QUEREMOS VER JESUS
ATRAVÉS DOS OLHOS DOS AMIGOS E DAS AMIGAS
QUE O CONHECERAM DE PERTO
Leitura
do Evangelho de São João:
“Entre os que tinham vindo à
festa para adorar a Deus, havia alguns gregos. Eles se aproximaram de Filipe,
que era de Betsaida da Galiléia, e disseram: “Queremos ver Jesus!” Filipe foi
falar com André; e os dois juntos foram falar com Jesus” (João 12,20-22).
Também nós queremos ver Jesus. Os gregos tiveram a ajuda de Filipe e de
André. O nosso Filipe ou André é a partilha que faremos nestes Círculos
Bíblicos.
Queremos
ver Jesus!
Na
Igreja Católica, nestes anos de
Uma pessoa tão importante como Jesus pode ser vista e apreciada de muitas maneiras. Já no tempo dele era assim. Certa vez, Jesus fez um levantamento das opiniões do povo e perguntou: “Quem dizem que eu sou?” Os discípulos deram várias respostas: “Elias, Jeremias, algum dos profetas” (Mc 8,28; Mt 16,14). Aí Jesus perguntou: “E vocês, quem dizem que eu sou?” Pedro respondeu: “Tu és o messias!” Resposta certa! Jesus elogiou Pedro: “Feliz você, Pedro!” (Mt 16,17) Mas quando comunicou a Pedro que o Messias devia passar pela cruz, Pedro recuou e não quis saber (Mt 16,22-23). Para Pedro, ser “Messias” era um título de honra. Para Jesus, era uma prática, um modo de ser e de agir. Pedro imaginava um messias vencedor glorioso, e se enganou redondamente. Como Pedro, muita gente queria um Messias glorioso: Doutor, Juiz, Sumo Sacerdote, Rei ou General.
Hoje acontece a mesma coisa. Nem todos olhamos para Jesus do mesmo jeito. Depende muito da igreja a que pertencemos. E mesmo sendo da mesma igreja nem todos pensamos do mesmo jeito. Uns usam mais a Bíblia, outros se orientam pelo catecismo, outros, pelas imagens ou pinturas que encontram nas igrejas, outros ainda, pelo que lêem nas revistas ou pelo que vêem e ouvem nos filmes ou na TV.
Muitas pessoas de religiões não cristãs aceitam a Jesus como um profeta ou como alguém que veio da parte de Deus. Por exemplo, os espíritas, os muçulmanos, os da religião afro-brasileira ou os judeus que pertencem à mesma raça de Jesus. Quase todos eles reconhecem em Jesus um enviado de Deus. Hoje em dia, a maioria das pessoas do mundo inteiro já ouviu falar de Jesus. Mesmo não sendo cristãos, muitos usam frases de Jesus para defender os valores em que acreditam.
Por
isso, se houvesse entre as religiões um diálogo sincero sem preconceito,
poderíamos aprender muito, uns dos outros, para conhecer e praticar melhor a
mensagem que Jesus nos trouxe. Jesus até poderia ser um traço de união entre
todas estas religiões e uma fonte de ecumenismo em defesa da vida.
Como olhar para Jesus
Da mesma pessoa você pode fazer várias fotografias. A fotografia fixa o rosto de uma pessoa e, uma vez fixado, o rosto não muda mais. Mas a pessoa fotografada vai mudando ao longo dos anos. Muitas famílias colecionam as fotografias dos filhos e das filhas e fazem um álbum. Nele você percebe o traçado da história de cada um, desde o berço até à idade adulta.
Os quatro evangelhos são como quatro coleções de fotografias do mesmo Jesus. Marcos descreve Jesus de um jeito, Lucas o faz de outro jeito. Mateus o apresenta como o Mestre que ensina. Para João, Jesus é a revelação do Pai. O Novo Testamento é o primeiro álbum de fotografias que conserva a imagem com que os amigos e as amigas de Jesus olhavam para ele.
Dizemos “primeiro álbum”, porque, depois, vieram muitos outros álbuns: o álbum do catecismo, o álbum do dogma, o álbum da arte e das pinturas, o álbum da música, o álbum dos filmes. Por exemplo, a música da ópera Jesus Cristo Super Star, ou Jesus Alegria dos homens de Bach, Jesus Cristo, eu estou aqui, de Roberto Carlos, Jesus Cristo me deixou inquieto do Padre Zezinho. Ou os filmes sobre Jesus: Gibson, Zefirelli, Pasolini, e outros. Alguns destes álbuns são bonitos, outros são fruto de fantasia; alguns são muito olhados e admirados; outros, quase desconhecidos; alguns contêm fotografias reais e verdadeiras, outros apresentam fotografias falsificadas ou mistificadas.
Nestes
dez círculos vamos olhar dez fotografias do primeiro álbum, feitas pelos amigos
e amigas de Jesus que comeram e beberam com ele (At 10,41). Não dá para olhar
todas as fotos que eles juntaram no Novo Testamento. São muitas! Mais de cem!
Selecionamos apenas dez, uma para cada círculo deste livrinho.
As
dez fotografias mais antigas de Jesus
A convivência de três anos com Jesus e a experiência da sua morte e ressurreição foram algo tão extraordinário e tão fora de todos os esquemas tradicionais, que os primeiros cristãos não tinham palavras para expressá-lo. Por isso, a primeira coisa que fizeram foi ler a Bíblia, o Antigo Testamento, à procura de imagens, títulos e símbolos que, de alguma maneira, pudessem expressar e comunicar sua nova experiência de Deus em Jesus pois para eles, todo o Antigo Testamento era uma lenta preparação para a vinda do Messias. Qualquer um dos seus textos que pudesse ser aplicado a Jesus, era usado para mostrar que Jesus veio realizar as promessas.
Uma outra coisa que fizeram foi aquilo que todos nós fazemos quando as palavras não bastam para comunicar o que vivemos, a saber, recorreram à poesia e ao canto. Esses cânticos e poesias, até hoje, estão espalhados pelas páginas do Novo Testamento.
É desta experiência tão profunda e tão bonita dos primeiros cristãos, que tiramos as seguintes dez fotografias de Jesus:
Cinco
Títulos tirados do Antigo Testamento
Os cinco nomes ou títulos mais antigos para expressar o que Jesus significava para os primeiros cristãos foram tirados do Antigo Testamento. O próprio Jesus usou três deles numa única frase quando disse: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate para muitos” (Mc 10,45). Os três Títulos são: (1) Filho do Homem, (2) Servo de Javé e (3) Redentor (resgatador) ou Irmão mais velho. Os outros dois são Messias e Senhor, também do Antigo Testamento. Alguns destes cinco nomes vêm do próprio Jesus, outros refletem mais o pensamento e a gratidão das comunidades.
Três
poesias ou cânticos das comunidades
As cartas de Paulo conservaram várias poesias que eram usadas pelas catequistas das primeiras comunidades cristãs da Grécia. Uma delas descreve como faziam para ter em si os mesmos sentimentos de Jesus (Fil 2,5-11). Uma outra descreve em que consiste o amor que Jesus pede dos seus seguidores e seguidoras (1Cor 13,1-13). Da mesma maneira, Lucas teve o cuidado de inserir no seu evangelho a letra de vários cânticos das comunidades da Palestina e da Grécia. Eles mostram como os primeiros cristãos olhavam para Jesus e o que esperavam dele. Um destes cânticos, o mais conhecido de todos, é o Cântico de Maria, a mãe de Jesus.
Uma
característica descoberta à luz da fé na ressurreição
A fé na ressurreição de Jesus abriu os olhos dos primeiros cristãos para entender melhor o plano de Deus, anunciado no Antigo Testamento e realizado no Novo Testamento. Por exemplo, o profeta Isaías dizia: “Neste mundo tudo passa, só a Palavra de Deus permanece eternamente!” (Is 40,8) e o Livro de Sabedoria dizia que esta Palavra desceu do alto do céu para a terra (Sab 18,14-15) Os cristãos, iluminados pela fé na ressurreição, diziam: “Esta Palavra de Deus é Jesus. Ela se fez carne e começou a viver no meio de nós” (Jo 1,14).
Um
resumo de todos os títulos e nomes
Todos estes e muitos outros títulos, nomes e imagens são como pedrinhas de cores e tamanhos diferentes que, aos poucos, foram se agrupando, formando um bonito mosaico que resume tudo o que eles viviam, sentiam e acreditavam a respeito do Jesus e que, até hoje, é a afirmação central da nossa fé: “Jesus é o Filho de Deus”.
Temos assim os seguintes retratos:
01. Jesus, o Filho do homem
02. Jesus, o Servo de Deus
03. Jesus, nosso Irmão mais velho
04. Jesus, o Messias
05. Jesus, nosso Senhor
06. Jesus, no cântico de Maria, sua mãe
07. Jesus, força na fraqueza
08. Jesus, revelação do amor maior
09. Jesus, a Palavra de Deus
10. Jesus, o Filho de Deus
A
seqüência dos doze Encontros: Doze Retratos de Jesus”
1º Retrato: Filho do Homem
Jesus se apresenta como Filho do Homem
“Tão
humano como só Deus pode ser humano!”
Lucas
19,1-10
2º Retrato: Servo
Jesus se apresenta como servidor do povo
Lavando
os pés dos amigos deu-lhes a extrema prova do seu amor
João
13,1-17
3º Retrato: Irmão mais velho
Jesus se apresenta como o irmão mais velho
O
irmão mais velho representa e defende os irmãos e as irmãs menores
Lucas
4,14-21
4º Retrato: Messias
Jesus é o Messias esperado que realiza as
esperanças do povo
A
aclamação solene de Jesus em Jerusalém
Mateus
21,1-11
5º Retrato: Nosso Senhor
Jesus é Nosso Senhor
O
Pai lhe deu um nome que está acima de todo nome
Atos
2,32-36 e Filipenses 2,9-11
6º Retrato: Transmitido pela Mãe
Em
Jesus, Deus se mostrou fiel às promessas feitas aos pobres
No
Cântico da Mãe de Jesus, os pobres se alegram e agradecem
Lucas
1,46-56
7º Retrato: Força dos fracos
Jesus
é a força de Deus que se revela na fraqueza dos pequenos
A poesia sobre Jesus na carta aos Filipenses
Filipenses
2,6-11
8º Retrato: Revelação do amor maior
Jesus
é a revelação do amor maior
A poesia sobre o Amor na Carta aos Coríntos
1Coríntios
13,1-13
09º Retrato: Palavra de Deus
Jesus é a Palavra de Deus
Deus
criou o mundo pela sua Palavra e o recria em Jesus
João
1,1-18
10º Retrato: Filho de Deus
Jesus é reconhecido como Filho de Deus
Tão
humano que foi reconhecido como Filho de Deus
Marcos
1,1 e 15,33-39
Primeiro Retrato de Jesus
Jesus se apresenta
como Filho do Homem
“Tão humano como só Deus pode ser humano!”
Ser humano, humanizar a vida
Marcos 8,27-38
1.
Abrir
os olhos para ver Jesus
Jesus recebeu muitos nomes e títulos, tanto da
parte dos amigos como dos inimigos. Cada um colocava no nome aquilo que
enxergava
1. Qual a imagem de Jesus que
você carrega no seu coração e de onde vem esta imagem?
2. Por que será que é tão
difícil a gente imaginar Jesus bem humano, igual a nós em tudo?
2.
Escutar
o testemunho dos amigos de Jesus
Chave
de leitura.
“Filho do Homem” era o título
que Jesus usava para si e que mais ficou gravado na memória dos primeiros
cristãos. Vamos escutar um dos muitos episódios,
Leitura
do texto: Lucas 19,1-10
Momento
de silêncio
Perguntas
para descobrir o sentido do nome “Filho do Homem”:
1. O que mais chamou a sua
atenção no texto ou de que você mais gostou? Por quê?
3. Se você tivesse que lembrar
uma atitude bem humana de Jesus, qual seria?
4. De que maneira este texto me
convida a mudar o meu modo de pensar sobre Jesus?
3.
Rezar
a Deus em nome de Jesus
* Preces: O que o texto nos faz dizer a Deus?.
* Rezar ou cantar o salmo 34: A experiência da
bondade de Deus levou o salmista a mais ser humano
* Terminar com um Pai-nosso e um hino
apropriado
Subsídio: Jesus, o “Filho do Homem”
Às vezes, a gente escuta o povo dizer: “Jesus
era Deus! Nós não podemos comparar-nos com ele!” Eles colocam Jesus tão alto no
céu e tão longe de nós, que já nem parece o Jesus de que os primeiros cristãos
diziam: “Ele foi provado como
nós em todas as coisas, menos no pecado” (Hb 4,15). Como será que Jesus quer ser visto por nós?
Vamos ver se conseguimos encontrar uma resposta.
O nome que Jesus mais gostava de usar para si
mesmo era “Filho do Homem”. Este
nome aparece com grande freqüência nos evangelhos. Só no evangelho de Marcos
quinze vezes (Mc 2,10.28; 8,31.38; 9,9.12.31; 10,33.45; 13,26; 14,21.21.41.62).
O título “Filho do Homem” vem do AT. No livro
de Ezequiel, ele indica a condição bem humana do profeta (Ez 3,1.4.10.17; 4,1
etc. inúmeras vezes). A Bíblia Pastoral o traduz por “criatura humana”.
No livro de Daniel, o título “Filho do Homem”
aparece numa grandiosa visão, que descreve os impérios mundiais dos Babilônios,
dos Medos, dos Persas e dos Gregos (Dn 7,1-28). Na visão do profeta, estes
quatro impérios têm a aparência de “animais monstruosos” (cf. Dn 7,3-8), pois
são reinos animalescos, brutais, desumanos, que perseguem, desumanizam e matam
(Dn 7,21.25). Na mesma visão, depois dos quatro reinos anti-humanos, aparece o
Reino de Deus que é descrito da seguinte maneira: “Entre as nuvens do céu vinha
alguém como um Filho de homem. Foi
lhe dado Poder, Glória e Reino, e todos os povos, nações e línguas o serviram” (Dn 7,13.14). O Reino de Deus tem a
aparência, não de um animal, mas sim de um “Filho de Homem”, isto é, de uma figura humana. O Reino de Deus é um
reino com aparência de gente. Não é animalesco, mas sim humano. Promove a vida.
Humaniza as pessoas.
Na visão do profeta Daniel, esta figura do Filho do Homem representa, não um
indivíduo, mas sim, como ele mesmo diz, o “povo
dos Santos do Altíssimo” (Dn 7,27; cf Dn 7,18). É o povo de Deus que não se
deixa desumanizar nem enganar ou manipular pelo jeito de pensar dos impérios animalescos. A missão do Filho do Homem, isto é, do povo de Deus,
consiste em realizar o Reino de Deus como um reino humano. Reino que não persegue a vida, mas sim a promove! Um Reino
que humaniza as pessoas.
Apresentando-se aos discípulos como Filho do Homem, Jesus assume como sua
esta missão humanizadora do Povo de Deus. É como se dissesse a eles e a todos
nós: “Venham comigo! Esta missão não é só minha, mas é de todos! É do Povo de
Deus! Vamos juntos realizar esse Reino humano que Deus Pai sonhou para todos!
Esta é a nossa missão”. Foi o que Jesus fez e viveu durante toda a sua vida,
sobretudo, nos últimos três anos. Dizia o Papa Leão Magno: “Jesus foi tão
humano, mas tão humano, como só Deus pode ser humano”. Quanto mais humano,
tanto mais divino. Quanto mais “filho do homem” e tanto mais “filho de Deus!”
Tudo que desumaniza afasta de Deus. Tudo que humaniza aproxima de Deus. Jesus
colocou o bem da pessoa humana como prioridade acima das leis, acima do sábado
(Mc 2,27). Só há uma única maneira de a pessoa se divinizar: sendo
profundamente humana!
Veja na vida de Jesus alguns episódios em que
ele se mostrou profundamente humana e nos ensina como ser humano e humana:
* A moça do perfume
* Ele come e bebe
* Acolhe o velho Zaqueu
* Acolhe as mães e as crianças
* É severo com aqueles que machucam os pobres
Na hora de ser condenado pelo tribunal
religioso, Jesus assumiu este título. O Sumo Sacerdote perguntou: “És tu o
Messias, o Filho do Deus bendito?” Jesus respondeu: “Eu sou. E vocês verão o Filho do Homem sentado à direita do
Todo-poderoso, e vindo sobre as nuvens do céu” (Mc 14,62). Perguntado se era o
“filho do Deus” (Mc 14,61), ele responde que é o “filho do Homem”. Por causa desta
sua afirmação ele foi declarado réu de morte pelas autoridades. Jesus sabia
disso pois tinha dito: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate para
muitos” (Mc 10,45).
Segundo Retrato de Jesus
Jesus
se apresenta como servidor do povo
Lavando os pés das pessoas deu-lhes a extrema
prova do seu amor
Veio para servir e não para ser servido
João 13,1-17
1.
Abrir
os olhos para ver Jesus
O povo repete até hoje: “Quem não vive para servir, não serve para viver!” Este era também o lema de Jesus. Ele dizia: “Não vim para ser servido, mas para servir” (Mc 10,45). Quando os discípulos brigavam pelo primeiro lugar ou quando alguns deles queriam ser mais importantes que os outros, ele chamava a atenção e dizia: “Quem quiser ser o primeiro deve ser o servidor de todos” (Mc 9,35). Não é fácil servir! Judas ia trair Jesus. Mesmo assim, Jesus lavou os pés de Judas. Ele mesmo, quando o povo queria fazer dele um rei, fugiu para a montanha e não quis saber (Jo 6,14). Foi o que São Paulo lembrou quando dizia que Jesus podia gloriar-se do seu título de filho de Deus, mas em vez disso se fez servidor de todos (Fil 2,6-7). Nós temos a festa de Cristo Rei, mas não temos a festa de Cristo servidor. É pena! Vamos refletir sobre isto:
1. Por que é tão difícil servir aos outros?
Conta algo da sua experiência.
2. Temos uma festa de Cristo
Rei e não temos uma festa de Jesus Servidor. Como entender isso?
2.
Escutar
o testemunho dos amigos de Jesus
Chave
de leitura.
No tempo de Jesus, as autoridades religiosas
ensinavam ao povo que o Messias devia ser glorioso e vencedor. Elas não se
lembravam da profecia de Isaías que falava de um Messias Servidor (Is 42,1-9).
Vamos ouvir um texto
Leitura do texto: João 13,1-17
Momento
de silêncio
Perguntas
para descobrir o sentido do nome “Servo”:
1. O que mais chamou a sua
atenção no texto ou de que você mais gostou? Por quê?
2. Conforme as palavras do
texto, em que consiste
exatamente o serviço que Jesus quer prestar ao povo?
3. Como entender a reação de
Pedro e a resposta dura de Jesus?
4. O que deve mudar no meu modo
de pensar sobre Jesus?
3.
Rezar
a Deus em nome de Jesus
* Preces: O que o texto nos faz dizer a Deus?.
* Rezar ou cantar o canto do Servo de Deus:
Isaías 49,1-9
* Terminar com um Pai-nosso e um hino
apropriado
Subsídio: Jesus, o Servo de Javé
Naquele tempo, havia entre os judeus uma grande variedade de
expectativas messiânicas. De acordo com as diferentes interpretações das
profecias, havia gente que esperava um Messias Rei (Mc 15,9.32), um Messias Santo ou Sumo Sacerdote (Mc 1,24),
um Messias Guerrilheiro subversivo
(Lc 23,5; Mc 15,6; 13,6-8), um Messias Doutor
(Jo 4,25; Mc 1,22.27), um Messias Juiz
(Lc 3,5-9; Mc 1,8) ou um Messias Profeta
(Mc 6,4; 14,65). Cada um, conforme os seus próprios interesses ou classe
social, encaixava o messias nos seus próprios desejos e expectativas. Mas por
mais diferentes que fossem aquelas expectativas, todas elas concordavam numa
coisa: o messias seria forte, glorioso e vencedor.
Ao que tudo indica, ninguém se lembrava do
Messias Servidor tal como tinha sido
anunciado pelo profeta Isaías. Somente os pobres souberam valorizar a esperança
messiânica como um serviço do povo de
Deus à humanidade. Maria, a pobre de Javé, disse ao anjo: “Eis aqui a serva do Senhor!” Foi de Maria, sua mãe,
que Jesus aprendeu o caminho do serviço. Nas três vezes em que ele anunciou sua paixão, morte e ressurreição,
Jesus se orientou pela profecia do Servo de Javé, tal como transparece nos
quatro cânticos do livro de Isaías, e a aplicou a si mesmo (Mc 8,31; 9,31;
10,33).
A origem daqueles quatro cânticos do Servo de
Javé (Is 42,1-9; 49,1-6; 50,4-9;
Deste povo-servo se dizia: “Ele não grita,
nem levanta a voz, não solta berros pelas ruas, não quebra a planta machucada,
nem apaga o pavio de vela que ainda solta fumaça” (Is 42,2). Ou seja,
perseguido, não perseguia; oprimido, não oprimia; machucado, não machucava.
Nele o vírus da violência opressora do império da Babilônia não conseguiu
penetrar. Pelo contrário, ele promovia o direito e a justiça (Is 42,3.6). Esta
atitude resistente do povo-servo é a semente da justiça que Deus quer ver
implantada no mundo todo. Por isso, Deus chama esse povo para ser o seu Servo
com a missão de irradiar a justiça de Deus e ser a “Luz do Mundo” (Is 42,2.6;
49,6).
Os quatro cânticos do Servo são uma espécie
de cartilha para ajudar o povo oprimido, tanto de ontem como de hoje, a
descobrir e assumir sua missão. Jesus conhecia estes cânticos e por eles se
orientou. O primeiro cântico (Is 42,1-9) descreve como Deus chama o povo a ser
o seu Servo e realizar a justiça no mundo inteiro. O segundo cântico (Is
49,1-6) descreve como foi difícil para aquele povo exilado e marginalizado
acreditar na sua vocação de Servo. No terceiro cântico (Is 50,4-9), o Servo
conta como ele, apesar do sofrimento, está realizando a sua missão. O quarto
cântico (Is
Jesus percorreu o caminho dos quatro passos
do serviço, indicados por Isaías. Na hora do batismo no rio Jordão, o Pai o
apresentou como o seu servo e o enviou para a missão (Mc 1,11). Na sinagoga de
Nazaré, ao expor seu programa ao povo da sua terra, Jesus assumiu esta missão
publicamente (Lc 4,16-21). A partir daquele momento, ele começou a andar pela
Galiléia para ajudar o povo a descobrir e assumir, junto com ele, a missão de
Servo de Deus. No fim da sua vida, durante a última ceia, Jesus lavou os pés
dos seus discípulos. Até o fim, perseverou na atitude de Servo de Deus. Eis
alguns episódios em que transparece mais forte esta atitude de serviço em
Jesus:
* Lava-pés
* Cura dos doentes
* Alimenta o povo faminto
* Conversa com o povo e consola os tristes
* Acolhe os excluídos e dá um lugar para eles
* Ensina o povo as coisas do Reino de Deus
* Defende os pequenos quando são criticados
* Faz o povo participar
Através desta sua atitude de serviço, Jesus
nos revela a face de Deus que nos atrai e nos indica o caminho de volta para a
casa do Pai. A sua vida é o melhor comentário dos quatro cânticos de Isaías.
Terceiro Retrato de Jesus
Jesus
se apresenta como o irmão mais velho
O irmão mais velho defende e protege os
irmãos e as irmãs menores
1.
Abrir
os olhos para ver Jesus
No tempo de Jesus, por causa da situação
política-social e por causa da visão errada de Deus que a religião comunicava
ao povo, a vida em comunidade tinha muitas falhas. Não havia mais aquela
fraternidade que Deus deseja para todos. Havia muita gente que, em nome de
Deus, era proibida de participar plenamente da comunidade: os doentes, os
deficientes físicos, os estrangeiros, as mulheres, as crianças, os publicanos. Por isso, aquilo que o povo mais esperava do
futuro Messias era ele resgatar os excluídos e reintegra-los, novamente, na
comunidade ou, como diziam naquele tempo, “reconduzir o coração dos pais para
os filhos e o coração dos filhos para os pais” (Mal 3,23; Eclo 48,10). Na
língua deles diziam: “O messias vai ser o nosso Goêl!” A Bíblia costuma
traduzir esta palavra por Resgatador, Redentor, Salvador, Parente próximo ou
irmão mais velho. Foi o que Jesus fez. Em nome da sua fé em Deus como Pai,
procurava acolher e resgatar as pessoas excluídas, ser o irmão de todos. A sua
pregação e o seu testemunho fizeram com que, nos povoados da Galiléia, as
pessoas excluídas fossem novamente acolhidas e incluídas nas comunidades. Por
isso, chamaram Jesus de “primogênito” (Col 1,18; Apc 1,5), nosso irmão mais
velho, nosso redentor, libertador, defensor.
1. Vivemos numa sociedade
violenta e excludente. Onde as pessoas encontram segurança? Como você faz para
se defender?
2. Quem são hoje as pessoas
mais indefesas e mais inseguras? Quem as protege?
2.
Escutar
o testemunho dos amigos de Jesus
Chave
de leitura.
Vamos ouvir o texto
Leitura do texto: Lucas 4,14-21
Momento
de silêncio
Perguntas
para descobrir o sentido do nome “Redentor” ou “Irmão mais velho”:
1. O que mais chamou a sua
atenção no texto ou de que você mais gostou? Por quê?
2. Conforme as palavras de
Lucas, em que consiste a missão de Jesus?
3. Você consegue imaginar
Jesus como um irmão mais velho que intervém para melhorar a vida em família?
4. O que deve mudar no meu modo
de pensar sobre Jesus?
3.
Rezar
a Deus em nome de Jesus
* Preces: O que o texto nos faz dizer a Deus?.
* Rezar ou cantar um salmo (147)
* Terminar com um Pai-nosso e um hino
apropriado
Subsídio:
Jesus, nosso irmão mais velho
No Antigo Testamento, caso alguém, por motivo
de pobreza ou de dívidas, perdesse sua terra ou fosse vendido como escravo, o
parente mais próximo ou o irmão mais velho, chamado goêl na língua deles, devia entregar tudo de si para resgatar o irmão
mais novo (Lev 25 e Dt 15). Assim,
ele evitava que a convivência comunitária fosse quebrada. Era isto que o povo
esperava do retorno do profeta Elias: “reconduzir o coração dos pais para os
filhos e o coração dos filhos para os pais” (Ml 3,23-24; Eclo 48,10), ou seja,
restaurar a vida em família,
O termo hebraico goêl é tão rico que não tem tradução perfeita na nossa língua. No
Novo Testamento ocorrem os termos como libertador, redentor, salvador,
consolador, advogado, paráclito, defensor, parente próximo, irmão mais velho,
primogênito. Todos estes termos, quando usados para designar Jesus, referem-se,
de uma ou de outra maneira, a este costume antigo de Goêl, aplicado a Jesus, nosso irmão mais velho.
Para os primeiros cristãos, Jesus era o
parente próximo, o goêl, o irmão mais
velho, que entregou tudo de si para resgatar seus irmãos e suas irmãs, vítimas
da escravidão da lei, do racismo, da ideologia do império e da religião
opressora, para que, novamente, pudessem viver
No
tempo de Jesus, em nome de uma interpretação errada da Lei de Deus, muita gente
era excluída da vida
os imorais: prostitutas e pecadores (Mt 21,31-32; Mc 2,15; Lc 7,37-50; Jo 8,2-11);
os hereges: pagãos e samaritanos (Lc 7,2-10; 17,16; Mc 7,24-30; Jo 4,7-42);
os impuros: leprosos e possessos (Mt 8,2-4; Lc 11,14-22; 17,12-14; Mc 1,25-26);
os marginalizados: mulheres, crianças e doentes(Mc 1,32; Mt 8,17;19,13-15; Lc 8,2s);
os colaboradores: publicanos e soldados (Lc 18,9-14;19,1-10);
os pobres: o povo da terra e os pobres sem poder (Mt 5,3; Lc 6,20.24; Mt 11,25-26).
Todas
estas pessoas tiveram a experiência concreta de terem sido resgatados por
Jesus, o irmão mais velho, que cumpriu o seu dever de goêl para com elas. Paulo chegou a dizer: “Ele me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). Jesus se
fez escravo, esvaziou-se, para nos enriquecer com a sua pobreza (2Cor 8,9),
para que nós pudéssemos recuperar a liberdade e retomar a vida em comunidade.
Apresentando-se como o goêl dos irmãos e irmãs
excluídas da convivência comunitária, Jesus nos revela a face de Deus como Pai,
como Mãe, que acolhe a todos e vai atrás dos abandonados e excluídos.
Quarto Retrato de Jesus
Jesus é o Messias
esperado
A entrada solene em Jerusalém
Jesus fala ao coração do povo e realiza a sua
esperança
Mateus 21,1-11
1.
Abrir
os olhos para ver Jesus
“João, por que você deixou de ir
à missa nos domingos? Antigamente, você ia e até obrigava os filhos. O que é
que houve com você?” E João respondia: “Sei lá, mulher. Do jeito que vai nossa
igreja não é o que eu desejo. Acho que Deus quer outra coisa”. –“Como é que você pode falar assim? Você
nunca falou com Deus para saber o que Ele quer!” E João calava, ficava sem
resposta. Um dia, na rua, encontrou um rapaz carregando um menino gravemente
ferido. Ele se aproximou e disse: “Posso ajudar?” –“Pode, sim! Ajuda-me a levar esse menino ao
posto de saúde”. –“Pois não!” Enquanto
os dois iam carregando o menino ferido, o rapaz foi explicando: “É que faço
parte de um grupo de ajuda aos meninos de rua. Fazendo reunião de Bíblia, lendo
o evangelho, nós descobrimos que Deus quer isto de nós!” João ficou calado. No
dia seguinte, procurou o rapaz e disse: “Quero ser membro do grupo de vocês.
Era isto que eu esperava. É o que Deus quer mesmo de mim. Já falei com a mulher
e ela concordou comigo!”
1. Alguma vez aconteceu com
você um fato que te ajudou a descobrir o que Deus quer de você? Conte como foi.
2. O que será que o povo
espera mesmo da Igreja ou da comunidade?
2.
Escutar
o testemunho dos amigos de Jesus
Chave
de leitura.
O texto deste círculo descreve a entrada
solene de Jesus na cidade de Jerusalém. Ele é aclamado pelo povo como Messias.
Durante a leitura vamos prestar atenção no seguinte: “Quais as pessoas que aparecem no texto? O que
elas pensam a respeito de Jesus e o que esperam dele?”
Leitura
do texto: Mateus 21,1-11
Momento
de silêncio
Perguntas
para descobrir o sentido do título Messias:
1. O que mais chamou a sua
atenção no texto ou de que você mais gostou? Por quê?
2. Quais as pessoas ou grupos
que aparecem neste texto? O que elas pensam de Jesus?
3. Por que será que Jesus faz
questão de entrar em Jerusalém sentado num jumentinho?
4. O que devo mudar no meu
jeito de pensar sobre Jesus?
3.
Rezar
a Deus em nome de Jesus
* Preces: O que o texto nos faz dizer a Deus?.
* Rezar ou cantar um salmo: Salmo 72
* Terminar com um Pai-nosso e um hino
apropriado
Subsídio: Jesus, o Messias esperado
pelo povo
Messias é uma palavra hebraica que significa
“ungido”. Cristo é uma palavra grega e também significa “ungido”. Naquele
tempo, quando alguém recebia uma função importante, ele era ungido com óleo passado na cabeça. Reis
e sacerdotes eram “ungidos”, (cristos,
messias). Às vezes, chegavam a
designar todo o povo como o ungido
(cristo) de Deus (Sl 105,15). Para dizer que a unção era muito boa diziam que o
óleo usado para ungir derramava pela barba até na roupa da pessoa (Sl 133,2).
As pessoas
“ungidas”, reis e sacerdotes, nem sempre eram fiéis à missão para a qual foram
ungidas. Esta frustração com os falsos “ungidos” fez com que o povo começasse a
esperar por um verdadeiro “ungido”, um verdadeiro “messias” ou “cristo”, que
fosse fiel a Deus e ao povo. Assim nasceu a esperança messiânica do povo de Deus. O salmo 72(71) é um exemplo daquilo que
esperavam do futuro messias ou rei: “Que ele governe teu povo com justiça e
teus pobres conforme o direito. Que os montes tragam a paz e as colinas a
justiça. Que ele defenda os pobres do povo e salve os filhos do indigente e
esmague os seus opressores. Que ele dure como o sol e a lua, de geração em
geração! (Sl 72,1-4). O texto que descreve a entrada solene de Jesus em
Jerusalém mostra como Jesus era o messias esperado pelo povo. Vejamos:
1. Mateus 21,1-3: A chegada em Jerusalém.
Romeiro entre os romeiros, Jesus vem caminhando! O ponto final da
caminhada é o Templo, onde mora Deus! Bétfage era um povoado pobre fora da
cidade, do outro lado do Monte das Oliveiras. De lá, Jesus organiza a sua
entrada na cidade. Manda os discípulos buscar um jumentinho, um jegue, animal
de carga, para poder realizar um gesto simbólico.
2. Mateus 21,4-5: A realização das promessas e profecias em
Jesus.
O Evangelho de Mateus tem a preocupação de mostrar que em Jesus
se realizam as profecias. Zacarias anunciava a vinda do messias dizendo: “Dance
de alegria, cidade de Sião; grite de alegria, cidade de Jerusalém, pois o seu
rei está chegando, justo e vitorioso. Ele é pobre, vem montado num jumento, num
jumentinho, filho de uma jumenta. Ele destruirá os carros de guerra de Efraim e
os cavalos de Jerusalém; quebrará o arco de guerra. Anunciará a paz a todas as
nações” (Zac 9,9-10). O messias vem montado num jumentinho e não num cavalo.
Cavalo, animal majestoso, era símbolo do rei que manda. Jumento, animal de
carga, era símbolo do empregado que quer servir. Era símbolo também dos antigos
Juizes que todos eles montavam em jumentos ou jegues ( ).
3. Mateus 21,6-7: A ajuda dos discípulos e das discípulas.
Os discípulos fizeram como Jesus tinha mandado, e tudo acontece
conforme o previsto. Eles encontram o jumentinho e o levam até Jesus. Colocam mantos em cima do animal e
Jesus monta para iniciar a entrada solene na cidade.
4. Mateus 21,8-9: A procissão se põe em marcha.
Jesus entra na cidade, aclamado pelos
discípulos e peregrinos: "Hosana ao Filho de Davi. Bendito aquele que vem
em nome do Senhor”. Na imaginação deles está a idéia do messias glorioso, filho
de Davi. Jesus aceita a homenagem, mas com reserva. Aceita ser o messias, mas
não o messias glorioso que os discípulos imaginavam. Montado no jumentinho, ele
evoca a profecia de Zacarias que dizia: “Teu rei vem a ti, pobre, montado num
jumento” (Zc 9,9). Jesus se mantém no caminho do serviço, simbolizado no
jumentinho, animal de carga. Jesus ensina agindo. Os discípulos e as discípulas
que aclamam Jesus como rei glorioso, devem entender o gesto de Jesus. Devem
mudar de idéia e se converter (cf. Mc 1,15)!
4. Mateus 21,10-11: A . entrada solene na Cidade Santa.
Jesus entra em Jerusalém, capital do seu povo. A cidade fica
agitada e se pergunta: “Quem é ele?” Os discípulos, as discípulas e o povo
romeiro, vindos da Galiléia, respondem: “É o profeta Jesus, de Nazaré da
Galiléia!” Para o povo, Jesus é um profeta, alguém que fala em nome de Deus.
Durante toda a manifestação nenhuma autoridade apareceu, nem para acolher, nem
para criticar. Ausência que faz prever sombras e tempestades!
Quinto Retrato de Jesus
Jesus
é Nosso Senhor
“Ele recebe um nome que está acima de todo
nome!”
Atos 2,32-36 e Filipenses 2,9-11
1.
Abrir
os olhos para ver Jesus
Para nós, o título mais
conhecido de Jesus é “Nosso Senhor”. Quando alguém diz “Nosso Senhor”, todo
mundo já sabe que ele está falando de Jesus. Virou nome próprio. A gente usa
tanto esse nome que nem pensa mais no seu significado. É como a imagem da cruz.
Ela aparece em todo canto, até no Parlamento e na sala do Juiz. Aparece tanto,
que a gente nem se lembra mais de que se trata de um homem torturado, condenado
à morte por uma sentença injusta e criminosa.
1. Brasil é o país mais
católico do mundo e é também o país com a maior injustiça social. Será que
Jesus é realmente o Nosso Senhor?
2. O que vem na sua cabeça quando você
escuta, ou canta o nome de Nosso Senhor?
2.
Escutar
o testemunho dos amigos de Jesus
Chave
de leitura.
Vamos ouvir dois pequenos trechos da Bíblia,
em que se diz que Jesus recebeu de Deus o nome de Senhor! Os dois foram escritos numa época em que o Imperador de
Roma era apresentado pela propaganda oficial como o SENHOR do mundo. O texto
dos Atos dos Apóstolos traz a conclusão final do primeiro discurso de Pedro no
dia de Pentecostes, logo depois da descida do Espírito Santo (At 2,32-36). O
outro texto é o final do cântico das comunidades, conservado por Paulo na sua
carta à comunidade de Filipos (Filp 2,9-11). Durante a leitura, vamos prestar
atenção no que há de comum nos dois textos a respeito de Jesus.
Leitura
do texto: Atos 2,32-36
e Filipenses 2,9-11
Momento
de silêncio
Perguntas
para descobrir o sentido do nome “Nosso Senhor”:
1. O que mais chamou a sua
atenção nos dois textos ou de que você mais gostou? Por quê?
2. Qual o ponto em comum que os
dois textos afirmam a respeito de Jesus?
3. Qual a experiência das
Comunidades daquele tempo que está por de trás do título SENHOR dado a Jesus?
3.
Rezar
a Deus em nome de Jesus
* Preces: O que o texto nos faz dizer a Deus?.
* Rezar ou cantar salmo 146: O verdadeiro
retrato de Deus, confirmado por Jesus
* Terminar com um Pai-nosso e um hino apropriado
Subsídio: “Nosso Senhor” é o novo Nome
de Jesus
Jesus vivia
muito unido a Deus. Em tudo que ele fazia procurava fazer a vontade do Pai. Ele
chegou a dizer: Eu a cada momento faço aquilo que meu Pai me mostra o que é
para fazer. E dizia: Todos aqueles que como eu fazem a vontade do Pai são meus
irmãos e minhas irmãs. Deus é o centro da vida de Jesus. Um Deus acolhedor,
amante dos pobres e excluídos. Por isso, o povo gostava de estar perto de Jesus
e de escuta-lo. Ele fala de Deus e do Reino. Jesus era a revelação do rosto de
Deus. Quem me vê, vê o Pai. Em Jesus, Deus aparece em forma humana, bem perto
de nós. Se quiser conhecer a Deus, olhe para Jesus, Jesus de Nazaré. Por isso,
os primeiros cristãos deram a Jesus o nome mais querido de Deus que era SENHOR,
que era outra maneira de chamar o nome próprio de Deus JAVÉ. Vejamos:
O nome próprio de Deus é Javé ou JHWH. O significado deste nome é descrito no livro de Êxodo (Ex 3,7-15). Deus diz a Moisés: “Vai libertar o meu povo!” (Ex 3,10) Moisés tem medo, finge humildade e diz: “Quem sou eu!” (Gn 3,11). Deus o ajuda a vencer o medo e responde: “Vai! Estou com você! (Ex 3,12). Mas Moisés continua com medo e arruma outro pretexto: ”O povo vai perguntar pelo teu nome. O que é que eu vou responder?” Deus responde repetindo com força o que tinha dito antes: “Estou que Estou!” É como se dissesse a Moisés: “Certissimamente estou com você, disto você não pode duvidar!” Este é o significado que o Nome Javé que comunicar: Deus está conosco! E Deus termina dizendo: “Este é meu nome para sempre e assim quero ser invocado de geração em geração” (Ex 3,14-15). Ao assumir este Nome, Deus afirma que Ele quer ser presença amiga e libertadora no meio do seu povo para sempre.
Aqui se exprime a convicção mais profunda da fé: Deus está no meio de nós. Ele é Emanuel. Deus conosco! Tudo isto se resume nas quatro letras JHWH do Nome que nós pronunciamos como Javé. A Bíblia permite ter dúvida de tudo, menos de uma coisa: do Nome de Deus, isto é, da certeza absoluta da presença de Deus no nosso meio! Ele está no meio de nós! Só no Antigo Testamento o Nome Javé aparece mais de 7000 vezes!
O trágico aconteceu depois do cativeiro da Babilônia. Nos últimos séculos antes de Cristo, o fundamentalismo nascido do medo foi criando uma distância entre Deus e o povo. O nome Javé já não podia ser pronunciado. Em vez disso, diziam Adonai, o que significa Nosso Senhor. Por isso, até hoje, algumas Bíblias traduzem Javé por Senhor. Estes dois nomes, tanto Javé, como Senhor, são, por assim dizer, uma janela aberta, através da qual Deus nos revela o seu rosto e nos atrai para si. O fundamentalismo fechou a janela com uma cortina, impedindo o povo de sentir mais de perto a presença amiga, libertadora e consoladora de Deus. Mas na hora da morte de Jesus, rasgou-se a cortina que separava o Santos dos Santos do resto do templo (Mc 15,38). Jesus abriu de novo a janela e nos revelou o rosto de Deus que nos atrai para si.
Na segunda
metade do primeiro século, os imperadores romanos queriam que todos os
adorassem como “Deus e Senhor” (Deus et Dominus). Os primeiros cristãos
denunciavam a pretensão imperial e diziam: “O Nosso Senhor é Jesus!”
Muitos pagaram com a vida.
Sexto Encontro
O
Cântico de Maria, a Mãe de Jesus
Os pobres se alegram e agradecem
Lucas 1,46-56
1.
Abrir
os olhos para ver Jesus
Alguém disse uma vez: “Os
cânticos são o termômetro das comunidades. Pelos cânticos que as comunidades
cantam espontaneamente, você avalia quem elas são e qual a visão que elas têm
da igreja, de Deus, de Jesus e da sua missão na sociedade”. Isto vale tanto
para as nossas comunidades de hoje como para as comunidades dos primeiros
cristãos. Um dos cânticos das primeiras Comunidades é o cântico de Maria, a Mãe
de Jesus. Cântico muito antigo, cantado até hoje. Muita gente o conhece de
memória. Ele é o termômetro do ambiente de vida das primeiras comunidades
cristãs lá da Galiléia, a terra de Maria, e revela qual a visão que elas tinham
de Deus, de Jesus e da sua missão. Hoje também surgem muitos cânticos novos que
revelam nossa maneira de ser e nossa maneira de conceber nossa missão como
cristãos no mundo de hoje. Vamos ver isto mais de perto.
1. Na sua comunidade, quais os
cânticos que vocês mais gostam de cantar?
2. Qual a imagem de Jesus que
se reflete nos nossos cânticos de hoje? Dê alguns exemplos.
2.
Escutar
o testemunho dos amigos de Jesus
Chave
de leitura.
No Evangelho de Lucas, o Cântico de Maria
aparece por ocasião da visita que ela fêz à sua prima Isabel. Depois que as
duas mães se saudaram, tiveram uma experiência muito viva das maravilhas que
Deus estava realizando em suas vidas. Espontaneamente, Maria canta: “O Senhor
fez em mim maravilhas”. O cântico de Maria tornou-se conhecido e era cantado nas Comunidades para
ensinar ao povo o benefício que Jesus lhes trouxe. Durante a leitura, vamos prestar atenção no
seguinte: “O que este cântico de Maria nos informa sobre Jesus?”
Leitura do texto: Lucas 1,46-55
Momento
de silêncio
Perguntas
para descobrir o que o Cântico de Maria nos revela sobre o seu filho Jesus:
1. O que mais chamou a sua atenção
no cântico de Maria ou de que mais gostou? Por quê?
2. O que este cântico informa
sobre Jesus, o filho de Maria?
3. O canto é o termômetro da
consciência da comunidade: qual o nível de consciência que transparece neste
cântico de Maria?
4. Qual a mensagem que este
cântico traz para você sobre Jesus?
3.
Rezar
a Deus em nome de Jesus
* Preces: O que o texto nos faz dizer a Deus?.
* Rezar ou cantar o Cântico de Ana (1Samuel
2,1-10)
* Terminar com um Pai-nosso e um hino
apropriado
Subsídio:
Jesus, o filho, no cântico de Maria, sua mãe
O Evangelho
de Lucas gosta de imitar o jeito do Antigo Testamento. O Cântico de Maria é uma retomada do cântico de
Ana, mãe do profeta Samuel (1Sm 2,1-10). Maria, a mãe de Jesus, representa o povo do Antigo Testamento que reconhece
em Jesus a chegada do Novo e, por isso, canta a sua gratidão. Jesus é o Novo que chega; ele realiza a promessa
do Antigo que se despede.
Lucas 1,46-47: Minha
alma proclama a grandeza do Senhor
Para entender
bem todo o significado do Cântico de Maria, é importante lembrar que Lucas,
quando fala de Maria, ele pensa nas comunidades. No Antigo Testamento, o povo
de Deus era simbolizado como sendo a Filha de Sião. Maria é a nova Filha de
Sião. Ela representa o novo povo de Deus que nasce ao redor e a partir de
Jesus. Quando Maria começa a cantar, não é só ela que canta, mas nela e com ela
cantam as pequenas comunidades cristãs, cantamos todos nós. Como Maria, as
comunidades proclamam a grandeza do Senhor e se alegram em Deus, pois em Jesus
e por Jesus, Deus veio realizar as promessas de salvação que animaram a
esperança do povo durante séculos. Jesus é o “sim” de Deus a todas promessas do
passado (2Cor 1,19-20).
Lucas 1,48: Todas
as gerações me proclamam bem-aventurada
Maria proclama a mudança que aconteceu na sua
própria vida, “porque Deus olhou para a humilhação da sua serva”. Ela e, depois
dela, as comunidades têm consciência das coisas grandes que Deus operou nelas
em favor de toda a humanidade: “todas as nações vão proclamar-me
bem-aventurada”. Isto acontece assim, não por mérito de Maria nem dos pobres,
mas por iniciativa da misericórdia de Deus.
Lucas 1,49-50: O todo
poderoso fez grandes coisas em mim
Deus realizou
maravilhas em Maria e nas Comunidades. Para vir ao mundo, Deus não pediu
licença ao imperador romano, o dono do mundo, mas foi falar com uma moça pobre
e humilde, lá em Nazaré, para ela dar o seu consentimento. Ela deu o seu
consentimento e, por isso, a Palavra de Deus se fez carne e começou a viver no
meio de nós. Os pobres deram o seu consentimento e, por isso, Deus pôde chegar
perto e encarnar-se na vida deles, para que eles se tornassem, como diz a
profecia de Isaías, a “Luz das Nações” (Is 42,6; 49,6). É esta experiência tão
bonita do amor de Deus, que é celebrada no cântico de Maria e das Comunidades.
Lucas 1,51-53: Derruba
os poderosos e eleva os humildes
Em seguida, Maria canta a fidelidade de Deus
para com seu povo e proclama a salvação que Ele estava realizando. A expressão
"braço de Deus" evoca a libertação do Êxodo e indica a força
salvadora de Deus. Finalmente, depois de tantos séculos de espera ansiosa, a
esperança dos pobres se realizou. Com a vinda de Jesus aconteceu a mudança que
tanto esperavam: “dispersou os soberbos de coração, derrubou os poderosos dos
seus tronos, elevou os humildes, encheu de bens os famintos e despediu os ricos
de mãos vazias”. Isto não significa que a mudança fosse apenas uma virada da
mesa: os de cima para baixo e os de baixo para cima. Não! Nas comunidades dos
pobres as causas das desigualdades e das injustiças começam a ser eliminadas e
agora todos e todas poderão conviver na fraternidade, na justiça e na paz.
Lucas 1,54-55: Em
favor de Abraão e sua descendência para sempre
No fim, Maria lembra que tudo isto é expressão
da misericórdia de Deus para com o seu povo e da sua fidelidade. Em Jesus se
realiza a esperança, suscitada nos pobres pela promessa feita por Deus a Abraão
e a seus filhos para sempre. A Boa Nova de Deus veio, não como recompensa pela
observância da Lei, mas como expressão da bondade e da fidelidade de Deus às
suas promessas.
Sétimo Encontro
A
poesia sobre Jesus da carta aos Filipenses
Jesus é a força de Deus que se revela na
fraqueza dos pequenos
Ter os mesmos sentimentos que animaram Jesus
Filipenses 2,5-11
1.
Abrir
os olhos para ver Jesus
Tem momentos na vida que a gente
se sente sem forças. Tudo parece sem sentido. São as horas do desânimo que
acontecem na vida de todos nós. São horas meio perigosas, porque a gente corre
perigo de, em poucas horas, estragar uma coisa que custou muitos anos de luta e
de esforço. Numa hora assim, o que salva a gente é a presença amiga de alguém
que nos ajuda a atravessar a noite escura do desânimo. Sobretudo, quando o
amigo ou a amiga já passou pelo mesmo problema e soube vence-lo. É o que o apóstolo
Paulo fez com o pessoal da comunidade de Filipos, na Grécia. Ele mesmo já tinha
passado por muito sofrimento e noites escuras e venceu. Mas desta vez, para
animar a comunidade baseou-se não na sua própria experiência, mas no testemunho
de Jesus, tal como estava descrito num dos cânticos da comunidade que ele
relata na sua carta e que vamos meditar neste encontro. Jesus passou pela noite
da morte e venceu. Vamos conversar sobre isto:
1. Você já teve momentos assim
de desânimo na sua vida? Como conseguiu sair e vencer? Quem te ajudou?
2. Jesus é para você uma força
que te ajuda nos momentos de desânimo? Conte.
2.
Escutar
o testemunho dos amigos de Jesus
Chave
de leitura.
Vamos ouvir um dos cânticos mais antigos das primeiras comunidades cristãs. Para
ajudar seus leitores e leitoras a captar todo o significado do cântico, Paulo
lhes oferece uma chave de leitura. Ele diz: “Procurem ter em vocês os mesmos
sentimentos que animavam a Jesus!” Vamos ouvir a leitura do cântico e durante a
leitura prestemos atenção no seguinte: “Qual o sentimento mais forte de Jesus
que se expressa neste cântico?”
Leitura
do texto: Filipenses 2,5-11
Momento
de silêncio
Perguntas
para descobrir o sentido do nome “Filho do Homem”:
1. O que mais chamou a sua
atenção na letra deste cântico? Por quê?
2. Qual o ponto central deste cântico? Qual o sentimento mais forte de Jesus que
nele se expressa?
3. O que significa “obediente
até à morte”?
4. O que este cântico nos informa sobre o
significado de Jesus para a vida das comunidades?
3.
Rezar
a Deus em nome de Jesus
* Preces: O que o texto nos faz dizer a Deus?.
* Rezar ou cantar um salmo
* Terminar com um Pai-nosso e um hino
apropriado
Subsídio: Jesus, força na fraqueza
Na carta
dirigida à comunidade de Filipos Paulo transcreveu a letra de um cântico que
todos conheciam de memória (Fl 2,6-11). Ele fez isso para orientar os cristãos
como deviam fazer para ter em si os mesmos sentimentos de Jesus (Fl 2,5) e,
assim, vencer o desânimo e ser um testemunho vivo de fraternidade.
Quando hoje
uma pessoa estudada, um doutor ou doutora, convive com os pobres e se faz igual
a eles, o povo comenta: “Ela podia ter uma vida mais distinta, melhor do que
esta nossa vida de pobre, mas ela chegou aqui e ficou com a gente o tempo todo.
Chegou a entrar na cozinha para lavar a louça!” Certa vez, num encontro sobre
saúde, uma senhora comentou: “Aquele doutor chegou a limpar a privada, coisa
que até a gente tem dificuldade de fazer para os outros!”
Os primeiros
cristãos tiveram uma reação semelhante frente a Jesus. Jesus tinha ressuscitado
e estava agora com Deus. Voltou para a casa do Pai, de onde tinha vindo para
poder conviver conosco durante 33 anos. A partir desta experiência de Jesus
ressuscitado os primeiros cristãos começavam a recordar a vida que ele tinha
vivido no meio deles durante aqueles poucos anos lá na Palestina. Jesus era de
condição divina. Podia ter levado uma vida diferente. Mas não quis. Ele se fez
igual a nós, assumiu a condição de empregado como todos nós. Viveu conosco e,
como dizia Pedro, nós pudemos comer e beber com ele. E não só! Ele foi
obediente ao Pai em tudo até à morte, e morte de Cruz! Morte de Cruz era morte
de marginal, a morte mais desprezada que se podia imaginar. Muito mais do que
limpar o banheiro! Por isso, Deus o exaltou e lhe deu o nome que está acima de
todo nome!
Alguém
conseguiu transformar esta experiência a respeito de Jesus em forma de um
cântico que Paulo transcreveu na sua carta à comunidade de Filipos. Nesse
cântico há alguns pontos que merecem um breve comentário:
Filipenses 2,6: Condição
divina, igualdade com Deus
Jesus, igual a nós em
tudo, menos no pecado, deixou Deus entrar na sua vida e foi obediente ao Pai, a
ponto de poder dizer: “Quem vê a mim, vê o Pai”. Graças à sua obediência
tornou-se uma coisa só com Deus.
Filipenses 2,7: Esvaziou-se,
tornou-s escravo
Mesmo sendo igual a
Deus, Jesus não se prevaleceu disso. Nunca se impôs nem foi prepotente, mas se
manteve igual a nós
Filipenses 2,8: Obediente
até à morte e morte de cruz
Alguns explicam
dizendo que Jesus foi obediente ao Pai que queria a morte do filho como
pagamento pela ofensa dos nossos peados. Esta interpretação não é boa. O Pai
não quer a morte do Filho. O que o Pai quer é que a gente seja fiel a ele
amando os outros filhos dele como nossos irmãos. E isto Jesus fez. E quando os
líderes religiosos ficaram incomodados com esta atitude fraterna de Jesus e o
perseguiram. Jesus continuo obediente e pagou o preço. Foi morto.
Filipenses 2,9ª : Deus
o exaltou grandemente
O melhor comentário
desta frase do cântico está na carta aos Hebreus (Hb 5,7-9) onde se diz:
“Durante a sua vida terrena, Cristo fez orações e súplicas a Deus, em alta voz
e com lágrimas, ao Deus que podia salvá-lo da morte. E Deus o escutou, porque
ele foi submisso. Embora sendo filho de Deus, aprendeu a ser obediente através
de seus sofrimentos. E depois de perfeito, tornou-se fonte de salvação eterna
para todos aqueles que lhe obedecem”.
Filipenses 2,9b-11: Deus
deu-lhe um Nome acima de todo Nome: Jesus é o Senhor
É nesta frase final
que se expressa o centro da fé: em Jesus e através de Jesus, Deus chegou
novamente perto de nós, revelou a sua vontade de estar no meio de nós. E diz:
“Para que ao Nome de Jesus todo o joelho se dobre no céu e na terra e todos
confessem que Jesus é o Senhor”. Num círculo anterior já vimos todo o alcance
da expressão Senhor. O domínio de Jesus não é dominação a modo dos grandes
deste mundo que oprimem e obrigam os outros à submissão. O domínio de Jesus se
realiza através do testemunho do amor.
A comunidade
fez uma letra e botou música. Até hoje só temos a letra. Pena que não pudemos
conservar a música, pois às vezes a música é o melhor comentário da letra. Esta
letra, Paulo a usou para orientar a comunidade de Filipos como deviam fazer
para ter em si os sentimentos que animaram a Jesus e como ser fraternidade, ser
revelação de Deus.
Oitavo Encontro
A
poesia sobre o Amor na Carta aos Coríntios
Jesus, revelação do amor maior
Prova de amor maior não há...
1Coríntios 13,1-13
1.
Abrir
os olhos para ver Jesus
A Música Popular Brasileira
(MPB) tem cânticos muito bonitos com letras de significado profundo que cantam
os problemas e as grandezas da vida do povo. Por exemplo, a letra dos cânticos
de Gonzaguinha: “É bonita!”, ou de Chico Buarque “A Banda”, ou de Geraldo
Vandré: “Disparada” ou “Para não dizer que falei de flores”, e tanto outros. A
música popular canta tudo que acontece na vida, mas sobretudo, canta o amor, de
mil maneiras! De tato ouvir e cantar , os jovens conhecem a letra de cor e
salteado! As primeiras comunidades no tempo do apóstolo Paulo também faziam
cânticos que todos cantavam e sabiam de memória. A letra de um deles sobre o
amor, cantado nas reuniões, foi conservado na carta de Paulo aos Coríntios.
Vamos conversar sobre isto.
1. Você conhece algum canto de hoje que
descreve e canto o amor?
2. Estes nossos cânticos te
ajudam a aprofundar o amor, a vida e a fé? De que maneira?
2.
Escutar
o testemunho dos amigos de Jesus
Chave
de leitura.
Durante a leitura deste texto,
feche os olhos, desligue de tudo e pense em você, na sua comunidade, na sua
vida, na sua família e no amor que está em você para com Deus, para com as
pessoas da sua família, para com os membros da sua comunidade, para com os
pobres. Durante a leitura, deixe que a letra, lida bem devagar, penetre em
você, te ilumine e te ajude a fazer um exame de consciência a respeito do amor
que te anime por dentro. Se necessário, repita a leitura mais uma vez:
Leitura
do texto: a Coríntios 13,1-13
Momento
de silêncio
Perguntas
para descobrir o que a poesia sobre o amor revela sobre Jesus:
1. O que mais chamou a sua
atenção no texto ou de que você mais gostou? Por quê?
2. Qual o ponto do texto que te
bateu e te fez descobrir alguma falha em você?
3. Qual destes pontos está
realizado perfeitamente em Jesus?
4. O que deve mudar no meu modo
de pensar sobre Jesus?
3.
Rezar
a Deus em nome de Jesus
* Preces: O que o texto nos faz dizer a Deus?.
* Rezar ou cantar um salmo
* Terminar com um Pai-nosso e um hino
apropriado
Subsídio: Jesus, a revelação do Amor Maior
O testemunho
de fraternidade dos primeiros cristãos era o ponto que mais chamava a atenção
do povo que chegava a dizer: “Veja como eles se amam!” Os primeiros cristãos
viviam em comunidade, tinham tudo em comum, não havia necessitado entre eles.
Havia pessoas que se desfaziam de suas coisas para ajudar os outros. Chegaram a
fazer uma coleta na Grécia para ajudar os irmãos pobres da Palestina, uma
espécie de Campanha de Fraternidade.
A origem
desta vivência do amor era fruto da nova experiência do amor de Deus que se
esparramou nos corações de cada um. “Se Deus é por nós, quem será contra nós!”
Até hoje, esta frase de Paulo impressiona e aparece nos pára-choques de
caminhão. Deus se revelou como Pai como Mãe. Portanto, se somos filhos e
filhas, temos que viver como irmãos e irmãs. Assim nasce a comunidade, a
fraternidade. Para Paulo a
experiência do amor de Deus era o poço mais profundo, de onde ele tirava a água
para animar sua luta e matar sua sede de amor ao próximo.
Esta
experiência de amor é descrita e cantada de muitas maneiras nas cartas de
Paulo. Um dos cânticos mais bonitos é aquele
conservado na primeira carta aos Coríntios. O que é o amor para Paulo? Aqui, a cabeça não consegue expressar o que o
coração sente e vive! Paulo tenta dize-lo com a ajuda da letra daquele cântico
da seguinte maneira:
1. 1Coríntios
13,1-3: Se eu na tiver o amor nada
sou
*
"Posso falar todas as línguas" (1 Cor 13,1), isto é, posso ter
grande poder de comunicação e fazer o anúncio correto da Boa Nova; mas sem o
amor, nada sou!
*
"Posso ter o dom da profecia" (1 Cor 13,2), isto é, posso
fazer grandes denúncias e animar o povo; mas sem o amor, nada sou!
*
"Posso ter o conhecimento de todos os mistérios e de toda a
ciência" (1 Cor 13,2), i. é, ser um grande teólogo e ter muita
consciência; mas sem o amor, nada sou!
*
"Posso ter toda a fé a ponto de transportar montanhas" (1 Cor
13,2), isto é, posso ter a doutrina certa e uma fé milagrosa; mas sem o amor,
nada sou!
*
"Posso distribuir os meus bens aos famintos" (1 Cor 13,3),
isto é, posso fazer op-ção pelos pobres e dar tudo a eles; mas sem o amor, nada
sou!
*
"Posso até entregar o meu corpo às chamas"(1 Cor 13,3), isto
é, posso ser preso e torturado; mas sem o amor, "isto nada me
adiantaria"(1 Cor 13,3).
Todas
estas coisas, tão importantes para a vida de uma pessoa ou de uma comunidade,
expressam e revelam o amor, mas não o esgotam nem conseguem defini-lo. O amor é
um dom que está na raiz de tudo isto mas o ultrapassa! Então, o que é o amor?
Paulo
não responde, mas continua citando a letra do cântico da comunidade que
descreve a ação do amor no quotidiano da vida. Nesta letra ele oferece uma
chave para cada um avaliar se na sua vida existe ou não este amor. Eis a letra,
cuja luz ajuda a andar no escuro, e cuja melodia torna sonoro o silêncio de
Deus:
2. 1Coríntios 13,1-3: O amor
é um poço sem fundo que não se define
O amor é paciente
o amor é prestativo
não é invejoso
não se ostenta
não se incha de orgulho
não faz nada faz de inconveniente
não procura seu próprio interesse
não se irrita
não guarda rancor
não se alegra com a injustiça
mas se regozija com a verdade
tudo desculpa
tudo crê
tudo espera
tudo suporta
o amor jamais passará”. (1 Cor 13,4-8)
Foi
a redescoberta deste amor gratuito de Deus que revolucionou a vida de Paulo.
Antes, ele procurava aproximar-se de Deus e sentir a sua presença, apoiando-se
no esforço que ele mesmo fazia para observar a Lei de Moisés. Mas teve que
confessar sua incapacidade (Rm 7,14-23). Angustiado, ele se perguntava:
“Infeliz de mim! Quem me libertará deste corpo de morte?” (Rm 7,24). Foi a
experiência do amor de Deus que o libertou: “Graças sejam dadas a Deus por
Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 7,24). Libertado da angústia, ele pôde
aproximar-se de Deus e experimentar a sua presença, não por ter observado a
lei, mas sim porque Deus, na sua bondade, se aproximou de Paulo e o atraiu. “O
amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito que nos foi dado”
(Rm 5,5). Paulo experimentou o que Oséias anunciava: “Eu te atraí com laços de
bondade, com cordas de amor” (Os 11,4).
Esta experiência invadiu a vida de Paulo em todos os níveis: cabeça,
coração, vontade, espírito, mente, mãos, pés. Invadiu tudo! E ele começou a
olhar tudo a partir desta nova experiência: a vida, a história, a Lei, as
pessoas, o trabalho, a grande luta, o dia-a-dia da caminhada, a missão, o
próprio Deus. A experiência do amor de Deus está na raiz de tudo. “Se Deus é
por nós quem será contra nós?”(Rm 8,31)
Nono Encontro
Jesus
é a Palavra de Deus
Deus criou o mundo pela sua Palavra
Recria o mundo em Cristo e por Cristo
João 1,1-18
1.
Abrir
os olhos para ver Jesus
Tem gente que fala tanto e fala
sem pensar: palavras, palavras e mais palavras, sem sentido, sem profundidade,
palavras vazias, como folhas secas levadas pelo vento. A Bíblia ensina que Deus
criou o mundo falando, dizendo uma palavra. Ele gritou LUZ e a luz começou a
existir. Assim, tudo que existe: a natureza, a vida, as pessoas, os
acontecimentos, tudo é a expressão de uma Palavra de Deus. A palavra de Deus
não é uma palavra vazia! Cada um de nós é uma palavra ambulante de Deus. Deus
nos fala através da vida. Mas pelo pecado, a letras do livro da vida se
atrapalharam e a gente não consegue mais descobrir a mensagem que Deus nos fala
pela vida. Aí, para nós ajudar a entender de novo a vida e os fatos como
manifestação de Deus, a Palavra de Deus chegou mais perto em Jesus e se fez gente,
igual a nós em tudo, menos no pecado. A Palavra se fez carne e habitou entre
nós. Literalmente, se diz: :A Palavra de fez carne e montou seu barraco entre
nós”. Vamos conversar sobre isto:
1. Você já se deu conta de que você é uma
palavra de Deus para você e para os outros?
2. Você já se deu conta de que
os outros (teus filhos, tua esposa, teu esposo, teus amigos e parentes) são
todos e todas uma palavra de Deus para você? Já escutou alguma vez essa
Palavra? Como foi?
2.
Escutar
o testemunho dos amigos de Jesus
Chave
de leitura.
O Evangelho de João é diferente
dos outros três evangelhos. Mateus, Marcos e Lucas tiram fotografia. João tira
raio-X. Ele ajuda a gente a ler nas entrelinhas e a descobrir coisas que a olho
nu não se vêem, mas que só a fé enxerga. E o instrumento que ele nos dá para
poder fazer essa leitura da vida de Jesus está no prólogo que vamos ler e
escutar. Durante a leitura, fiquemos atentos ao seguinte: Qual a ligação entre
a Palavra de Deus que criou o Mundo e a Palavra que se fez carne em Jesus.
Leitura
do texto: João 1,1-18
Momento
de silêncio
Perguntas
para descobrir o sentido de Jesus como Palavra de Deus:
1. O que mais chamou a sua
atenção no texto ou de que você mais gostou? Por quê?
2. Como a Palavra de Deus está
presente em todas as coisas criadas?
3. O que significa dizer que
Jesus é a Palavra de Deus que se fé carne e morou entre nós?
4. O que deve mudar no meu modo
de pensar sobre Jesus?
3.
Rezar
a Deus em nome de Jesus
* Preces: O que o texto nos faz dizer a Deus?.
* Rezar ou cantar um salmo
* Terminar com um Pai-nosso e um hino
apropriado
Subsídio: Jesus é a Palavra de Deus
De
todos os livros da Bíblia, os capítulos
No século VI antes de Cristo, o povo de Deus foi levado para o cativeiro e perdeu todos os apoios da sua fé: o templo, o rei, os profetas, o culto, os sacrifícios, os sacerdotes, a posse da terra, tudo. Muita gente dizia: Deus nos abandonou! Não adianta mais crer nele. Perderam a esperança. Mas o grupo pequeno dos discípulos e discípulas de Isaías continuou fiel. Eles reuniam o povo e o ajudavam a redescobrir a presença da palavra de Deus nos fatos da vida no meio daquele caos do cativeiro.
Eles apontavam a natureza e diziam que tudo é fruto da ação da Palavra. Tudo que existe é uma palavra de Deus. Diziam: “Deus fala e as coisas acontecem!” Foi o que o cego disse a Jesus: “Basta o senhor dizer e eu fico curado”. E o que disse o centurião: “Diga só uma palavra e meu filho estará curado!”
A palavra de Deus tem duas dimensões. Ela
acende uma Luz, comunica uma idéia.
Ela gera uma Força, anima as
pessoas. A Luz contribui para clarear
nossas idéias, desmascarar os ídolos e quebrar o encanto das falsas ideologias,
dando-nos uma visão mais crítica da realidade e uma consciência maior da nossa
missão. A Força da Palavra de Deus
estimula e anima a criar fraternidade. Sentindo-se acolhidas por Deus, as
pessoas acolhem-se mutuamente. É uma experiência que acontece gratuitamente,
quase por acréscimo, como o cheiro gostoso que acompanha o perfume quando se
abre o frasco.
Quando um artista tem uma inspiração, ele
procura expressá-la numa obra de arte. A poesia ou a imagem que daí resulta
carrega dentro de si essa inspiração. A inspiração é uma força invisível que
corre pelas letras da poesia ou pelas formas da imagem para acender em nós uma
luz igual àquela que brilhou dentro do artista. Por isso, as obras de arte
atraem e mexem tanto com as pessoas. O mesmo acontece quando lemos e meditamos
a Bíblia. O mesmo Espírito ou Inspiração divina que conduziu o povo a escrever
o texto, continua presente dentro do fio das letras da Bíblia. Através da leitura
atenta da letra, esse Espírito entra em ação e começa a atuar em nós para
revelar ou acender em nós a mesma imagem de Deus expressa no texto. Por isso,
na descrição da Criação se diz que o espírito de Deus pairava sobre as águas.
Deus fala a palavra LUZ, o espírito
entra na Palavra e faz a luz acontecer.
O mundo, as coisas, cada pessoa é uma palavra
de Deus. Jesus é a Palavra que Deus pronuncia. Nele Deus nos fala e nele
voltamos para Deus. Por isso, Moisés e Elias, os dois representantes do Antigo Testamento
resumem tudo dizendo aos discípulos: “Ouvi-o!” E Maria como representante do
Antigo Testamento, diz: “Fazei tudo o que ele vos disser!”
Esta palavra de Deus, expressa no mundo e em todas as coisas, finalmente chegou mais perto de nós e se encarnou tomando forma de gente e montou o seu barraco entre nós na pessoa de Jesus.
Décimo Encontro
Jesus
é reconhecido como Filho de Deus
Tão humano que foi reconhecido como Filho de
Deus
Ser humano, acolher e divinizar
Marcos 1,1 e 15,33-39
1.
Abrir
os olhos para ver Jesus
No tempo de Jesus, chamar
alguém de “Filho de Deus” era muito comum. Certa vez, os judeus acusaram Jesus
por ele se declarar Filho de Deus. Jesus respondeu: “E o que é que tem? A
Bíblia não chama todo mundo de Filho de Deus?” De fato, todo ser humano é filho
ou filha de Deus. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Somos o retrato
dele no mundo. Muitas vezes, porém, nossa vida não deixa transparecer que a
nossa origem está
1. Quando você vê alguém
abraçar uma criança e chamá-la “Filha de Deus”, o que vem na sua cabeça? Alguém
já te chamou alguma vez “filho de Deus”?
2. Quando você ouve dizer:
“Jesus, Filho de Deus”, os olhos da gente espontaneamente vão para cima ou para
baixo? Olham para a terra ou para o céu?
2.
Escutar
o testemunho dos amigos de Jesus
Chave
de leitura.
O Evangelho de Marcos chama Jesus de Filho de
Deus duas vezes: uma, bem no começo, na abertura (Mc 1,1) e outra bem no fim,
logo depois da morte na cruz (Mc 15,33-39). Vamos ouvir estes dois textos.
Durante a leitura, fiquemos com esta pergunta na cabeça: O que o evangelho de
Marcos nos quer dizer quando apresenta Jesus como Filho de Deus?
Leitura do texto: Marcos 1,1 e
15,33-39
Momento
de silêncio
Perguntas
para descobrir o sentido do nome filho de Deus:
1. O que mais chamou a sua
atenção no texto ou de que você mais gostou? Por quê?
2. Quem, nas duas vezes, chama
Jesus de Filho de Deus? Qual dos dois tinha ais condições de conhecer Jesus?
3. Qual o significado da
exclamação do Centurião que era um pagão?
4. O que deve mudar no meu modo
de pensar sobre Jesus?
3.
Rezar a Deus em Nome de Jesus
* Preces: O que o texto nos faz dizer a Deus?.
* Rezar ou cantar um salmo
* Terminar com um Pai-nosso e um hino
apropriado
Subsídio:
Jesus é Filho de Deus
Estamos no última Círculo Bíblico para
meditar sobre o título Jesus, Filho de Deus. Até agora meditamos os seguintes
nomes e títulos: Filho do homem, Servo de Deus, Irmão mais velho, Messias,
Nosso Senhor, Sabedoria de Deus, Palavra de Deus, Caminho, Verdade e Vida.
Foi através da janela de todos estes nomes,
títulos, poemas e imagens, que os primeiros cristãos olhavam para Jesus e que
transmitiam para os outros o significado de Jesus para as suas vidas:
o nome Filho do Homem se caracteriza pela humanidade;
o título Servo de Deus, pelo serviço;
o apelido Irmão mais velho, pela acolhida aos excluídos.
o título Messias afirma que Jesus é o sim do Pai a tudo que foi vivido no AT
o nome Senhor revela o Reino presente em Jesus e a presença certa e
absoluta de Deus
o Cântico de Maria afirma a realização das promessas em Jesus.
a Poesia dos Filipenses acentua a total entrega de Jesus no serviço
aos irmãos
a Poesia dos Coríntios mostra a força transformadora do amor revelado
em Jesus
a expressão Sabedoria de Deus afirma que Jesus está
presente em tudo desde a criação
a afirmação Palavra de Deus expressa a certeza de
que
Estes nomes, títulos, imagens e qualificações
são os traços principais por onde Deus nos revela o seu rosto em Jesus e nos
atrai para si. Eles indicam o caminho mais antigo para nós voltarmos para Deus
e vivermos o essencial da Boa Nova de Deus que Jesus nos trouxe. Todos juntos,
eles nos ajudam a entender que Jesus é o Filho
de Deus.
Marcos começa e termina o seu evangelho
dizendo que Jesus é o Filho de Deus! Ao ouvir este título no início do evangelho
(Mc 1,1), o leitor, instintivamente, olha para o alto, para o céu, onde mora
Deus. Mas durante a leitura do evangelho de Marcos, acompanhando Jesus, desde a
beleza do lago na Galiléia até à tristeza do Calvário em Jerusalém, o leitor, a
leitora, pouco a pouco, vai baixando a cabeça para olhar o chão. E no fim, na
hora da morte, morrem as idéias e os critérios com que tentava entender e
enquadrar a imagem do Filho de Deus.
No Calvário, estamos diante de um ser humano
torturado, excluído da sociedade, condenado como herético e subversivo por três
tribunais: religioso, civil e militar. Ao pé da cruz, pela última vez, as
autoridades religiosas confirmam a sentença: trata-se realmente de um rebelde
fracassado, e o renegam publicamente (Mc 15,31-32). Pendurado na cruz, privado
de tudo, Jesus grita “Eli, Eli!”. O soldado pensava: “Ele está chamando por
Elias!” (Mc 15,35) Os soldados eram todos estrangeiros, mercenários. Não
entendiam a língua dos judeus. O homem pensava que Eli fosse o mesmo que Elias. Assim, pendurado na cruz, Jesus
está num isolamento total. Mesmo que quisesse falar com alguém, não teria sido
possível. Ninguém o entenderia. Seria o mesmo que falar português para quem só
entende inglês. Ele ficou totalmente só: Judas o traiu, Pedro o negou, os
discípulos fugiram, as autoridades zombam dele, os transeuntes caçoam, e nem a
língua que ele fala serve mais para se comunicar. As mulheres amigas tinham que
ficar de longe, observando, sem poder fazer nada (Mc 15,40). Isolado, sem
qualquer possibilidade de comunicação humana, Jesus se sente abandonado até
pelo Pai: “Meu Deus! Meus Deus! Por que me abandonaste?” (Mc 15, 34). E
soltando um grito, ele morre!
É assim que morre o Messias Servo! Foi este o
preço que Jesus pagou pela sua fidelidade à opção de seguir sempre pelo caminho
do serviço para resgatar seus irmãos e suas irmãs, para que, de novo, pudessem
recuperar o contato com Deus e viver na fraternidade. Mas foi exatamente nesta
hora da morte, a hora em que tudo desmoronava, que um novo sentido renasceu das
cinzas. A morte de Jesus foi uma vitória! Aquela sua obediência radical até à
morte, a morte de cruz, no total abandono de uma Noite Escura sem igual, fez explodir as amarras que escondiam a sua
identidade. A cortina do templo, símbolo do poder que condenou Jesus, rasgou de
alto a baixo. O sistema que isolava Deus no Templo, longe da vida do povo,
estava encerrado. O centurião, um pagão, que fazia a guarda, faz uma solene
profissão de fé: “Verdadeiramente, este homem era filho de Deus!” (Mc 15,39) Ele descobre e aceita o que os
discípulos não foram capazes de descobrir e de aceitar, a saber, reconhecer a
presença do Filho de Deus num ser
humano crucificado
Quem quer encontrar, verdadeiramente, o Filho de Deus, não deve procurá-lo no alto, num
céu distante, mas deve olhar ao seu lado, para o ser humano excluído,
torturado, desfigurado, sem beleza, e para aqueles e aquelas que, como Jesus,
doam sua vida pelos irmãos. É lá que o Deus de Jesus se esconde, se revela e
nos atrai, e é lá que ele pode ser encontrado. É lá que está a imagem
desfigurada do Filho de Deus, dos filhos e filhas de Deus. “Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão!”