculos não vão ter subsídio. Não é
necessário. O texto já está bem trabalhado na Introdução. Seguimos o método dos
sábios de Israel. Eles confiavam na partilha sincera entre pessoas que juntas
buscam a verdade. Eles provocavam as pessoas a refletir sobre a experiência da
sua própria vida e a partilhá-la com os outros. Assim, todos vamos contribuir
na descoberta da verdade.
Eis o esquema de cada
Circulo:
Acolhida
Oração inicial
Canto
1ª Rodada: ouvir a
opinião dos participantes
Nesta 1ª
rodada se conversa sobre o sentido de um assunto da vida.
1. Umas
perguntas puxam a conversa. Cada participante dá a sua opinião.
2.
Depois da opinião dos participantes, segue a opinião do próprio Qohelet. Alguém
levanta pega a Bíblia, senta na cadeira de Qohelet e faz a leitura indicada no
Círculo. Terminada leitura, se faz um momento de silêncio.
2ª Rodada: refletir
sobre a conversa para chegar a uma conclusão
Nesta rodada, vamos amarrar a conversa para chegar a uma conclusão, sempre
a partir destas três perguntas:
1) O
que aprendi ouvindo a opinião dos outros?
2) O
que aprendi ouvindo a opinião de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele?
Por que?
3) De tudo que discutimos qual o
ensinamento que vamos levar para a vida? Tente resumir tudo numa frase.
3ª Rodada: rezar a Deus
a.
Dirigir a Deus nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo
nos ajude a descobrir a Palavra de Deus na vida.
b. Rezar um Salmo
c. Terminar com um Pai Nosso e
um canto.
Vamos ter os seguintes
Círculos:
1º
Círculo: Sobre o sentido da vida
Nada de novo debaixo do
sol!
Será que vale a pena
viver a vida?
Qo 1,1-18
2º Círculo: Sobre o sentido do trabalho
Trabalhar, trabalhar, trabalhar
Tem gente que gosta, tem gente que não gosta
Qo 2,17-26
3º Círculo: Sobre o sentido do tempo
Tudo tem o seu tempo! Nada cai fora do tempo!
Tudo está na mão de Deus!
Qo 3,1-15
4º Círculo: Sobre o sentido das lágrimas dos oprimidos
Exploração, Competição, Frustração
Será que a vida é só isto?
Qo 4,1-16
5º Círculo: Sobre o sentido da religião
Promessas, Rezas, Devoções
Em busca da verdadeira religião
Qo
6º Círculo: Sobre o sentido da riqueza
Acúmulo, Canseira, Opressão
Tem coisas na vida que o dinheiro não paga
Qo
7º Círculo: Sobre o sentido da sabedoria
A verdadeira Sabedoria
Aprender com a vida para preservar a vida!
Qo 7,1-24
8º Círculo: Sobre o sentido do Bem e do Mal
O Bem e o Mal!
Recompensa e Castigo!
Os dois moram na mesma casa. E agora?
Qo 8,5-17
9º Círculo: Sobre o sentido das surpresas da vida
O homem propõe, mas Deus dispõe
A vida vem como ela é, não adianta planejá-la
Qo 9,1-18
10º Círculo: Sobre o sentido da felicidade
A Felicidade que vem de Deus
Coma teu pão com alegria!
Os sete postes
11º Círculo: Sobre o sentido da maturidade
Mensagem de um velho para os jovens
“Ah, Jovens! Se vocês soubessem o que eu
vivi!”
Qo
12º Círculo: Sobre o sentido da vida na sua plenitude
A experiência que Jesus teve de Deus e da vida
Jesus se inspirou em Qohelet
(Lc 12,22-34)
Celebração Final
Recuperar o Primeiro Amor
1º Círculo
Sobre o sentido da Vida
Nada de novo
debaixo do sol!
Será que vale
a pena viver a vida?
Qo 1,1-18
Acolhida
Oração inicial
Canto
1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes
Nesta 1ª rodada vamos
conversar sobre o sentido da nossa vida. Cada um e cada uma tem a sua própria
vida. Nenhuma vida se repete. Cada um tem a sua própria história, seus próprios
problemas, alegrias e tristezas. Vamos conversar sobre isto.
1. Olhando para trás, qual foi o momento mais
significativo da sua vida que lhe ensinou alguma coisa?
2. Vamos ouvir a experiência do Qohelet:
Leitura de Qohelet 1,1-18.
Terminada
leitura, um momento de silêncio.
2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma
conclusão
1) O
que aprendi ouvindo a história dos outros?
2) O
que aprendi de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?
3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar
para a vida? Tente resumir tudo numa frase.
3ª Rodada: rezar a Deus
* Dirigir a Deus
nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a
descobrir a Palavra de Deus na vida.
* Rezar o Salmo
39(38): Senhor, dá me conhecer o sentido
da minha vida!
* Terminar com um
Pai Nosso e um canto.
2º Círculo
Sobre o sentido do Trabalho
Trabalhar, trabalhar, trabalhar
Tem gente que gosta, tem gente que não gosta
Qo 2,17-26
Acolhida
Oração inicial
Canto
1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes
Hoje, vamos conversar
sobre o sentido do trabalho. Trabalhar, a gente tem que trabalhar. Tem gente
que trabalha honestamente, a vida inteira, e continua pobre. Tem gente que não
trabalha e é rico. Tem gente que trabalha movido só pela ambição. Outros
trabalham para poder sustentar a família. Vamos conversar sobre isto
1. Para você, que valor tem o trabalho? Você está feliz
com o trabalho que faz? Muita gente não gosta do trabalho que faz. Pior do que
isto é não ter trabalho. O que você realmente gostaria de fazer? Cada um
partilhe com os outros sua experiência de vida.
2. Vamos ouvir a experiência do Qohelet:
Leitura de Qohelet 2,17-26
Terminada
leitura, um momento de silêncio.
2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma
conclusão
1) O
que aprendi ouvindo a experiência dos outros?
2) O
que aprendi de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?
3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar
para a vida? Tente resumir tudo numa frase.
3ª Rodada: rezar a Deus
* Dirigir a Deus
nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a
descobrir a Palavra de Deus na vida.
* Rezar o Salmo 49
(48): O engano da riqueza
* Terminar com um
Pai Nosso e um canto.
3º Círculo
Sobre o sentido do Tempo
Tudo tem o seu tempo! Nada cai fora do tempo!
Tudo está na mão de Deus!
Qo 3,1-15
Acolhida
Oração inicial
Canto
1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes
Hoje vamos conversar
sobre o tempo que passa e com ele vamos todos juntos, sem parar. As coisas vão
acontecendo na vida da gente. Tem pessoas que dizem: Deus quis assim e se
acomodam. Outros ficam revoltados. Outros dizem: “É o destino!” Vamos conversar
sobre isto
1. E você, como é
que você vê as coisas acontecendo na sua vida? Como é que você vive e ocupa o
seu tempo? Está feliz com a idade que tem? Cada um procure partilhar com os
outros sua experiência de vida.
2. Vamos ouvir a experiência do Qohelet:
Leitura de Qohelet 3,1-15
Terminada
leitura, um momento de silêncio.
2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma
conclusão
1) O
que aprendi ouvindo a opinião dos outros?
2) O
que aprendi de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?
3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar
para a vida? Tente resumir tudo numa frase.
3ª Rodada: rezar a Deus
* Dirigir a Deus
nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a
descobrir a Palavra de Deus na vida.
* Rezar o Salmo
90(89): Sobre a brevidade da vida
* Terminar com um
Pai Nosso e um canto.
4º Círculo
Sobre o sentido das lágrimas dos
Oprimidos
Exploração, Competição, Frustração
Será que a vida é só isto?
Qo 4,1-16
Acolhida
Oração inicial
Canto
1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes
Hoje vamos conversar
sobre coisas da vida que afetam a todos nós de uma ou de outra maneira:
exploração, competição e frustração. Tem muita gente que já levou rasteira na
vida. Tem gente que não tem escrúpulo para explorar os outros. Tem gente que
luta pelo poder. Tem de tudo! Vamos conversar sobre isto.
1. Não vale a pena viver sendo explorado o tempo todo.
Você se sente explorado? Como? Por quem? Você reage ou se acomoda? Como reage?
Cada um vai partilhando a sua experiência.
2. Vamos ouvir a experiência do Qohelet:
Leitura de Qohelet 4,1-16
Terminada
leitura, um momento de silêncio.
2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma
conclusão
1) O
que aprendi ouvindo a partilha dos outros?
2) O
que aprendi de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?
3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar
para a vida? Tente resumir tudo numa frase.
3ª Rodada: rezar a Deus
* Dirigir a Deus
nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a
descobrir a Palavra de Deus na vida.
* Rezar o Salmo
10(9b): Deus não se esquece dos pobres
* Terminar com um
Pai Nosso e um canto.
5º Círculo: Sobre o sentido da religião
Promessas, Rezas, Devoções
Em busca da verdadeira religião
Qo
5º Círculo
Sobre o sentido da Religião
Promessas, Rezas, Devoções
Em busca da religião verdadeira
Qo
Acolhida
Oração inicial
Canto
1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes
Nunca houve uma
variedade tão grande de igrejas e de religiões como hoje. Todo mundo tem algum
parente, amigo ou conhecido que já mudou de religião. Aumenta também o número
de pessoas que abandonam a religião. No entanto, o último censo mostrou que
mais de 90% do povo brasileiro acredita
1. E você, o que é religião para você? De que maneira
você vive a sua religião? Você já pensou alguma vez em mudar de religião?
2. Vamos ouvir a experiência do Qohelet:
Leitura de Qohelet
Terminada
leitura, um momento de silêncio.
2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma
conclusão
1) O
que aprendi ouvindo a opinião dos outros?
2) O
que aprendi de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?
3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar
para a vida? Tente resumir tudo numa frase.
6º Círculo
Sobre o sentido da Riqueza
Acúmulo, Canseira, Opressão
Tem coisas na vida que o dinheiro não paga
Qo
Acolhida
Oração inicial
Canto
1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes
Hoje vamos conversar
sobre uma coisa com que todo mundo concorda: “Sem dinheiro não se vive!”. Mas
dinheiro não cai do céu, nem cresce em árvore. A questão básica é: como
conseguir dinheiro e o que fazer com ele. Tem gente que faz caderneta de
poupança e outros gastam tudo. Vamos conversar sobre isto.
1. Como você se comporta com relação ao dinheiro: dá para
viver? Viver bem? Você é gastador ou poupador? O dinheiro traz felicidade? Cada
um dê a sua opinião.
2. Vamos ouvir a experiência do Qohelet:
Leitura de Qohelet
Terminada
leitura, um momento de silêncio.
2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma
conclusão
1) O
que aprendi ouvindo a opinião dos outros?
2) O
que aprendi de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?
3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar
para a vida? Tente resumir tudo numa frase.
3ª Rodada: rezar a Deus
* Dirigir a Deus
nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a
descobrir a Palavra de Deus na vida.
* Rezar o Salmo
128(129): A felicidade do trabalhador
* Terminar com um
Pai Nosso e um canto.
7º Círculo
Sobre o sentido da Sabedoria
A verdadeira Sabedoria
Aprender com a vida para preservar a vida!
Qo 7,1-24
Acolhida
Oração inicial
Canto
1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes
Hoje vamos conversar
sobre o sentido da sabedoria. Ninguém nasce sabendo as coisas. É a experiência
acumulada que nos vai ensinando como viver. E nisto nós nos ajudamos
mutuamente. Ninguém aprende sozinho. Tem gente que passa pela vida e não vive.
Vive na superficialidade seguindo a moda. Tem gente irresponsável que vive de
festa em festa, de farra
1. O que você aprendeu da experiência da sua vida e o que
aprendeu da experiência dos outros? Dá para separar estas duas experiências?
Você conhece alguém a quem você poderia chamar de sábio ou sábia? Cada participante dê a sua opinião.
2. Vamos ouvir a experiência do Qohelet:
Leitura de Qohelet 7,1-24
Terminada
leitura, um momento de silêncio.
2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma
conclusão
1) O
que aprendi ouvindo a opinião dos outros?
2) O
que aprendi de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?
3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar
para a vida? Tente resumir tudo numa frase.
3ª Rodada: rezar a Deus
* Dirigir a Deus
nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a
descobrir a Palavra de Deus na vida.
* Rezar o Salmo
139(138): Deus, fonte de sabedoria
* Terminar com um
Pai Nosso e um canto.
8º Círculo
Sobre o sentido do Bem e do Mal
O Bem e o Mal! Recompensa e Castigo!
Os dois moram na mesma casa. E agora?
Qo 8,5-17
Acolhida
Oração inicial
Canto
1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes
Hoje vamos conversar
sobre o bem e o mal que existem misturados na vida. Tem gente que leva uma vida
santa, e enfrenta um problema depois do outro! Tem gente que não está nem aí e
nunca passa por dificuldades. Tem gente que leva uma vida reta por medo do
castigo. Vamos conversar sobre isto.
1. O bem e o mal moram na mesma casa. Essa casa é você! O
apóstolo Paulo disse: “Deixo de fazer o bem que quero, e faço o mal que não
quero” (Rom 7,19). Isto acontece com você? De que maneira se misturam o bem e o
mal na sua vida? Cada participante conte a sua experiência.
2. Vamos ouvir a experiência do Qohelet:
Leitura de Qohelet 8,5-17
Terminada
leitura, um momento de silêncio.
2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma
conclusão
1) O
que aprendi ouvindo a experiência dos outros?
2) O
que aprendi de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?
3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar
para a vida? Tente resumir tudo numa frase.
3ª Rodada: rezar a Deus
* Dirigir a Deus
nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a
descobrir a Palavra de Deus na vida.
* Rezar o Salmo 5:
Deus não tolera a maldade
* Terminar com um
Pai Nosso e um canto.
9º Círculo
Sobre o sentido das Surpresas da
Vida
O homem propõe, mas Deus dispõe
A vida vem como ela é! Não adianta planejá-la ...
Qo 9,1-18
Acolhida
Oração inicial
Canto
1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes
Hoje vamos conversar
sobre as surpresas que acontecem na vida da gente. Por mais que você planeje,
você não consegue controlar os fatos da vida. Em muitas famílias bem
estruturadas, quando morre ou nasce alguém, a vida nunca mais vai ser como
antes. Você planeja um passeio e no dia marcado chove, ou uma greve tira os
ônibus da circulação. Por isso tem gente que se cansou e não reage mais diante
dos fatos. Aceita tudo. Vamos conversar sobre isto.
1. Como você costuma reagir diante de fatos imprevistos?
Onde está a segurança da sua vida nestes momentos de surpresa e de imprevistos?
Qual a fonte da sua resistência? Cada participante partilhe a sua experiência.
2. Vamos ouvir a experiência do Qohelet:
Leitura de Qohelet 9,1-18
Terminada
leitura, um momento de silêncio.
2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma
conclusão
1) O
que aprendi ouvindo a experiência dos outros?
2) O
que aprendi de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?
3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar
para a vida? Tente resumir tudo numa frase.
3ª Rodada: rezar a Deus
* Dirigir a Deus
nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a
descobrir a Palavra de Deus na vida.
* Rezar o Salmo
34(33): Deus é a segurança do pobre
* Terminar com um
Pai Nosso e um canto.
10º Círculo
Sobre o sentido da Felicidade
A Felicidade que vem de Deus
Coma teu pão com alegria
Acolhida
Oração inicial
Canto
1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes
Hoje vamos conversar
sobre o sentido da felicidade e da alegria. Todo mundo busca a felicidade, mas
cada um a busca numa direção diferente. Para uns, a felicidade consiste em ter
o carro do último modelo e poder mostrá-lo aos amigos. Para outros, é ter casa
própria. Tem gente que é feliz quando pode viajar. Outros se sentem felizes
quando podem servir. Outros, quando estão com a família
1. Em que momentos da sua vida você foi capaz de poder
dizer: “Fui feliz!” O que é felicidade para você?
2. Vamos ouvir a experiência do Qohelet:
Leitura dos sete textos de Qohelet em que
ele diz o que é felicidade
Terminada
leitura, um momento de silêncio.
1º Poste: 2,24-25:
Vejam: a felicidade do
ser humano está em comer e beber, desfrutando o produto do seu trabalho.
Contudo, percebo que isso vem das mãos de Deus. De fato, quem pode comer e
beber, sem que isso lhe venha da mão de Deus? A quem lhe agrada, Deus concede
sabedoria, conhecimento e alegria.
2º Poste: 3,12-15:
Compreendi que não
existe para o ser humano nada melhor do que se alegrar e agir bem durante a
vida. E compreendi também que é dom de Deus que o homem possa comer e beber,
desfrutando do produto de todo o seu trabalho. Compreendi que tudo o que Deus
fez dura para sempre. A isso nada se pode acrescentar, e disso nada se pode
tirar. Deus fez assim para que os homens tenham temor de Deus. O que existe, já
havia existido; o que existirá, também já existiu. Deus recupera o que passou (outra tradução: “Deus busca aquilo que
foge”.)
3º Poste: 3,22:
Percebo que não há nada
melhor para o ser humano do que se alegrar com o trabalho que faz aqui e agora.
Esta é a porção que lhe cabe. Pois, ninguém lhe fará ver o que acontecerá
depois dele.
4º Poste: 5,17-19:
Concluí que a felicidade
do ser humano consiste em comer e beber, usufruindo o bem de todo o seu
trabalho, com que se afadigou debaixo do sol, durante os poucos dias da vida
que Deus lhe concede; porque esta é a sua porção. Todo ser humano que recebe de
Deus riquezas e bens para que possa sustentar-se, ter a sua porção e gozar do
seu trabalho, deve considerá-lo como dom de Deus. Desse modo, ele não se
preocupará demais com sua vida fugaz, porque Deus o mantém ocupado na alegria
do seu coração.
5º Poste: 7,13-14:
Procure compreender a
obra de Deus, porque ninguém endireita o que Ele encurvou. Esteja alegre no dia
feliz, e no dia da desgraça procure refletir, porque um e outro foram feitos
por Deus, para que o ser humano nunca possa descobrir nada do seu próprio
futuro.
6º Poste: 8,15:
Exalto a alegria, porque
não existe felicidade maior para o ser humano debaixo do sol do que comer,
beber e alegrar-se. Essa é a única coisa que lhe serve de companhia na fadiga,
nos dias contados da vida que Deus lhe concede debaixo do sol.
7º Poste: 9,7-10:
Portanto, vá, coma o seu
pão com alegria e beba o seu vinho com satisfação, pois Deus já de antemão se
agrada do trabalho que você realiza. Que suas roupas sejam alvas o tempo todo,
e nunca falte perfume em sua cabeça. Goze a vida com a esposa que você ama,
durante todos os dias de vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol. Essa
é a porção que lhe cabe na vida e no trabalho com que você se afadiga debaixo
do sol. Tudo o que você puder fazer, faça-o enquanto tiver forças, porque no
mundo dos mortos, para onde você vai, não existe ação nem pensamento, nem
ciência, nem sabedoria alguma.
Terminada leitura, se faz um momento de silêncio.
2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma
conclusão
1) O
que aprendi ouvindo a opinião dos outros?
2) O
que aprendi de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?
3) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar
para a vida? Tente resumir tudo numa frase.
3ª Rodada: rezar a Deus
* Dirigir a Deus
nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a
descobrir a Palavra de Deus na vida.
* Rezar o Salmo 1:
Feliz quem anda na Lei do Senhor
* Terminar com um
Pai Nosso e um canto.
11º Círculo
Sobre o sentido da Maturidade
Mensagem de um velho para os jovens
“Ah!, jovens! Se vocês soubessem o que eu vivi!”
Qo
Acolhida
Oração inicial
Canto
1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes
Hoje vamos conversar
sobre a mensagem que Qohelet, no fim do seu livro, deixou para os jovens. O
amor pela vida o levou a partilhar sua experiência com os mais jovens. Ele o
faz não como professor que ensina, mas como irmão mais velho que partilha. Ele descreve as limitações que vem com a
idade. Mas na maneira de descrevê-las, você sente uma pessoa que, mesmo
limitada pela velhice, soube crescer em direção a Deus dentro destas limitações
inevitáveis da vida e graças a elas. Vamos conversar sobre isto.
2. Por último, depois de ter ouvido a opinião dos
participantes, vamos ouvir a mensagem tão bonita que Qohelet deixou para os
jovens. Esta mensagem é a
síntese, não só do livro, mas também da experiência que ele ou ela quer
partilhar conosco e na qual mostra como a luz dos sete postes conseguiu
iluminar e transformar sua vida. É a mensagem vivida e agradecida dos cabelos
brancos que se despedem da vida, para os jovens na flor da idade. Ouçamos:
Doce é a luz,
e agradável para os olhos ver o sol.
Se você viver muitos anos,
alegre-se em todos eles,
mas lembre-se de que são muitos os dias sombrios.
Tudo quanto sucede é vaidade.
Jovem,
alegre-se na sua juventude,
e seja feliz nos dias da sua mocidade.;
Siga os impulsos do seu coração
e os desejos dos olhos;
mas saiba que de tudo isso Deus te pedirá contas.
Expulse a melancolia do seu coração
e afaste do seu corpo a dor,
porque juventude e cabelos bonitos são coisas que
passam.
Lembre-se do seu Criador nos dias da
sua mocidade,
antes que venham os dias maus,
e cheguem os anos dos quais dirá:
“Não sinto mais gosto para nada!”;
antes que se escureçam o sol e a
luz, a lua e as estrelas,
e que voltem as nuvens depois da
chuva;
no dia em que tremerem os guardas da
casa, ,
e se curvarem os homens outrora
fortes, ,
e cessarem os moedores, por já serem
poucos,
e se escurecerem seus olhos nas
janelas;
e as portas da rua, se fecharem;
e diminuir o ruído do moinho até
parece-ser um canto de pássaro
e todas as canções emudecerem;
quando você ficar com medo das
alturas,
e levar susto pelo caminho,
quando embranquecer como a
amendoeira,
e o gafanhoto lhe for um peso,
e o tempero perder o sabor;
é porque você já está a caminho da
sua morada eterna,
e os que choram a sua morte já andam
rodeando pela praça;
antes que se rompa o fio de prata,
e o copo de ouro se quebre,
antes que o jarro se quebre na fonte,
e se parta a roldana no poço,
então você voltará à terra, de onde veio,
e o sopro de vida voltará a Deus, que o concedeu,.
Tudo passa, diz o Qohelet, Tudo!
Terminada leitura de Qohelet, se faz um momento de
silêncio.
2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma
conclusão
1) O
que aprendi ouvindo a experiência dos outros?
2) O
que aprendi de Qohelet? Concordei com ele? Discordei dele? Por que?
3) De
tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar para a vida?
3ª Rodada: rezar a Deus
* Dirigir a Deus
nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a
descobrir a Palavra de Deus na vida.
* Rezar o Salmo 136: Seu amor é para sempre!
* Terminar com um Pai
Nosso e um canto.
12º Círculo
Sobre o sentido da Vida na sua
Plenitude
A experiência que Jesus teve de Deus e da vida
Jesus se inspirou em Qohelet
Lucas 12,22-34
Acolhida
Oração inicial
Canto
1ª Rodada: ouvir a opinião dos participantes
Jesus conhecia o livro de Qohelet, pois era lido
na sinagoga. Lendo os evangelhos você se dá conta como muitas das palavras de
Jesus parecem vir da mesma experiência que está na origem do livro de Qohelet.
Jesus viveu a vida com a mesma atitude crítica de Qohelet e chegou às mesmas
conclusões. Na sua maneira de viver, de conviver e de transmitir sua
experiência ao povo, Jesus se comportava como os sábios da época. O seu
ensinamento é concreto, ligado às coisas da vida e à experiência diária do povo
das aldeias da sua terra. A base do seu ensinamento são as parábolas que, por
sua própria natureza, levam as pessoas a participar na descoberta dos valores.
Uma parábola provoca os ouvintes a usar sua própria experiência para poder
entender aquilo que o sábio quer comunicar. Passando os olhos nas coisas que
Jesus afirma nas suas parábolas, é como se você estivesse olhando para a
vitrina da vida do povo. Tudo aparece, tudo é analisado, tudo se torna fonte de
experiência e porta para a descoberta da presença de Deus: semente, flores,
crianças, comércio, trabalho, campo, dia, noite, tempo, barco, peixe, pescaria,
lago, montanha, plantas, homem, mulher, amor, família, pão, fermento, sal,
lâmpada, moeda, desemprego, assalto, arado, rede, espinhos, joio, trigo,
fornalha, juiz, tesouro, tecido, pano, pérola, ricos, pobres, banquete, etc.
etc. Na sua convivência com os
discípulos e discípulas, Jesus cria um ambiente em que se realiza a partilha
das experiências e das qualidades e dons de cada um. Tudo é de todos. Vamos
conversar sobre isto.
1. Num
esforço de memória, cada participante tente lembrar um episódio ou ensinamento
de Jesus que mais se parece com o que descobrimos no livro de Qohelet?
2. Vamos ouvir a opinião do próprio Jesus: Leitura de Lucas 12,22-34.
Terminada
leitura de Lucas, se faz um momento de silêncio.
2ª Rodada: amarrar as várias opiniões para chegar a uma
conclusão
1) O que aprendi a partir do que ouvi dos participantes e do
evangelho de Lucas?
2) De tudo que discutimos qual o ensinamento que vamos levar
para a vida? Tente resumir tudo numa frase.
3ª Rodada: rezar a Deus
* Dirigir a Deus
nossas preces espontaneamente e pedir, para que o Espírito Santo nos ajude a
descobrir a Palavra de Deus na vida.
* Rezar o Salmo
118(117): Vamos agradecer a Deus, pois
seu amor é para sempre!
* Terminar com um
Pai Nosso e um canto.
* Preparar o
próximo encontro que será a celebração final.
Celebração Final
Recuperar o primeiro amor
Acolhida
Oração inicial
Canto
Sentido desta Celebração Final:
Qohelet quer nos ensinar que o primeiro amor está lá na fonte da vida, na
família. Não na família que se fecha sobre si mesma e não quer saber dos
outros, mas na família que se abre para formar comunidade com as outras
famílias. Só assim recuperamos o jeito novo e antigo de defender as pessoas e
as famílias, e criamos um jeito eficiente e convincente de influir sobre a
sociedade para transformá-la. A sociedade deve cumprir o seu papel de promover o
bem das pessoas e das famílias, e não de favorecer os interesses de uns poucos.
É na família e na comunidade que a pessoa se forma. Ao longo dos séculos,
as comunidades, as grandes famílias, adquiriram uma sabedoria própria para
sobreviver, enfrentar os problemas da vida e transmitir isto para os filhos e
filhas. Hoje, a sociedade influi tanto na vida familiar que chega a desfazer
nas pessoas a herança da casa.
A experiência mostra que crianças são iguais no mundo inteiro. Tem os
mesmos gestos, as mesmas manhas, as mesmas reações, o mesmo jeito de se
relacionar. Mas na medida em que crescem, a sociedade e a cultura fazem as
pessoas ficarem diferentes. Fazem as pessoas assimilarem e transmitirem tanto
as simpatias, os amores e as preferências, como os ódios, as resistências e os,
preconceitos e tantas outras atitudes inexplicáveis de amor e de ódio que
aparecem nas pessoas.
O primeiro amor recebido na convivência na grande família, na comunidade,
deve ser recuperado. Nele existe uma semente de vida que como a semente de
mostarda, mesmo sendo pequena, pode cresce e produzir uma árvore grande, fonte
de paz para os outros.
Celebração: O grupo planeja uma
celebração, na qual partilha as descobertas feitas no estudo do livro de
Qohelet